A gente que se ajeite, né?


Protestos contra o CETA e TTIP em Bratislava

Os ministros do comércio da UE estão reunidos em Bratislava para deliberarem sobre acordos de comércio e investimento da UE, em especial sobre o Acordo Económico e Comercial Global (CETA) com o Canadá.

Os executores das ordens do capital estão em grande azáfama para abafar as últimas vozes críticas que se fazem ouvir contra a assinatura do acordo que vai, definitivamente, selar a primazia dos grandes investidores sobre os cidadãos.

O contorcionismo e a pressão exercida neste processo foram abismais. Sigmar Gabriel, presidente do SPD com aspirações a candidato a chanceler nas eleições do próximo ano, usou de tudo – desde a ameaça de se retirar se o partido não alinhasse, passando pelo bombástico anúncio, em sintonia com o seu colega francês, de que o TTIP (acordo de comércio e investimento entre a UE e os EU) estava moribundo, até a promessas de adendas com valor jurídico ao acordo – para conseguir o sim do seu partido. A comissão ameaçava que um não ao CETA representaria o naufrágio da política comercial da UE; aos romenos foi feita a promessa de facilitação de vistos; e por aí fora. Em Bratislava, está a ser preparada, em panela de pressão, a assinatura do acordo a 27 de Outubro e foi para lá que Gabriel levou a sua cábula das correcções ao texto do tratado, que prometeu aos seus correligionários para que lhe dessem luz verde: melhorias quanto à independência dos tribunais arbitrais, defesa dos serviços públicos, leis de protecção dos trabalhadores, introdução do princípio da precaução e reforço da defesa dos consumidores. Veremos, promessas leva-as o vento.

Ademais, os ministros estiveram a delimitar as partes que devem entrar provisoriamente em vigor, logo após a passagem pelo parlamento europeu no início do próximo ano, e os pedaços que serão remetidos para o nível nacional.

Quanto ao governo português (uhm… é o PS, não é???), sempre achou declaradamente que estava tudo mais que bem neste acordo (será que o leram?), nem sendo, pois, necessária a potencial introdução de defesas a trabalhadores e consumidores, resultante do mais que muito barulho dos cidadãos. E vejam só, o governo português até quis dar um empurrãozinho simpático ao vivo-morto TTIP, subscrevendo, com vários outros governos, uma carta à Comissão Europeia para manifestar o seu apoio ao empenho nas negociações do acordo.

Pois claro, ondas para quê, a gente ajeita-se a tudo, né? O que importa é que os lucros rolem.

Comments

  1. ZE LOPES says:

    Para tirar trabalho ao Rui Silva, pergunto: quem financiou esta manifestação?

    Cumps, ò Silva!

    • Ana Moreno says:

      Obrigada Zé Lopes pela oportunidade de adiantarmos trabalho; foram os próprios como sempre. Note-se a faixa em português à esquerda.

  2. Mário Reis says:

    Uma lástima. Quando ouvi nas noticias que o PS, que governa este país, e que no passado foi um dos principais agentes das politicas aventureiras que abriram portas ao capitalismo selvagem e espezinho de quem trabalha, fiquei chocado.
    Não se aprende nada! E tenho para mim que, tal como o acordo AMI (acordo multilateral de investimento dos anos 80/90), excetuando um punhado de avençados do grande capital que integram o PS e o PSD, sabe o que são esses tratados.

    • Ana Moreno says:

      Exactamente Mário Reis, é o maquiavelismo de serem estes partidos, como o SPD alemão, que se arvoram em defensores dos trabalhadores e do estado social, que afinal implementaram e promovem o sistema de exploração máxima – com o argumento de assim haver mais emprego. Ou seja, entregaram-se às mãos do capital e não questionam essa premissa básica porque não têm já uma visão do que é uma sociedade justa, dando-se por satisfeitos com paliativos mínimos. Foi Gerhard Schröder, do SPD, que “reformou” o sistema social e laboral alemão, por forma a torná-lo mais competitivo. Avançou por caminhos que hoje se revelam não só socialmente injustos, mas insustentáveis. E continuam a viver dos símbolos passados para enganar o pessoal, como seja a cor vermelha. Willy Brandt deve revolver-se, lá onde estiver.

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