Aquele momento em que Marques Mendes me obriga a concordar com ele


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Nem é por se mostrar surpreso com o bom desempenho da Geringonça. Acho que a supresa é mais ou menos generalizada, não só pela aparente solidez do acordo de incidência parlamentar, mas principalmente porque, com a excepção da questão do crescimento e da trajectória ascendente da dívida pública, que de resto não parou de subir durante o consulado de Passos e Portas, a governação de António Costa até tem apresentado alguns resultados interessantes e inesperados, nomeadamente no que diz respeito aos números do défice. 

O que me obriga a concordar com Marques Mendes, que até tem um apelido com o qual simpatizo bastante, é a constatação do vazio em que se transformou o PSD, referindo que o seu partido “praticamente não tem iniciativa sobre nada. Presumo que o “praticamente” esteja ali em alusão à única prática que se mantém como variável constante na corte de Passos Coelho, que, não tendo iniciativa sobre nada que seja relevante, se tem dedicado com afinco a profetizar desgraças. Nisso, verdade seja dita, têm sido inexcedíveis.

Sobre o processo de preparação para as Autárquicas, existe um enorme ponto de interrogação a pairar sobre a São Caetano à Lapa, sendo que a única novidade digna de registo é a chamada de um dos maiores críticos internos de Passos Coelho para coordenar a corrida em Lisboa. Marques Mendes relembra que, a um ano das eleições anteriores, estavam já definidas 60 coligações pré-eleitorais com o CDS e que não existe ainda qualquer nome para as principais autarquias do país.

Sobre o Orçamento de Estado para 2017, Passos Coelho continua determinado em colocar todas as suas fichas num birra infantil. O PSD parece apostado em demitir-se do papel de oposição e as sondagens que vão surgindo ilustram o sentimento de descrença no partido. Não querer participar no debate do OE17 é, como afirma Marques Mendes, “difícil de entender“. Quase tão difícil como não concordar com estas palavras. Pasokização à vista?

Imagem via inÉpcia

Comments

  1. O défice está a ser controlado à custa de compras públicas e despesas do Estado. Isso tem efeito mau sobre as empresas que fornecem bens e serviços ao Estado que por sua vez vai arrecadar menos impostos.

    O governo deve incentivar a exportação com medidas adequadas. Aparentemente, o governo parece estar alheio ou desinteressado. Nem toda a exportação era para Angola, onde grassa a crise de divisas.

    Não se consegue resolver o problema estrutural português de défice endémico sem se incentivar a exportação, que pode ser um motor para a economia. As empresas portuguesas não estão a ver os apoios prometidos.

    Para as PMEs como a minha empresa existe o programa Portugal2020 para a internacionalização, cujos fundos acabam a 31 de Outubro. Os processos são demasiado complexos, convidando a um autêntico saque antecipado de 3000 a 5000 euros pelas empresas de consultadoria só para formular a candidatura.

    Assim, não vamos lá mesmo em relação à redução do défice!

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