Glória para a Geringonça, mais uma dor de cabeça para a direita radical


bdp

Entre profecias da desgraça e alucinações com Belzebu, intercaladas por macumbas e rezas ao oculto para que as trevas se abatam sobre Portugal, abrindo alas ao regresso da seita além-Troika, as coisas teimam em não correr bem para os lados da direita radical, cada vez mais isolada e em queda permanente nas sondagens. Contudo, acredito piamente que não estavam à espera de um golpe tão duro o profundo como aquele que lhes aplicou hoje o Observador, o jornal dos amigos neolibeirais de Passos Coelho, tão importante na sua ascensão e na produção de propaganda anti-esquerda. Nem os apóstolos do ministério da propaganda devem ter percebido o que se passou. 

E o que disse/fez o Observador? Nada de particularmente revelador. Limitou-se a confirmar que a ladaínha da oposição é uma valente treta e que o investimento estrangeiro não está a fugir do país coisa nenhuma: está a aumentar. E haverá algo mais glorioso para a Geringonça, do que ver o órgão de comunicação mais encostado ao PSD e ao CDS-PP descarregar semanas de propaganda fossa abaixo?

Efetivamente o investimento estrangeiro em Portugal está a aumentar, como diz o ministro. Os números não demonstram nenhuma debandada como teme e tem alertado a oposição. Se os investidores estiverem mesmo a fugir, isso ainda não teve impacto no primeiro semestre deste ano. O teste do algodão são os números do Banco de Portugal, que demonstram que a posição do IED cresceu em comparação com o primeiro semestre de 2015 (2,53%) e ainda mais se comparado com o segundo semestre do mesmo ano (3,5%). Outra prova é o facto doinvestimento externo estar a crescer em vários setores, embora aqui o governo não tenha contado a história toda.

Quanto às transações, referentes ao dinheiro que entra no país, o governante não mentiu ao dizer que está a aumentar em quase todas as rubricas e que a quebra que existe é provocada pelo impacto que a venda da PT à Altice teve em 2015. O ministro só não está totalmente certo naquilo que disse no Parlamento porque há um setor onde o investimento cai além das telecomunicações: a construção (quando vista isoladamente e nos parâmetros do BdP).

O drama, a tragédia, o horror. O fantasma estalinista que paira sobre o paraíso à beira-mar plantado. Os amanhãs soviéticos que cantam. O pânico, o sobressalto. A inquietação. A Venezuela ao virar da esquina. O gulag que nos engolirá a todos. A temível Geringonça. O mundo cruel. O apocalipse.

E a comédia, claro 🙂

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Sim, mas é um crescimento muito pequeno (3% ao ano) e, provavelmente, partindo de uma base também ela demasiado baixa.

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