Quando é que o Ministério Público entra em campo?


soares

O Fernando e o João  estão indignados com a resposta do Benfica  em relação ao jogo de ontem do Porto contra o Tondela. O Fernando e o João têm razão para estar indignados com o que se passou em alguns jogos do Porto na 1ª volta deste campeonato porque efectivamente ficaram alguns lances capitais por marcar que retiraram pontos ao Porto. No entanto, a partir do que se passou no passado dia 5 de Janeiro, é caso para fazer jus à Raínha Santa Isabel de Coimbra para dizer “São Rosas, senhor, São Rosas” e o gif do lance em epígrafe é um dos exemplos: como é possível transformar um puxão do Soares na camisola do defesa do tondela em penalty e amarelo e uma agressão do Soares ao mesmo jogador num segundo amarelo para o pobre Osorio? –  não são os porém os milagres obtidos com recurso a chantagem que me levam hoje a escrever sobre o assunto, até porque eu cá, sou orgulhosamente associado de um clube que é sistematicamente, época após época, salvo 1 excepção (a da temporada 2001\2002) prejudicado pelas arbitragens, e tomado como parvo quando me querer fazer crer (como se de uma verdade universal se tratasse) que a indignação e o choradinho pertence única e exclusivamente à paranóia da minha cabeça e da cabeça do presidente do meu clube. O João e o Fernando, os adeptos do Porto e os dirigentes do Porto confirmam que não estou sozinho nesta percepção. Porém, o João e o Fernando são adeptos de um clube em que ainda prevalecem os dois critérios: foram e são levados ao colo em determinados momentos, assim como já foram prejudicados noutros. Não desfazendo os erros que prejudicaram em detrimento dos benefícios, porque erros não podem ser justificados com a execução de mais erros, creio que no que diz respeito aos loucos anos 90 do futebol português, estamos conversados e muito mais haveria a dizer, principalmente no que diz respeito ao uso da coacção para intimidar árbitros. No meu clube, não temos Guardas de nome Abel…

Aqui no Sporting, só conhecemos a palavra prejuízo. Esse mesmo prejuízo, somado em 2 pontos contra o Marítimo, noutros 2 contra o Vitória de Guimarães no jogo de Guimarães e nos 3 que foram sonegados na Luz com recurso a muita arte e empenho quer por parte do agente que apitou o jogo quer por parte do Conselho de Arbitragem na tentativa de negação dos factos, permitiriam ao Sporting, mesmo a jogar mal, estar a discutir taco a taco o título com os dois que ocupam a dianteira do campeonato. Mas não é disso que vos venho falar.

O meu clube nestes últimos 4 anos sempre se pautou pela transparência e pela verdade desportiva no futebol português. Ao longo do último mandato presidencial, o Sporting apresentou aos órgãos que tutelam o futebol português e até aos órgãos de soberania, um conjunto de propostas que visam dotar o futebol português de transparência e verdade desportiva. A última, como podemos verificar no último link, visa alterar o Regime de Responsabilidade Penal por comportamentos Antidesportivos na medida em que mais situações de corrupção activa ou coacção como as que tem acontecido recentemente a envolver adeptos do Porto e dirigentes do Benfica sejam sancionadas desportiva e judicialmente.

Por outro lado, na relação que tem mantido a custo com as instâncias desportivas, por mais que tentem ligar o Presidente do Conselho de Arbitragem ao Sporting por via da presença do seu filho numa das equipas juvenis do Sporting (eu não tenho visto qualquer benefício da arbitragem ao Sporting na presente temporada), o Sporting apresentou há vários anos propostas para garantir mais transparência no processo de nomeação dos árbitros. É sabida a posição do Sporting em relação a este dossier: pretendemos a nomeação dos árbitros por sorteio.

Outra medida, tão ou mais importante, parece-me, o afastamento do Conselho de Arbitragem da esfera da Federação, para que este, auto-tutelado ou tutelado directamente pela Secretaria de Estado do Desporto, por exemplo, possa finalmente afastar-se das esferas de influência dos clubes ou das pressões que diariamente estes realizam junto dos seus decisores.

