Luaty Beirão: até ao fim se for preciso

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Angola em versão light

Por razões alheias à minha vontade eu tenho todos os dias a novela “única mulher” como barulho de fundo. Para quem não sabe ela é transmitida pela TVI em horário nobre e passa-se entre Angola e Portugal. É uma banal história de amor com alguma herança colonial à mistura: uma das personagens viu o pai ser morto por soldados portugueses na guerra colonial e depois matou o soldado que tinha morto o pai. Esta parte até é relativamente interessante embora o enredo se foque mais nas consequências que esse acontecimento tem no presente (há toda uma tentativa de vingança por parte do filho do soldado). A novela aborda também a questão do racismo nomeadamente através das duas personagens principais, um português e uma angolana, ela vítima de racismo em Portugal (pela invariável mão de Alexandra Lencastre que interpreta uma personagem verdadeiramente irascível) e o rapaz enfrentando também o preconceito do pai e da ama/empregada/amiga da namorada. Esta parte do racismo está até bem estruturada, dentro do que é possível, e não há uma demonização excessiva de ninguém.

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Luaty: um português de segunda?

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«O cantor e activista político Henrique Luaty Beirão é angolano, mas é também um cidadão português ilegalmente detido no estrangeiro. Sabemos que está disposto a dar a vida por causas maiores, como a da liberdade e justiça. Também sabemos que a sua morte pode estar próxima, na sequência da sua longa greve de fome. É obrigação constitucional, ética e moral do Governo português não permitir que aconteça. Temos consciência das dificuldades e complexidade das relações diplomáticas entre Angola e Portugal. Porém, nenhum valor pode erguer-se acima da defesa dos Direitos Humanos. E este é um caso de Direitos Humanos. É imperativo que o Governo português tome uma posição e publicamente exija a imediata libertação de Henrique Luaty Beirão. É também obrigação do Governo português comunicar a sua posição a toda a CPLP bem como a toda a comunidade mundial empenhada na defesa dos princípios da liberdade e da igualdade. Portugal não pode persistir como testemunha silenciosa e passiva de um lento assassinato político sem se tornar seu cúmplice.» Assinar

Canhota

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Como registo inicial de interesses, deixem-me dizer que não acredito na dicotomia entre esquerda e direita. Mas como até na ciência se trabalha com conceitos que se sabem ser falsos ou inexistentes para facilitar a investigação, vamos utilizar essa geometria política para adiar uma discussão que terá, forçosamente, de ser feita mais tarde e que determinará, felizmente, a alteração estrutural do sistema político atual.

Assim, o que é a esquerda de que tanto temos ouvido falar nos últimos dias e que dizem, dichosamente, vai ser governo em Portugal? Pois. Boa pergunta. Pelo que eu pude ler, ninguém sabe muito bem o que é. Melhor, num escrutínio ao que se tem escrito, a conclusão óbvia é que a tal “esquerda”, aquela que tem a maioria dos deputados, é uma realidade, puramente, virtual. É um ente etéreo que se solidificou nas mentes de alguns para justificar o injustificável. Obviamente que esses iluminados fabricam essa miragem sem qualquer interesse pessoal. Obviamente. Tal e qual o novo alfaiate do rei no conto de Hans Christian Andersen.

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Refugiados: de que é que a Europa está à espera?

Enquanto esperamos, a União Europeia faz aquilo que melhor sabe fazer: nada. Espera. Mas espera o quê? Que o Inverno chegue à costa do Mediterrâneo? Que os refugiados que chegam maciçamente à Turquia vindos da Síria morram de frio? Que Erdogan ganhe as eleições e mande construir campos de concentração para os refugiados sírios? Se a UE fosse uma associação, a Eslováquia, a Hungria e a República Checa já teriam sido expulsas há muito tempo – por não respeitarem os objectivos da associação.
Kai Littmann

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(photo) DFID UK Department for International Development / Wikimedia Commons / CC-BY 2.0

Ainda nos lembramos da cimeira em Bruxelas. Angela Merkel e François Hollande comprometiam-se a fundo na tentativa de alcançar um acordo sobre a distribuição de 160 mil refugiados pelos 28 Estados-membros da União Europeia (de fora ficavam a Inglaterra, a Irlanda e a Dinamarca, desse modo isentadas da responsabilidade de solidariedade europeia, por razões que aliás  permanecem de difícil compreensão). No fim da maratona negocial que durou uma noite inteira, os poderosos da política europeia pareciam satisfeitos: o acordo havia sido alcançado, apesar dos protestos da Hungria, da Eslováquia e da República Checa, que consideraram que o acolhimento aos refugiados ultrapassava as suas capacidades. Hoje, um mês depois desse anúncio, apenas 19 refugiados puderam ser enviados para um outro país. Dezanove. Em 160 mil. E esses 160 mil constituem apenas uma pequena parte dos refugiados que até ao final deste ano hão-de chegar à Europa. [Read more…]

Petição pela intervenção do Governo português na libertação de Luaty Beirão

Assinem. Não nos resta muito mais do que pressionar os cobardes que simulam governar o país.

