O Ministério Público tem clube?


A julgar pelo que vem publicado no «Diário de Notícias», o Ministério Público tem clube e usa 2 pesos e 2 medidas conforme a entidade que estiver em causa. Ao que parece, todos os mails revelados por Francisco J. Marques já estão no Ministério Público há muito tempo, mas ninguém fez nada. Diz o jornal que «nenhuma diligência foi solicitada, nem foi agendada alguma reunião para definir uma estratégia de investigação».
Aliás, uma das teorias em circulação é a de que terá sido uma fonte da PJ, descontente com o desinteresse do Ministério Público, a passar a Francisco J. Marques os mails incriminatórios.
Eu sei que o Benfica tem muitos adeptos, são a maioria. Sei que Luís Filipe Vieira é multimilionário e extremamente poderoso – tão poderoso que tem dívidas de 500 milhões de euros que irão ser pagas sabemos nós por quem. Sei que as principais instituições políticas e desportivas do país têm benfiquistas no comando. Mas isso iliba o Ministério Público de actuar quando é o Benfica que está em causa? Isso permite ao Ministério Público assobiar para o lado e meter numa gaveta provas ou pelo menos indícios de vários crimes?
Sim. Pelos vistos, sim.
Quando foi o Porto, o Ministério Público não vacilou. Inquérito, escutas (ilegais), acusação, julgamento. Mas só para o Porto. Convenientemente, as escutas foram colocadas no youtube, mas só algumas. As escutas a Luís Filipe Vieira não. Parece que não interessava…
E afinal, à beira do actual caso de corrupção relacionado com o Benfica, o «Apito Dourado» foi uma brincadeira de menin@s. [Read more…]

Luis Filipe Vieira; as mil formas de coacção e o ódio, aquele sentimento visceral

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Vi com a máxima atenção a entrevista exclusiva que a CMTV levou a cabo na noite de ontem a Luis Filipe Vieira. Pela primeira vez concordei com algumas das posições do presidente do Benfica, apesar de continuar a discordar do seu método de actuação.

Cumpre-me saudar o facto do presidente do Benfica ter sido um dos primeiros dirigentes senão mesmo o primeiro a admitir que um erro de arbitragem beneficiou o seu clube, mesmo apesar da habitual (clássica) tentativa de spin para o lance do penalty que ficou, a meu ver, injustamente por marcar em Setúbal. Continuo a acreditar, em questões de arbitragens que não existem erros admissíveis assim como continuo a acreditar piamente que em relação ao meu clube, indiferentemente da postura mansa ou agressiva dos nossos presidentes e dirigentes, existe (factualmente) uma postura por parte da arbitragem, dos seus dirigentes e das influencias que historicamente os movem ou moveram uma intenção deliberada de errar para o segregar e para o excluir das vitórias. Se acredito que existem árbitros que erram por clubite aguda ou por instruções de terceiros? Se acredito que existem encomendas? Claro que acredito. Faz parte do futebol. O que não faz parte do futebol é errar sempre para o mesmo lado. Tanto erro, para o mesmo lado, é uma evidência clara de um futebol altamente viciado, que a continuar assim, diga-se a bom da verdade, irá afastar investidores e consumidores.

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Efectivamente: equação − ‘e’ = quação

Em Julho de 2013 e em Fevereiro de 2014, debrucei-me sobre a possibilidade de “ocorrências de *excessão em vez de exceção (sic)” e semelhantes aumentarem, devido à supressão da letra consonântica ‘p’ em ‘excepção’ e similares.

Anos antes, em estudo sobre a “função diacrítica da letra c, enquanto elemento do grafema complexo (dígrafo) ‹ac›” e acerca, por exemplo, de ‘coacção’ e ‘coação’, sublinhara indirectamente “a criação de homografias” e mencionara quer o “carácter polissémico”, quer a “ambiguidade fonética”. Sim, há cinco anos. Exactamente, “há muito, muito tempo“, “ambiguidade” e “fonética”: porque sobre a superfície agora nos concentramos.

Ao ligar o computador, antes da minha rotina de sábado de manhã, no melhor mercado de Bruxelas, reparei na *quação do Jornal 2 de ontem — os meus agradecimentos a José António Pimenta de França e a Catarina Portas.

Efectivamente, se ‘equação’ [ikwɐˈsɐ̃ũ̯] e ‘coação’ [kwɐˈsɐ̃ũ̯] — como coalescência e qualidade ou até, em determinados contextos, Cuadrado em vez de quadrado —, logo, a selecção da hipótese *quação para [kwɐˈsɐ̃ũ̯] é possível. Desde ontem, aliás, passou de possível a existente — mais concretamente, durante mais de um minuto na RTP2 .

Foi você que pediu um Porto Ferreira? Não? Foi você que pediu um estalo na cara? Também não? Foi você que aceitou um Acordo Ortográfico de 1990? Sim? Logo, foi você que tacitamente adoptou o “critério fonético (ou da pronúncia)”. Então, parabéns. Salvo prova em contrário (se houver, venha ela), esta *quação também é sua.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

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