As mais recentes chantagens de parte a parte ou de uma das partes contra terceiros, uns contra os árbitros directamente, os outros com a marcação de reuniões junto do Conselho de Arbitragem para tentar condicionar, sem esquecer porém, pelo meio, as generosas ofertas de cariz dúbio que um dos clubes tem oferecido a todos os árbitros que apitam os jogos das suas equipas em casa, merecem na minha opinião, que o Ministério Público se coloque em campo para identificar as situações passíveis de corrupção activa, corrupção passiva, tráfico de influências e coacção que se estão subtilmente a verificar no futebol português para bem deste. Já é tempo de sanar este tipo de polémicas para finalmente podermos ver um campeonato do princípio ao fim sem casos de arbitragem semana sim, semana sim. Já é hora do Ministério Público actuar em conformidade com a lei, nem que para tal, tenha que varrer na vertical o dirigismo do futebol português desde o presidente do clube da 2ª distrital ao presidente do clube grande e criar todas as condições aos tribunais para que seja administrada a devida justiça nos casos identificados. Sem olhar a quem e sem usar recursos de magia para promover a absolvição do culpado. 

Comments

  1. Benfiquistas defendendo o Status Quo, que querido.

  2. tá bem tá says:

    tripeiro, este postador é lagarto até à raíz dos cabelos.

    quanto ao status quo, desde as ameaças que ficou claro quem o domina: os terroristas do canelas / super dragões.

  3. Esse sporting que fala nao existe

  4. Paulo Marques says:

    O clube da piscina gane muito, lá isso gane…
    O FCP é tão beneficiado que quando descobrem um lance duvidoso de 10 em 10 anos não param de falar nele, já no SCP-FCP esteve caladinho que nem um rato.
    Invés de estarem preocupados com o clube cuja maior preocupação é ter homens na liga, andam nisto.

  5. Pois, estive. Olha aqui: https://www.youtube.com/watch?v=nOhkkZYHiWw – os 10 anos passaram muito rápido. Eu mal os vi passar. Para além do mais, o empate era o mais justo pelo que o Sporting não fez na primeira parte e pelo que fez na 2ª.

    Paulo, o Madeira Rodrigues ainda não representa o Sporting.

  6. Mário Reis says:

    É foda!
    Não já chegava esta discussão bacoca ad nauseam nas tv’s para infantilizar o pagode…

  7. Piorquemao says:

    Mais um testemunho de que infelizmente os viscondes da churrasqueira do campo grande andam há mais de trinta anos a lutar contra moinhos de vento,… muitos exemplos há, assim de repente, lembro-me de um ex presidente conhecido por cotonete, que ficou de mão no ar ao tentar cumprimentar “il geórgio di bufa”, gozado por este no dia a seguir na televisão e pouco tempo depois foi sentar-se ao lado dele durante um jogo entre as duas equipas,… Já não falo nas alianças com a máfia galega, que deixaram sempre os viscondes a perder, prestigio, dinheiro, jogadores e sobretudo campeonatos,… É com alguma mágoa que o digo, enquanto os dirigentes dos viscondes não perceberem de uma vez por todas onde está o real inimigo, não no campo, porque aí só deveria haver adversários, mas do desporto em Portugal, enquanto não perceberem que Lisboa dividida só alimenta a máfia galega, como durante estes mais de trinta anos, todos perdem, mas a começar e sobretudo, perdem eles,…

    • Infelizmente é verdade e sempre que recordo alguns desses episódios, sinto vergonha alheia. Ainda por cima nessas declarações, o Sporting não foi capaz sequer de defender convenientemente o Paulinho dos insultos bárbaros de que ele foi alvo.

      Sou contra as alianças de clube do mesmo campeonato ou da mesma categoria profissional, quaisquer que sejam os objectivos dessas alianças. Como fiz questão de afirmar no post, defendo até o afastamento de algumas instâncias de decisão do seio da Federação para que os seus decisores não sejam agentes metidos pelos clubes através das tais alianças ou não estejam sistematicamente sob pressão dos dirigentes dos clubes.

      • Piorquemao says:

        Até aí concordo,… mas o que impede relações institucionais em Lisboa e o reconhecimento que a divisão criada de propósito há mais de trinta anos só empobreceu todos, a começar pelo próprio desporto?

        • Achas que uma aliança entre os dois clubes de Lisboa iria demover o presidente do Porto de realizar o que realizou durante os anos 90? A questão é bem mais profunda que isso. Mesmo que os clubes de Lisboa criassem uma força de bloqueio nas instituições, aquele clube haveria sempre de contornar essa situação como contornou. Com empréstimos e compra de jogadores a clubes pequenos, com um favorzinho aqui e ali junto do Oliveirinha da Olivedesportos no negócio dos direitos televisivos dos clubes pequenos…

          • Piorquemao says:

            Sim, concordo, um polvo não desarma com um só golpe, mas há que começar por algum lado, tenho ainda para mim que por morte ou outra similar do padrinho, a coisa lá em cima implode,…

          • A justiça. Essencialmente o que falhou naquele caso foi a justiça. Todas as provas o incriminaram mas mesmo assim não foram consideradas como válidas e suficientes.

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