Direita radical engrossa fileiras

MC

Com o triunfalismo a que estas coisas obrigam, e ilustrado com uma fotografia repleta de bandeiras ao vento, o PSD anuncia na sua página web que terá atraído 4000 mil novos militantes desde as Legislativas:

Sobretudo jovens, os novos membros da família social-democrata reforçam a natureza interclassista e o carácter dinâmico do PSD. Um partido amplo e abrangente, que se renova a partir das bases e tem nos militantes a sua principal força.

Apesar do número redondo, o detalhe apresentado pela página do PSD refere apenas aqueles que se inscreveram entre Outubro e Dezembro de 2015 – 1689 novos militantes – sem fazer qualquer referência aos restantes 2311 que se terão inscrito no partido de Janeiro até agora. Da mesma forma, não existe qualquer referência aos militantes que abandonaram o partido, aos que deixaram de pagar cotas mas que ainda contam para as estatísticas ou a casos bizarros como a da freguesia de Esmoriz, onde 80 militantes do PSD vivem na mesma morada e 121 outros partilham entre si três números de telemóvel.

Dos 1689 novos militantes referidos, 968 são jovens abaixo dos 30 anos e representam mais de 57% das novas adesões. Andarão à procura do primeiro emprego? Talvez seja o caso. Toda a gente sabe que um cartão de militante de partidos com o PSD, mas também do PS e do CDS-PP, é óptimo para o currículo daqueles que pretendam ingressar na administração pública. Não será por acaso que, do total de novos militantes, 36,23% sejam estudantes e desempregados.

Ligeiramente à direita do actual PSD, o Relatório Anual de Segurança Interna de 2015 dá nota de um aumento significativo da actividade da extrema-direita em Portugal:

“No contexto da extrema-direita portuguesa, é de realçar a intensificação do ativismo político e social de contestação às políticas migratórias, ao acolhimento de refugiados e ao que se designa de ‘islamização da Europa’. Apesar de esta atividade não se traduzir em ações violentas, contribuiu para a difusão da sua ideologia e para a radicalização dos seus militantes”, refere o RASI, no capítulo “ameaças globais à segurança”.

O documento avança também que se continuou a registar “um elevado dinamismo ao nível das atividades do movimento ‘skinhead’ neonazi (concertos, encontros) situação que tem impacto direto no crescimento do número de militantes e de organizações desta matriz ideológica”

[via Expresso]

É interessante notar que o normal funcionamento da democracia, instrumentalizada politicamente pelas duas forças referidas, reforça simultâneamente as fileiras do PSD e dos neonazis. No caso do PSD falamos da rejeição da democracia representativa e da defesa de políticas económicas radicais, já no caso da extrema-direita é a questão do acolhimento dos refugiados que está em cima da mesa. E, curiosamente, a mais poderosa arma ao serviço de uns e outros é a mesma: o medo. Todo o cuidado é pouco.

Comments

  1. Atento says:

    Seria melhor chamar o bois pelos nomes, substituía o titulo do vosso artigo, que me parece uma vez mais de interesse público. Titulo: “Os fascistas engrossa fileiras”


  2. Uma nota acerca de “refugiados”. Peguem num balde com tinta amarela e deixem lá cair umas gotas de vermelho… Nada muda, ou muda apenas a tonalidade do brilho, que fica mais quente com a mistura… Porém, se em vez de umas gotas lá colocarem uma caneca cheia, a cor final mudará para sempre. O mesmo se passa com os “refugiados”. Primeiro porque uma parte deles nem são refugiados mas antes pessoas que procuram fugir às más condições de vida e baixo rendimento que as suas sociedades conseguiram produzir… Segundo, porque a entrada massiva de pessoas com valores e cultura não democrática, não europeia, e ainda por cima praticantes duma religião obscurantista que não respeita os nossos valores (como democracia, direitos humanos, e vida…) vem por em causa o equilíbrio das nossas sociedades e o futuro dos nossos filhos. Uma sociedade serve, antes de mais, para proteger os seus. É esse papel que está a ser posto em risco. E em nome de quê? Talvez do absurdo!… É aqui que está a questão central! As pessoas viram-se para a direita (ou “extrema direita”…), porque o centro e a esquerda não entendem que os povos da Europa querem continuar europeus, querem continuar o trajeto de desenvolvimento que provém de gregos, romanos e Cristo, e renascimento, e luzes, e revoluções e democracia e igualdade de género, e direitos das minorias… – O alheamento do “mainstream” político, a demagogia dos media e o discurso cândido das redes sociais, não entendem ou não querem entender o que está a acontecer debaixo dos nossos olhos…

    • Ana A. says:

      “…As pessoas viram-se para a direita (ou “extrema direita”…), porque o centro e a esquerda não entendem que os povos da Europa querem continuar europeus…”

      Claro! Os “europeus” partem em demanda dos seus interesses obscuros para as terras dos futuros refugiados. Aí, a tonalidade da cor não se altera, ou é-nos indiferente. A cor só nos interessa se a mistura é feita no “sagrado” território europeu. Mas… (há sempre um mas), nada que uns “vistos gold” não resolvam quando o dinheirinho fresco faz um jeitaço!


      • É depois?… Os outros que façam o mesmo, cada um defenda os seus interesses. Não temos de ser nós (Ocidente) a fazer a papinha toda. Foi graças a muita luta, criatividade e persistência que criamos a mais fantástica civilização da Terra, enquanto os outros alimentam rancores na penúria dos desertos. Deveríamos ter orgulho por termos criado sociedades livres, dotadas de compaixão, regidas pelo direito e administradas pela democracia. Não, não temos a sociedade perfeita, mas se não se sente bem como “europeia”, prescinda dos seus direitos, meta a “burka” pela cabeça, e faça-se propriedade dum selvagem qualquer.