A insaciável sede de poder de Pedro Passos Coelho

PPC

A sede de poder de Pedro Passos Coelho não conhece limites. Ressabiado pelo seu afastamento legítimo e legal da governação, o primeiro-ministro cessante não olha a meios para regressar ao poder e pede agora uma revisão constitucional que permita a convocação de novas eleições.

O pedido de eleições antecipadas não é uma novidade por cá. Aliás, justiça seja feita, quase qualquer motivo serve para o invocar e os partidos usam e abusam dele. Em 2013, pelo menos por duas vezes a oposição pediu eleições. A primeira, logo no início do ano, ocorreu quando um relatório do FMI tentou impor medidas de austeridade adicionais, entendendo a oposição que o governo não estava mandatado para tal. A segunda decorre da demissão de Paulo Portas, cuja sede de poder custou ao país no próprio dia uma subida dos juros da dívida para 8% e perdas no valor de 2,3 mil milhões de euros para o PSI-20, e que Passos Coelho resolveu cedendo à chantagem dos centristas, promovendo Portas e entregando o ministério da Economia a Pires de Lima. Um dos vários golpes políticos promovidos pela direita “teapartizada” de quem aparentemente nos livramos na passada Terça-feira.

Porém, não deixa de ser interessante ver Passos pedir uma revisão constitucional para promover eleições antecipadas e satisfazer a sua sede de poder. A ambição é tal que o líder do PSD está disposto a parar o país para fazer uma revisão constitucional, a que se seguiriam eleições, e que muito provavelmente terminaria com o mesmo desfecho, pelo menos a julgar pela mais recente sondagem da Eurosondagem. Pelo caminho, e considerando o custo das eleições deste ano, o país gastaria entre 8 e 9 milhões de euros, tudo para satisfazer a sede de poder de Passos Coelho. Uma sede de poder despesista.

Por outro lado, existe a possibilidade da dica para exigir novas eleições e sacrifícios aos portugueses possa ter partido da distrital portuense do PSD, controlada pelos alegados “homens de mão” do todo-poderoso Marco António Costa, o despesista que desempenhou o principal papel no arruinar das finanças da CM de Gaia, e que, como é sabido, cultivam alegadas relações de proximidade com a empresa Webrand, empresa de comunicação suspeita de inúmeras falcatruas como fuga aos impostos, sobrefacturação e facturação falsa, sempre ao serviço de campanhas eleitorais obscuras do PSD. Tão obscuras quanto a nomeação de Maria Luís Albuquerque, que substituiu o director de finanças do Porto num Domingo, director que, uma vez no cargo, se apressou a transferir todos – caso não tenham percebido repito: TODOS – os investigadores e técnicos envolvidos no processo Webrand para outras paragens.

A sede de poder de Pedro Passos Coelho não parece ter limites e a democracia representativa parece ter perdido todo o valor para o líder do PSD. Este episódio do apelo à revisão constitucional é tão bizarro que até Paulo Mota Pinto, antigo deputado e juíz do TC, afirmou hoje que um processo de revisão constitucional “não deve ser usado como arma na luta político-partidária”. Passos Coelho sabe disso mas a sua insaciável sede de poder fala mais alto.

Foto: Jornal I

Comments


  1. O desprezo pelo poder de A. Costa, esse, é evidente.

  2. luis barreiro says:

    Pedir o esclarecimento do povo através do voto é fascismo.


    • Essa votação aconteceu há pouco mais de um mês. Não se apercebeu?

    • Ferpin says:

      Se se fizessem eleições o mais certo era ser quase igual a estas.
      No entanto, admitindo que de novas eleições surgiria uma maioria absoluta da direita, admite você satisfazer o desejo eventual da esquerda de voltar a ter eleições um mês depois?

  3. Cristina says:

    Belo posto expressa a verdade com uma transparência objectiva.
    O senhor em causa e um ilusionista, um manipulador da verdade, que um dia por estranho acaso se viu dotado de poder, tal como nos contos infantis continua a achar que o espelho está errado quando lhe diz que ja muito poucos estao dispostos a assistir aos seus joguinhos disparatados e desesperados.
    Esperemos que haja rapidamente a sensatez de repor no poder gente com craveira intelectual, merito, dignidade, memória, e que mostre de vez aos incrédulos, que havia alternativas às medidas impostas por estes oportunistas vs alpinistas políticos.

  4. NIKO says:

    Tal como refere o excelente artigo, a sede de poder prende-se com o medo que a quadrilha tem em prestar contas há justiça . mas a hora está prestes a chegar .coelho imigra para França aquilo lá está bom .

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  1. […] como uma decorrência normal da estratégia de não olhar a meios para ganhar eleições. A tal sede de poder. O optimismo desvaneceu quando, passadas duas semanas do acto eleitoral, Maria Luís Albuquerque […]

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