Casa dos Degredos


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Que a miudagem da JSD de Santana queira fazer um concurso de misses, eu até compreendo. É preciso encher chouriços quando não há bandeiras para abanar. Que o líder da JSD de Marco de Canaveses deixe tudo para trás para se enfiar num reality show decadente e em decadência, que se resume a pouco mais que intriga, calhandrice e futilidade, num cenário onde a ordinarice e a vulgaridade parecem ser a regra, mesmo alegando algo tão absurdo como “Nada melhor que um reality show para mostrar às pessoas quem realmente eu sou“, também compreendo. Não é à toa que depois nos deparamos com discursos anedóticos e patéticos como este, que despertam sentimentos de pena e vergonha alheia, e que assistimos a tiros de bazuca no pé como aquele com que fomos brindados em Novembro passado.

O que eu não compreendo, a menos que o objectivo do líder do PSD seja o de se descredibilizar ainda mais, é que Pedro Passos Coelho se predisponha a apresentar um livro que parece extraído das páginas da revista Maria. Um livro de mexericos que o moralíssimo Arquitecto Saraiva decidiu escrever, e que se debruça sobre a vida íntima de destacadas figuras políticas portuguesas, algumas delas já falecidas e sem a possibilidade de se defenderem das alegações do autor. Uma “obra” cobarde e intragável, ao nível do mais pútrido esgoto, à beira da qual um reality show até parece uma coisa decente. Um chafurdar na lama doentio de alguém que procura fazer dinheiro através da exposição da vida privada de terceiros. Absolutamente nojento.

Apesar da indignação e espanto de alguns dos seus mais devotos fiéis, o antigo primeiro-ministro vai mesmo apresentar esta espécie de revista cor-de-rosa de capa grossa, que de resto nem precisou de ler para aceitar o convite. Passos Coelho ainda tentou contornar o assunto, afirmando que “Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito“, algo que sabemos ser mentira, o que me leva a concluir que Passos Coelho quer mesmo associar-se a esta reles compilação de bisbilhotices. Tenha isto em consideração, caro leitor, da próxima vez que se cruzar com o slogan “Levar Portugal a sério”.

*****

P.S: Pergunta para um milhão de euros: teria a resposta de Passos Coelho sido a mesma se, entre os mexericos do arquitecto, figurasse aquele célebre boato sobre a relação conturbada com a sua ex-mulher? Passos Coelho pode até nem ter lido o livro, mas estou certo que o assessor que o leu o alertaria e o convite seria imediatamente declinado.

Foto@Leituras

Comments

  1. Escatota Biribó says:

    Passos vai passar (ou sempre foi) a se dedicar à promoção da calhandrice.
    É preciso um calhandreiro para promover outro.

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