Aprovado após


O destaque do Metro de hoje foi para o número de alterações que o orçamento teve até ser aprovado. A repetição, portanto, dos pacotes de texto, perdão, notícias, criadas nos laboratórios da direita, para colarem uma imagem de amadorismo à governação. Junta-se à estratégia o uso de diversos epítetos, como geringonça, esquerda radical, habilidosos e só falta dizerem ilegítimos, apesar de a cada arroto se ouvir falar de uma suposta usurpação. Se prejudica a imagem do país perante os sacrossantos mercados? Claro que sim e aí reside o sonho húmido da direita. Esperar que o pior aconteça, para poderem voltar ao poder. Portugal à frente, my ass.

Podiam os metros de papel impresso trazerem uma notícia diferente? Sem dúvida. Poderiam falar da procura de consenso para chegar ao resultado. Muitas vezes se fala em prepotência na governação. Ter um governo que é obrigado a negociar é a maior garantia de se ter o interesse geral à frente de agendas ideológicas.

Poderiam ter destacado o facto deste ser o melhor orçamento dos últimos seis anos, apesar das claras imperfeições. Ou que é o primeiro orçamento dos últimos cinco anos sem ser construído sob a certeza de ser ilegal.

Mas, compreenda-se, publicações que tenham por modelo de negócio oferecer publicidade embrulhada em textos que se aparentem com notícias não se podem dar ao luxo de terem uma redacção. Portanto, compram feito às agências de comunicação. E é na constatação da linha argumentativa seguida que se percebe quem as controla.

A crise do jornalismo também é isto. Vendas que não cobrem os custos e cortes nas redacções. Neste momento, nos diários, só o Público ainda apresenta alguns resquícios de jornalismo. A esmagadora maioria não passa de um megafone das agências de comunicação.

Comments

  1. Carvalho says:

    E a quem é que interessa esse Metro escrito por gente com poucos centímetros de inteligência?
    Acha que alguém lê tal porcaria?
    Ainda se fosse macio e absorvente…mas nem isso é.
    Deixemo-los rosnar, sabe tão bem vê-los assim a dar voltas e mais voltas sem saber o que fazer. Pobres bandalhos…

    • pSalaberth says:

      Há muita gente a ler esse folheto. Poucos centímetros de inteligência chegam para pegar no carro ou apanhar o autocarro até às urnas e estragar a vida a toda gente… Todo o burro come palha, é preciso é saber dá-la…

  2. JgMenos says:

    O leilão orçamental é um dos grandes avanços democráticos e sem esse leilão não seria divulgado o copo menstrual e o seu enorme contributo para a defesa do ambiente.

    • Carvalho says:

      Ora bolas! Eu já sabia que dava nisto! Esqueceram-se de dizer a este comentador JgMenos que a expressão “copo” era uma metáfora e que não era para ele beber desse copo. Agora ficou assim. Liguem já para o veterinário!

  3. Socorro ! says:

    Este Jg é daqueles que ganharam as eleições e não estão a governar?
    São mesmo burros…


  4. Acho pura perda de tempo lastimar as noticias e sua formatação, devia lastimar-se sim o facto de praticamente todos os órgãos de comunicação social se encontrarem nas mãos da direita ou, vá lá, do centro direita. O que seria preciso era alterar esta situação. claro que quem manda na comunicação não quer o centro esquerda no poder e vai fazer tudo para o apear. Ora isso é compreensível, o que não é compreensível é que nenhuma força política de sentido inverso se consiga organizar para deter um único meio de in formação.
    Também não é compreensível que comentadores de um blog como este, que me parece lúcido e cordato, percam o seu tempo a insultar alguém que, embora não seja nenhum modelo de elegância e boa educação – a avaliar pelo gosto discutível do fraseado – deles discorda. È mesmo confrangedor.

  5. adeus passos says:

    aprovado, respeitando a constituição e tentando, no possível, aliviar a miséria dos mais pobres dos pobres.

    não é muito bom, o OE. é o OE possível nestes tempos.

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