Resumidamente, uma besta será sempre uma besta

“Portugal estava a ser muito bem sucedido até entrar um novo governo, depois das eleições”, afirmou Wolfgang Schäuble, de acordo com a agência Bloomberg, citada pelo Observador. A falha do Governo foi desde logo, segundo o ministro alemão, “declarar que não iria respeitar os compromissos assumidos pelo anterior Governo”. [P]

Dado que o anterior governo não conseguiu colocar o défice nas metas a que se tinha proposto, tendo, na verdade, sucessivamente reescrito essas metas para parecer que as cumpria, só podemos concluir que sair do procedimento por défice excessivo, tal como, aparentemente, o governo de Costa vai conseguir, não é o caminho a seguir.

E quais são os compromissos assumidos pelo governo anterior? Corte de 600 milhões nas pensões, produção de orçamentos inconstitucionais, aumento da precariedade laboral e privatizar a Segurança Social, a Saúde, a Educação e tudo o resto que receba dinheiro do Estado. O engraçado é que nem assim o anterior governo saiu da cepa torta. Este também nem por isso, mas numa coisa há que lhe dar a mão à palmatória. Sem piorar a vida dos portugueses e sem recorrer à miserável vergonha de governar contra a lei, o governo de Costa está a conseguir jogar dentro do colete de forças do tratado orçamental. Embrulha, Schäuble.

Este Brutus diz estas coisas porque quer prejudicar o governo português. Foi já essa a razão de ter dito “acidentalmente”, no final de Junho deste ano, que Portugal iria ter um novo resgate. Em vez do diabo, parece que chegou cá uma besta com o seu número. E enquanto se lixam os PIGS, não se olha para a fossa que é o Deutsche Bank.

16 comentários em “Resumidamente, uma besta será sempre uma besta”

  1. Quando é que os portugueses vão começar a mandar na sua própria terra?! Só saindo do euro, para não ter que aturar gente como esse estafermo alemão? Do que é que estamos à espera?! Com o colete de forças que é o Tratado Orçamental e com a dívida pública colossal (conviria averiguar a que é lícita e a que não é) que temos e o serviço da mesma, alguma vez vamos conseguir levantar cabeça? Duvido.

    1. Isto da perda de soberania é algo que me espanta. Obviamente que nos vendemos, a troco dos subsídios. Alguns, a maioria dos portugueses, aceitaram o bónus sem pensarem no assunto. Mas os políticos, a elite, tal como eles gostam de se ver, fizeram-no com calculismo. Dinheiro que trouxe riqueza pessoal e votos nas eleições. Onde esteve essa elite quando era preciso pensar o país? Não esteve. Ao mesmo tempo que se abatiam navios e se abandonaram os terrenos de cultivo, compravam-se iates e jipes.

    2. Apoiado, pagamos a dívida , saímos do euro e já está vamos ser felizes para sempre, já podemos falir em “escudos” como em 1976 e 1982.

      Rui SIlva

  2. Eu a pensar que este era o primeiro governo a cumprir as metas do rodinhas…
    Ainda ninguém explicou é para que é que elas servem, que para fomentar o crescimento, diminuir a pobreza ou manter a estabilidade política já toda a gente percebeu que não é.

  3. J. Manuel Cordeiro, muitos parabéns. Este escrito é a todos os títulos notável, por si e pelas oportunas chamadas de atenção. Bem haja! Nunca lhe doam as mãos para continuar a denunciar esta tropa-fandanga que nos quer impingir leis e ditar como devemos viver e refiro-me sobretudo os seus cães de fila no interior do país (Passos, Cristas e correligionários. Já me vai faltando a paciência para aturar esta gentalha e confesso que já estou ficando nauseado de tanta baboseira.

  4. Excelente intervenção. Penso, no entanto, que enquanto Portugal não renogciar a dívida, não sai da cepa torta. Portugal e todos os países ns mesma situação, incluindo a Grécia que, através de maus politicos, foi crucificada pelo Goldman Sachs através duma vigarice que a União Europeia decidiu não ver. Estamos bem servidos com esta união…

      1. E os juros são devidos pelo capital que pedimos para desenvolver o pais e a economia crescer … A culpa é sempre dos outros.

        Rui SIlva

          1. Infelizmente em matéria de resultados económicos, não há perspectivas nem subjectividades , a verdade acaba sempre por se impor.

            Rui SIlva

  5. O que mais me impressiona é eu ter achado que estes merdas, face ao valor do défice previsto para este ano, tinham ficado sem argumentos. Isto só evidência que eu não sou aquele que raramente se engana e nunca tem dúvidas.

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