Guia prático para desmontar a propaganda pafista anti-governo de esquerda

Cocas

Este trabalho contou com a apoio do Sapo Cocas. Por favor não o engulam.

Perante o Processo Ressabiado e Estúpido de Chantagem e Intimidação em Curso (PREC-IC) colocado em marcha pelo exército do PàF, da nata opinadora ao mais primário fanático facebookiano, urge desmontar alguns pressupostos desta campanha radical e extremista que visa tão-somente perpetuar a existência trémula deste regime podre e nocivo que, sob o pretexto do reequilíbrio das contas públicas, mais não fez do que concentrar (ainda mais) os escassos recursos da nação nas mãos de uma ínfima minoria, alargando ainda mais o fosso entre os muito ricos, cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres, esmagando no processo uma classe média que tende a desaparecer. Pelo caminho, vendeu-se ao desbarato a maioria do património colectivo, degradaram-se violentamente as condições laborais, transformando Portugal num país onde a precariedade, o despedimento sem justa causa e uma estranha forma de competitividade baseada em baixos salários fazem cada vez mais parte do quotidiano, deteriorou-se a escola pública e o SNS ao mesmo tempo que se aumentaram apoios ao sector privado da educação e da saúde, onde, por mera coincidência, tantos governantes do bloco central têm feito fortuna e, entre outras atrocidades, incentivou-se a emigração em massa, que regressa a níveis dos anos da ditadura com a diferença que quem sai agora são, na sua grande maioria, jovens altamente qualificados de quem o país precisa desesperadamente para se modernizar. [Read more…]

Avós gregas

Circula por aí esta foto que não só é parte relevante de um grande retrato que aos poucos se vai compondo, o do drama dos refugiados que tentam chegar à Europa, mas é também dessas que nos fazem sorrir e renovar a esperança nessa frágil possibilidade de entendimento entre as criaturas humanas.

Lefteris Partsalis, fotógrafo grego, chegou a Lesbos e encontrou os barcos, a gente desesperada, as crianças a tremer de frio, o choro contínuo, os corpos naufragados, e foi isso que fotografou. Ou nem fotografou, porque, como contam muitos repórteres, o mais frequente é ter de pousar a câmara para poder ajudar quem chega. [Read more…]

Jornalismo de primeira qualidade no DN

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Aliás, reportagem. Por Manuel Carlos Freire. Como se percebe do título, o busílis consiste em ser um concelho comunista. Ainda os comunas não chegaram ao poder e já estão a meter areia na engrenagem.

Coincidências surpreendentes

Santana Castilho*


Nas vascas da morte anunciada das políticas educativas que mais comprometeram o futuro de todos nós houve coincidências que surpreenderam. Uma, coloca graves questões. As outras acabarão diluídas na espuma noticiosa dos dias, depois de contagiarem, subliminarmente, a opinião pública. Recordemo-las:

– O fim da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) coincidiu com o fim de Nuno Crato. Mas o fim da prova, que agrediu a dignidade e o emprego de milhares, é o início de problemas sérios, que pedem soluções urgentes. É preciso apurar quem foi excluído de concursos por não ter passado na PACC, indemnizar quem foi prejudicado por isso e corrigir, quanto ao futuro, os atropelos que resultaram da ilegalidade cometida. E é, naturalmente, preciso devolver aos prejudicados as quantias pagas por uma prova ferida da inconstitucionalidade agora decretada.

É patético que, neste momento político, Nuno Crato afirme que a PACC é para continuar e é deplorável vê-lo refugiar-se no argumento segundo o qual o erro não foi cometido por ele mas por quem o antecedeu há oito anos.

Espero bem que da solução parlamentar e governativa a que se chegar resulte uma intervenção profunda no modelo de selecção e formação inicial dos professores, cuja exigência é genericamente insuficiente nos planos cultural, científico e didáctico e resulte, ainda, a utilização do período probatório para os fins para que foi criado. [Read more…]

Machete Liberta Angola

Estação de Lisboa Entrecampos, 21-OUT-2015

21 de Outubro de 2015

Efectivamente, é hoje.