Mais um Passo(s) para delapidar o PSD


joao-miguel-tavares

Há 4 anos atrás era a favor. Há um mês atrás era a favor, de acordo com que o foi referido por um dos seus vices. Até a obsoleta Rádio Renascença deu com a marosca.
Hoje é contra, curiosamente, contra.

A questão é antiga mas ao mesmo tempo reveladora da desorientação geral em que vive nestes dias a liderança do PSD. Sem rumo político, quer no plano nacional quer na preparação das ansiadas autárquicas (nas quais, o PSD como histórico leader nacional e máquina caciquista que é pode estar à beira de um total e redondo colapso, colapso que certamente modificará muita coisa dentro do partido) com uma liderança de navegação à vista nos últimos meses, cheia das habituais posições modificadas, de ideias que oscilam entre o barato da feira da ladra e o horrível surreal e de uma choradeira sem fim (“porque fomos nós que ganhámos as eleições, pá”) aliada a uma desorientação colectiva no que diz respeito à preparação do acto eleitoral que se avizinha, denota-se a largas vistas que Coelho deu mais um Passos para a desgraça na questão do descida da TSU para as empresas caso a esquerda leve  a medida lavrada na concertação social a votação na AR.

Recuemos primariamente até 2012, altura em que o governo PSD\CDS não era consensual sobre o assunto, estando na altura o PSD aliciado, tentado, engajado a facilitar a clientela do costume, clientela essa que a cobro do manto da troika já tinha sido premiada com um novo código laboral que lhes permitia despedir mais barato, contratar de forma mais precária e com fundos do resgate, no caso da banca.

O pleno emprego nunca veio,  o diabo nunca veio, a geringonça até leva o negócio mais ou menos controlado e dentro de um espectro controlado de paz social (que por acaso só não foi quebrada pelo Santos Silva porque houve uma voz dentro de um partido da coligação que pediu, pela última vez, alguma calma à sua intersindical) mas Passos arrisca com esta súbita viragem à esquerda. E arrisca porquê? Quais são os motivos que levam Passos a zangar-se novamente com o CDS num tema que já era controverso  quando a situação era apresentada de forma inversa em 2012, a ir buscar refúgio à esquerda que tanto odiou durante 4 anos, a quebrar o acordo tácito lavrado em concertação social e, acima de tudo, a voltar a confrontar o PS numa lógica de contraditório básico “se vocês são A, queremos ser B”, “se vocês nos dão pancadas, nós retribuímos com ódio”, “se vocês são River Plate, somos Boca Juniors”?
Desta estratégia nada ganhará o PSD, até porque a espuma dos dias da era global tratar-se-à de relembrar a liderança do PSD da sua posição passada. Do eleitorado da esquerda nacional, Passos não deverá esperar nada.

De uma assentada passo aos perigos:

Como é sabido, a poucos meses das autárquicas, daquelas, ditas, de levantar mortos, dado que Passos poderá ter que ali jogar a sua própria posição de liderança do partido, sabendo de antemão que em caso de derrota, terá à perna os fantasmas internos predispostos a atacar em força essa mesma liderança, contrariar o CDS numa questão “de ouro” para os centristas, poderá trazer graves consequências para o PSD nas autárquicas. Sem candidato para Lisboa e para o Porto, apesar de Passos ter revelado esta semana que irá lançar um candidato (um zé qualquer da esquina dada a falta de nomes sonantes que possam ombrear com Medina e se calhar até com Cristas) e com candidatos muito frágeis para outras edilidades municipais como é o caso de Coimbra (Amaro não terá qualquer hipótese contra uma re-eleição de Machado) ou problemas por resolver no seu reduto mais íntimo (em Viseu tem subido de tom a escalada de contestação contra o Zé das Festas Almeida Henriques, pedindo-se o regresso de Ruas; a seu tempo escreverei sobre o assunto com base em relatos de fontes próximas do histórico viseense), Passos poderá estar aqui a dar o leitmotiv que o CDS tanto pretende para se afastar da coligação quer nas autárquicas quer nos assuntos nacionais para capitalizar sobre os descontentes do PSD incapazes de virar o seu voto à esquerda por princípio ou por clubite aguda.

Essa possibilidade trará obviamente muitas vicissitudes ao PSD nas próximas autárquicas. Se o CDS barrar a porta a uma coligação ampla e nacional, o PSD poderá ter, a meu ver, o pior resultado da sua história nas autárquicas e Coelho dará Passo(s) largos para sair pela porta pequena do partido, leia-se, para nunca mais voltar.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Chegados aqui, resta-nos perguntar a certos moralistas do neo liberalismo:
    Então, em que é que ficamos?

    Isto demonstra como a política não assenta numa lógica coerente, mas sim em interesses obscuros, cujo o apetite pelo Poder tem mais importância do que os princípios.

  2. Completamente de acordo.

  3. Benjamin Campos Ferreira says:

    Sr João Branco, como é?
    Afinal o Passos Coelho está a votar com a Esquerda.
    E mais. Só os burros é que não mudam.
    Tenho que concluir neste caso que o Passos Coelho procede como um revolucionário e a Esquerda toda como conservadora.

    Ah que efectuar a mudança, camaradas!

  4. Tiro ao lado no porta-aviões.

    Não é por nada mas sempre me ensinaram que a característica primordial que um revolucionário deve possuir, para revolucionar ou para se ser revolucionário é lutar exaustivamente pela causa em que se acredita e que se pretende executar no plano da revolução. Mudar por norma não é característica de um revolucionário nem tão pouco de um burro, é um sinal revelador de alguém que confunde ouro com pechisbeque, ou que, neste caso, actua de acordo com as agendas políticas que mais lhe convém como disse e bem ali em cima o nosso autor convidado Rui Naldinho. Nesse ponto quer-me parecer que o Sr. está tão ou mais desorientado que o pobre Passo(s)…

    Qualquer mudança de rumo do Passos para a esquerda, seja ela uma concordância ou uma colagem com as posições ideológicas do PCP será obviamente motivo de chacota. Isto porque nem o Santo Agostinho que foi o maior putanheiro da história da idade média se tornou santo assim de um dia para o outro. Mudou, é certo. Mas não mudou do dia para a noite, sem uma aparição do diabo ou do anjo gabriel.

  5. Anti-pafioso says:

    O que esperam ,nunca trabalhou ,nunca construio , Só sabe DESTRUIR .!

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