O mérito de saber ouvir

aferecalendario

Há uns tempos escrevi que

Há de facto um tempo diferente, há alguém que é verdadeiramente Ministro da EDUCAÇÃO e não apenas um secretário do Ministro das Finanças e com uma visão salazarenta da escola. A Avaliação serve para melhorar as aprendizagens e não para encostar a um canto (cursos vocacionais) alguns alunos. Feliz por este sinal.

E também não deixo de afirmar, sempre, que prefiro aferição a exames.

Hoje, o Ministério da Educação publicou uma nota informativa (pdf) que vem esclarecer algumas dúvidas que se tinham instalado:

  • o novo modelo tem como objectivo a promoção do sucesso escolar porque as provas de aferição, realizadas a meio dos ciclos (2.º, 5.º e 8.º anos) serão um instrumento de diagnóstico que irão permitir identificar  dificuldades a tempo, isto é, não esperar que o Douro chegue à foz para resolver o problema da poluição.
  • este ano existirá um modelo transitório que deixa às escolas a possibilidade de escolher. A equipa Ministerial andou no terreno, ouviu quem achou que deveria ouvir (continuo a pensar que é preciso ouvir mais os professores e menos os directores, que quase sempre só se representam a eles!) e perante as incertezas, preferiu deixar a cada escola a decisão. Assim, as provas de aferição irão acontecer onde os Conselhos Pedagógicos quiserem que elas aconteçam. Por mim, votaria, não às provas este ano.
  • as provas chegam uma semana mais cedo do que o esperado.

Curiosamente, a oposição de direita continua a bater no ceguinho, como se os exames nos últimos anos tivessem contribuído para alguma melhoria – não contribuíram.

Perante isto, parece-me acertada a decisão do Ministro de dar um passito atrás depois de ter dado dois à frente. Foi sensato e isso merece um aplauso. Saber ouvir é uma virtude que tem faltado no Ministério da Educação, pelo menos em todo o século XXI.

Espero que a passagem de decisões para o nível das escolas não se fique por aqui – podemos, por exemplo, começar pelo número de alunos por turma. Deixe a cada escola essa decisão e, já que estamos numa de autonomia (real) crescente, deixem a cada escola a decisão sobre as retenções, nomeadamente nos primeiros anos de escolaridade.

Nota: segundo a RR este será o calendário das provas finais do 9º ano

 

Calendário das provas finais do 3.º ciclo do ensino básico:

17 de Junho – 1 ª fase das provas finais de Português do 9º ano;

21 de Junho – 1ª fase das provas finais de Matemática do 9º ano;

15 de Julho – 2ª fase das provas finais de Português do 9º ano;

20 de Julho – 2ª fase das provas finais de Matemática do 9º ano.

12 de Julho – divulgação das notas da 1ª fase das provas finais de Português do 9º ano de escolaridade.

5 de Agosto – divulgação das notas da 2ª fase das provas finais de Português do 9º ano de escolaridade.

 

Comments

  1. Mónica says:

    Só está aí uma coisa mal. A data de afixação dos resultados de dia 5 de Agosto, isto podia estar terminado em Julho. Muitas escolas obrigam os docentes que elaboraram e avaliaram as provas de equivalência à frequência a estarem presentes numa reunião de verificação dos resultados dessas provas que estão já corrigidas e entregues no secretariado de exames muito antes dessa data. Isto obriga a que pelo segundo ano consecutivo estes docentes sejam obrigados a interromper as suas férias que só podem marcar precisamente em Agosto! Mas como disse não se faz isto em todas as escolas!

  2. Anabela Gomes says:

    Caro Deputado Porfírio Silva, como docente do ensino básico e secundário, sempre me manifestei no meu local de trabalho contra a existência de exames antes do 9 ano de escolaridade, sendo quase uma voz solitária. Não só pelo carater seletivo e formal que atribui ao processo de ensino, como às próprias alterações que provoca na dinâmica do processo de ensino aprendizagem. Digo isto porque, estando em sala de aula com alunos que apoio, constatei que os professores de Português e Matemática direcionam de forma exagerada a aprendizagem dos alunos para a obtenção de bons resultados nas provas de exame…e agora de aferição, como o já foi anteriormente. Os exames tornaram-se como um feito glorioso, para onde todos teriam que direcionar as sua atenção, as suas forças, os seus objetivos. As matérias eram dadas a correr. Porque o programa tinha que se cumprir por causa dos exames. Não imagina as vezes que a palavra exame surgia em cada aula. Apoiei e acompanhei a campanha do Partido Socialista e o facto de o programa de António Costa propor a eliminação dos exames do 4 ano, que eu considerava uma aberração, aumentou o meu contentamento e admiração, levando-me a pensar que afinal não estava sozinha. Posto isto, e seguindo o meu impulso, gostava de deixar aqui a minha opinião sobre o assunto do momento, no que se refere às Provas de Aferição. Já tive oportunidade de a expressar junto de outros docentes, que para surpresa minha partlhavam da mesma opinião. Considero assim que no presente ano letivo as Provas não deveriam ser realizadas, considerando-se este um ano de transição do modelo de avaliação. O Sr Ministro propôs que as Provas fossem facultativas. Considero que o Ministro se ficou pelo meio-termo. Mas, rotura é rotura. E na minha opinião, a rotura seria não se fazer. Gerava-se menos confusão e o Ministério economizava. Sim, porque todo o movimento de exames implica enormes gastos. Dinheiro esse que poderá ser canalizado para outros gastos. Outra questão que também foi abordada nessa discussão prendia-se com a aplicação das Provas. Considerando-se que o objetivo deste modelo de avaliação é aferir aprendizagens dos alunos, não sub-valorizando a avaliação que é feita na escola, em sala de aula, porque não atribuir a estas Provas o carater surpresa, isto é, por cada ano seriam selecionadas/sorteadas um número representativo de agrupamentos, ou os agrupamentos de uma determinada região do país, ou um outro critério que não obrigasse à sua aplicação a nível nacional. Esta minha opinião baseia-se no facto de estar “farta” de ouvir os meus colegas a “ameaçar” os alunos com o fantasma dos exames, agora das provas, e se concentrarem mais nas tarefas do ensino/aprendizagem, procurando ser mais criativos e empenhados , vendo o resultado do seu esforço compensados de forma visivel e notória. Pois todos gostam que o seu esforço seja reconhecido.Outro assunto a discutir e a ponderar, onde também devem ter a sua palavra os Encarregados de Educação, que devem participar cada vez mais na escola e com os professores. Termino sem ter a certeza que estas minhas palavras serão lidas por si.

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