Careful what you wish for, PSD


psd

via PSD@Pinterest

Quem não se lembra da heróica cavalgada eleitoral de Marcelo, o homem que vinha para salvar a direita órfã dos abusos da Geringonça e que, qual Cavaco, boicotaria a usurpação parlamentar da esquerda? Pois, esse Marcelo já lá vai. Ou talvez não tenha sequer chegado a aparecer. Ou, melhor ainda, está a fazer o seu número político para que, no dia em que tal se tornar necessário e vantajoso, possa tirar o tapete ao governo e afirmar que está acima de críticas porque colaborou enquanto pôde. Cenas para ver nos próximos episódios. Por enquanto, pelo menos para o segmento recém-radicalizado da direita parlamentar, o presidente que o PSD desejou eleger é cada vez mais um alvo a abater. Um vilão chamado Marcelo Rebelo de Sousa.

E se a coisa estava já tensa para os lados do seu partido,  o “catavento de opiniões erráticas” voltou por estes dias a irritar a direita, ao tecer alguns elogios à acção do executivo Costa, afirmando inclusive que o acordo de esquerda superou todas as expectativas. Para piorar, o presidente saiu em defesa de Mário Centeno, alegando a ausência de provas factuais que garantam que Centeno mentiu ao país, a propósito da pouca-vergonha que se passou na CGD. Tudo somado, o DN fala de uma onda de indignação no seio do PSD. Paulo Rangel, Marco António Costa e até o moderado José Eduardo Martins deram conta disso mesmo. Estão todos muito desapontados porque Marcelo teria uma espécie de obrigação perante o partido de fazer a vida negra ao governo. Que saudades de Cavaco!

Com os percalços na definição de candidatos autárquicas, com especial destaque para o impasse em Lisboa e para a escolha de um candidato low profile para o Porto, a ameaça Rui Rio e as mais recentes sondagens a colocar o PSD abaixo dos 30% – já aqui escrevi sobre as conclusões do estudo da Eurosondagem, bem mais animadores do que os valores apresentados pela Aximage para o grupo Cofina, esse bastião da esquerda radical – o Inverno não parece querer dar tréguas para os lados da São Caetano à Lapa. E o wishful thinking está a sair furado. Nem o Diabo chega, nem o desejo expressado pelo PSD numa vitória de Marcelo parece ter corrido muito bem.

marcelo

Foto: Gerardo Santos/Global Imagens@DN

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Eu que não votei em Marcelo, dá- me um enorme gozo ver os eleitores, não todos, diga-se, do atual Presidente a ranger os dentes.
    Não foi a PAF representada na pessoa de Pedro Passos Coelho e de Assunção Cristas que apoiou de forma voluntária, empenhada e explícita, Marcelo Rebelo de Sousa.
    Foi Marcelo Rebelo de Sousa que se impôs a esses partidos. Foi o atual Presidente que lhes condicionou de tal forma a agenda política que não tiveram alternativa.
    Mas em última instância, foi a Geringonça que os empurrou para esse desfecho, apoiando Marcelo, por verem nela uma candidatura vencedora, e acima de tudo a possibilidade de uma desforra a curto prazo.

Trackbacks

  1. […] sou eu que sou um doido que vê terrorismo nos mercados e na especulação. Quanto aos superavits, e como afirmou Marcelo, qual soco no estômago do seu partido, pode ser que a Geringonça continue a superar as […]

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