O dia em que eu podia ter explodido o Estádio Municipal de Braga (se eu fosse um terrorista)

Estádio

Após os atentados em Paris, alguns governantes portugueses fizeram declarações públicas no sentido de tranquilizar a população. Rui Machete afirmou “ter esperança” que o país se mantivesse fora dos radares do terrorismo, apesar da ausência de garantias absolutas de segurança, enquanto Calvão da Silva afirmava a existência de um “máximo grau de atenção” e reiterava que os portugueses podiam “confiar nas forças preventivas, de segurança e de informação”.

Depois do episódio que vivi ontem, acho que o melhor mesmo é alinhar na esperança de Rui Machete porque não só não existem garantias absolutas de segurança como o nível de vulnerabilidade é muito superior àquilo que alguma vez imaginei. Sorte a dos mais de 10 mil adeptos que ontem marcaram presença no Estádio Municipal de Braga que eu não sou terrorista. Porque se fosse, com a ajuda da permissividade de alguns elementos da segurança do recinto, bem que podia ter mandado tudo pelos ares. Confuso?

Passo então a explicar: ontem fui a Braga ver o jogo entre a equipa da casa e os checos do Slovan Liberec. Como não tive tempo de ir a casa, fui directo para o estádio, levando comigo a minha mochila que carrega os meus pertences e instrumentos de trabalho. Chegado às imediações do estádio, e porque não a queria deixar no carro porque nunca se sabe o que pode acontecer, levei comigo a mochila. No caminho entre o estacionamento e o primeiro controle de segurança, cheguei mesmo a perguntar ao amigo que me acompanhava se ele achava que os seguranças implicariam com a mochila, principalmente neste momento de pós-atentado em que toda a Europa está em alerta. Concordamos que seria minuciosamente inspeccionada mas aquilo que aconteceu foi verdadeiramente surpreendente. Os seguranças limitaram-se a cortar a parte picotada do bilhete e não só não se importaram com a mochila como nem a mim me revistaram.

Para aqueles que não conhecem o Municipal de Braga, o acesso à bancada poente, onde vi o jogo, implica passar por uma espécie de túnel por baixo do estádio e atravessar uma zona de estacionamento até chegar às escadas de acesso à referida bancada onde é validado electronicamente o bilhete e onde somos sujeitos a uma segunda revista. Até entrar no túnel, cruzei-me com inúmeros seguranças e agentes da PSP e ninguém se importou com a minha mochila. E eu até sou um gajo alto e fácil de ver. Finalmente, ao chegar ao acesso à bancada onde veria o jogo, um segurança pediu-me para ver a mochila. Abri o bolso maior, ficando à vista apenas o meu computador e alguns papéis. O segurança olhou e em cinco segundos deu-me ordem de passagem. E desengane-se quem ache que tal se deveu ao facto de haver uma longa fila de espera. Atrás de mim não havia ninguém.

Agora imaginem que eu era um terrorista, que carregava comigo explosivos e que decidia detoná-los, por exemplo, no túnel de acesso à bancada poente, junto às fundações da estrutura. Teria chegado lá, com os explosivos, sem que nenhum elemento da segurança me tivesse sequer revistado, causaria danos consideráveis na estrutura, pânico generalizado e, muito provavelmente, muitos feridos e algumas mortes. E tudo isto de forma tão fácil que se torna verdadeiramente assustador. Será este o “máximo grau de atenção” a que Calvão da Silva se referia?

Comments

  1. Nightwish says:

    É o teatro de segurança, pá.
    De qualquer forma, é irrelevante, se fizessem pesquisas mais demoradas rebentavam a bomba no meio das filas para entrada.


    • Foi tão fácil Nghtwish. E o meu amigo por acaso até tem ar de árabe, barba grande e irregular e pele morena a roçar o queimado 🙂


  2. A tez e o bom ar afastam qualquer duvida 🙂

  3. Manuel Araújo says:

    Sorte do caraças… Tenho livre acesso aos jogos e quando a minha filha me acompanha, nem fruta, nem iogurtes deixam entrar… Tenho de espingardar com os seguranças. 🙂


  4. O Silva não gosta de ser contrariado mas eu não usaria esses termos.


  5. enquanto os portugueses não apostarem nas suas forças de segurança e não mobilizarem as suas forças armadas vamos continuar na incerteza e inquietude…

    http://100porcentocorda.wix.com/trabalhos-verticais


  6. Os portugueses têm uma sorte que só falha quanto a escolherem os governos. Apos o 11 Setembro e Atocha (julgo que ainda é assim) entrava-se e saia-se do Aeroporto de Lisboa, estacionava-se o carro por baixo de todo o edificio, sem qualquer controle.

    • Nightwish says:

      E entretanto, desde o 11 de Setembro, foram impedidos exactamente 0 ataques em todo o mundo, apesar de todo o desperdício de dinheiro, corte de liberdades e criação de inconveniências em geral, continuando muitas outras causas de morte a serem muito mais fatais mas ignoradas.

  7. FilipeMP says:

    Há tantas formas de fazer um atentado que só seriam impedidos se vivêssemos num estado de sitio. O melhor é nem pensarmos nisso.

  8. Helder P. says:

    Atesto que é verdade. O Paulo Silva censura comentários só por terem uma opinião contrária à dele. Muita pratica com lápis azul, que deveria envergonhar o Aventar.