O jornalismo económico à lambe-botas


Rui Naldinho

Há cerca de dois meses, o Dr. Carlos Paz, economista e professor do ISEG, afirmou sem quaisquer pruridos num canal de televisão, infelizmente não generalista, que cada um escolhe a terminologia que prefere atribuir aos eventos sociais e económicos que se sucedem no nosso dia a dia. Deu como exemplo uma afirmação do Presidente da CIP, António Saraiva, que considerou “Reformas” às medidas tomadas por Passos Coelho no anterior governo da PAF. Desde os cortes nos salários ao aumento dos escalões do IRS e diminuição do IRC, à desregulamentacão da contratação colectiva, à facilidade nos despedimentos, a precariedade, etc, tudo foram “Reformas” para o presidente da CIP.
Como dizia, e bem, o Professor Carlos Paz, uma “Reforma” pressupõe um consenso muito alargado da população, que acolhe sem grandes reservas as alterações propostas. Uma verdadeira maioria apoiada pelos partidos, pelas confederações patronais, pelos sindicatos, Ordens Profissionais, e demais associações com relevância na decisão a tomar. Caso contrário isso nunca será uma reforma, mas sim uma reversão das leis em vigor. Ou, no mínimo, uma alteração do equilíbrio de forças dentro das várias actividades. Mas o Prof Carlos Paz dizia mais: Tem-se tentado passar uma ideia de reversão, das “Reformas” produzidas na anterior legislatura, que nunca o foram. Quando muito pode falar-se de reposição do equilíbrio entre partes, ou entre sectores de actividade, mas nunca em reversão.
É neste contexto que entram os Joao’s Vieiras Pereiras, os Camilos Lourenços e os José’s Gomes Ferreiras deste país. Essa casta de iluminados que almoça com a CIP dia sim, dia não, vivem com ordenados muito acima daquilo que recebem a maioria dos profissionais do sector da comunicação social, enfim, pagos para dizer e escrever aquilo que os seus mandantes lhes pedem. Mas o mais caricato é afirmarem-se de vítimas. Denunciam que estão a ser pressionados pelas redes sociais e outras entidades que não descriminam, para não dizerem e escreverem aquilo que pensam. Mas será que eles pensam mesmo?
É preciso ser um grande lambe botas para se queixar do bullying das redes sociais!

Comments

  1. na mouche.

  2. As redes sociais INCOMODAM e MUITO, grande parte dos serventuarios pés de microfone que proliferam, e só por isso ; os “PÉS DE MICROFONE!” verberam as redes sociais. CURIOSAMENTE, por razões estranhas, ou facilmente conjeturaveis, estes assalariados dos interesses “alheios”
    à comunidade, mas CONVENIENTES aos que lhes pagam o soldo, ainda não perceberam que NÃO se estão a VENDER aos interesses, que Não são os seus!, mas apenas a HIPOTERCAR-SE aos oportunistas e usurários do momento especulativo e selvagem do Grande Capital. E já agora …:… A Europa está TEZA!, o Médio Oriente, apesar do Petróleo, ou por isso mesmo, está com problemas! A Ásia está com dificuldades, África é o que se diz nas comunicações, DITAS sociais, e pensa saber-se que :…nos cinco continentes deste, AINDA, planeta…está tudo TEZO e com défices “estruturais” ;…AO QUE FAZEM CONSTAR!… Afinal que PLANETA anda a EMPRESTAR dinheiro a este PLANETA, ainda…AZUL??? É melhor aprofundar alternativas, não vá o SOL deixar de dar crédito e resolver APAGAR-SE…PARA TODOS!….. tezos e CAPITALISTAS.

    • Anónimo says:

      Os gregos acreditam que o Homem é a medida de todas as coisas.
      Há milénios que os gregos, esses malandros, contam a história do rei que, tudo o que tocava transformava-se em ouro. O rei Midas morreu rapidamente, faminto mas muito rico.

      Hoje, a finança, ao comando dos bancos e dos governos, tudo o que toca, tudo o que especula, transforma-se em capital.
      Hoje o capital é a medida de todas as coisas.

      Com o colapso da produção de bens vitais, a economia insustentável, a humanidade definha e morre, tal como o rei Midas.

      Tal como das outras vezes, a besta da guerra acordou, e já tortura e assassina a humanidade, quiçá, prepara-se para mais uma carnificina global.

  3. Magalhães says:

    Almoçam com a CIP e com todos aqueles que lhes der jeito (poderosos). Dizem-se defensores da classe média, mas fecham os olhos ao jornalismo de profissionais pagos com salários indigentes. O jornalismo prostituiu-se. É a democracia de pau que temos. O Sinjor não serve para nada; a ERC é aquela coisa que sabemos (inutilidade); os principais órgãos estão nas mãos de grupos instrumentalizados (angolanos, chineses, do Balsemão…). Tudo isto é triste.

  4. JgMenos says:

    « uma “Reforma” pressupõe um consenso muito alargado da população, que acolhe sem grandes reservas as alterações propostas»
    Uma idiotice que se bem percebe ao que vem!

    • Rui Naldinho says:

      Quando uma pessoa não consegue distinguir o conceito de Reforma e o conceito de Revolução, é perfeitamente natural que se depare com “idiotices” deste calibre.

  5. E lá dizia o Sábio Solon,orgulho da Grecia Antiga “que as dívidas dos estados são impagáveis “,isto dito 500 anos AC. Por isso hoje não se movimenta dinheiro,mas números cada vez maiores , e o jogo dos mercados da batota são os negócios das dívidas !!! Qualquer dia acertam as contas !!!

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