Conselho de Arbitragem da FPF: que critérios?


nelson-semedo

Chocou-me. Profundamente.

Na presente semana, os diários desportivos e a rádio, mais concretamente a Renascença, plantaram duas notícias que na minha humilde opinião voltam a colocar em cheque a actuação da presente equipa que elenca o Conselho de Arbitragem da FPF.

A primeira está relacionada com a análise que o CA\FPF fez da prestação da equipa de arbitragem comandada por João Pinheiro no Funchal no Marítimo vs Sporting, jogo no qual foi sonegado um golo completamente válido a Alan Ruiz nos minutos finais da partida, golo que garantiria a vitória do Sporting na partida caso fosse devidamente validado. A segunda está relacionada com um suposto parecer enviado pela UEFA ao CA relativo ao erros (continuo a defender que foram erros grosseiros que influíram no desfecho final da partida) cometidos por Jorge Sousa e pela sua equipa de arbitragem no jogo da Luz.

Vamos por partes:

sporting-2
Em relação ao erro cometido pelo fiscal-de-linha de João Pinheiro na Madeira, o CA\FPF entendeu reconhecer o dito erro, classificando-o como admissível pela “rapidez” com que se desenrolou o lance. Obviamente que a “rapidez” do lance aparece aqui como um subterfúgio para justificar o erro humano do assistente do árbitro da partida. Uma justificação clássica que não será alterada nem com 100 formações de bandeirinhas na UEFA, apesar deste organismo considerar no seu manifesto de intenções e nas suas práticas formativas que, passo a transcrever:

“A arbitragem ao mais alto nível precisa de desenvolver-se constantemente, para manter-se a par das exigências decorrentes do ritmo elevado do futebol moderno. A velocidade e movimentação do futebol de alto nível da actualidade, aliada à intensa atenção dos media à acção no relvado, significa que os árbitros têm de estar bem preparados, ser atletas em perfeita condição física, que também tenham perspicácia táctica, força mental para aguentarem a pressão e a capacidade de tomar decisões em fracções de segundos com confiança e consistência”

Ou seja, os árbitros que sobem a este nível devem ser agentes devida e comprovadamente preparados (através de uma vasta panóplia de análise e teste dos seus índices físicos, da sua alimentação e do seu quadro psicológico) para tomar decisões com confiança, consistência e perspicácia táctica, em curtas fracções de segundo de lances que se desenrolam a alta velocidade. Em todo o caso, a UEFA também recomenda aos vários conselhos de arbitragem por essa Europa fora que continuem a ministrar formações aos seus árbitros de elite, para além das formações e sessões de esclarecimento que o organismo ministra directamente junto destes.

O mesmo organismo veio porém analisar a pedido do Sporting e do CA a arbitragem de Jorge Sousa no derby da 1ª volta do campeonato. Segundo a imprensa cá do estaminé, a UEFA avaliou os lances capitais que envolveram as mãos\braços de Pizzi e Nélson Semedo na área do Benfica. O que acontece é que não foi bem assim. A imprensa mente e o Conselho de Arbitragem da FPF compactua com uma mentira ao não desmentir uma vírgula. O Comité de Arbitragem da UEFA, instituição comandada por Pier Luigi Collina, faz deslocar a vários jogos das suas federações afiliadas observadores de arbitragem para analisar o desempenho destas nos jogos. Essas observações contribuem para que o dito organismo possa identificar erros-comuns cometidos pela arbitragem europeia para poder actuar com mais rigor nas formações que ministra, para poder aconselhar os conselhos de arbitragem a tomar medidas de correcção e sobretudo para ter um acompanhamento dos árbitros internacionais dos diferentes países que servirá de barómetro às nomeações para as competições internacionais que chancela.

A pedido do Conselho de Arbitragem, a UEFA pode liberar o relatório do seu observador europeu e pode voltar a analisar, com recurso às novas tecnologias a arbitragem para corroborar ou desmentir os relatórios do seu observador e do observador local que se dirigiu para avaliar a prestação do árbitro da partida. O que aconteceu neste segundo caso foi que a UEFA corroborou a avaliação que ambos fizeram da prestação de Jorge Sousa ao invés do que a imprensa portuguesa fez crer, ou seja, que a UEFA deu razão ao árbitro nos lances dos 2 penaltys limpinhos que Sousa não marcou na Luz. Acontece que a Comissão de Arbitragem da UEFA não analisa os lances a pedido e nos lances em causa, explícitos no relatório que foi enviado ao CA, a UEFA não dá razão a Jorge Sousa nem ao observador do CA e simplesmente conclui, laconicamente, que os lances eram de difícil análise.

pizzi

De difícil análise, quando, pela imagem que podemos ver em epígrafe deste post, Jorge Sousa tem o campo aberto para ver de frente a jogada e assinalar a correcta grande penalidade.

O mesmo acontece no lance de Pizzi. Jorge Sousa mais uma vez tem o campo aberto para analisar correctamente o domínio a dois tempos, com recurso aos dois braços, feito pelo jogador do Benfica.

Perante situações que lesaram o mesmo clube, o CA agiu de forma diferente. Perante o erro grosseiro do Funchal, a coisa ficou-se por uma reunião e por um esclarecimento público sempre eficaz se tomarmos em conta que este argumento pega com quem não se dá ao trabalho de investigar as matrizes com que se cose a UEFA. Ainda no mesmo âmbito, ao considerar um erro gravíssimo como admissível, o CA voltou a abrir um enorme precedente que poderá tornar no futuro todos os erros da mesma qualidade como admissíveis. Admissíveis, uma ova. No que concerne ao jogo da Luz, o CA deu-se ao trabalho de ir pedir ajuda à UEFA. A UEFA respondeu e tanto a imprensa como o CA voltaram a mascarar a resposta com o intuito de obviamente manipular e desacreditar a opinião do Sporting e dos seus adeptos e simpatizantes. A isto chamo, obviamente, uma tentativa de segregação de pensamento.

Noutro prisma, ainda não se sabe muito bem quais são os critérios que levam o CA a recorrer à Comissão de Arbitragem da UEFA. Porque é que o CA não recorreu ao auxílio uefeiro relativamente à arbitragem de João Pinheiro no Funchal. Qual é o critério a usar nestes casos? Quem é que os define como passíveis de reavaliação? Não sabemos… Sabemos sim esta subjectividade nas regras, ao torná-las pouco transparentes, dá aos senhores do Conselho de Arbitragem uma fantástica ferramenta para agirem conforme os interesses que mais lhes dão jeito.

Comments

  1. Carlos Ramos says:

    Gostei do seu post. É de facto um insulto termos de aguentar com a chamada nação benfiquista; contudo, essa nação benfiquista, é bem o reflexo da situação em que nos encontramos.

  2. ferpin says:

    Eu rio-me destas tretas exaltadas de gente com palas nos olhos.

    Também não admira.

    São fãs dum presidente que para se ver livre dum treinador que ganhou a taça de portugal com bem menos recursos que o pulha que tem hoje em dia, afirmou que o despedia por justa causa por incompetência, por entre outras pérolas, não vestir o fatinho verde. Na sequência da tal incompetência, deixou de lhe pagar o salário, usando todos os media para o ofender e desmoralizar na praça pública.
    Quando, algum tempo mais tarde, percebeu do interesse do Olympiakos, e do perigo do Marco Silva alegar justa causa de saída por não pagamento de salários, indo para a Grécia e deixando cá um processo a correr que levaria certamente a receber todo o dinheiro do contrato com o sporting, pagou-lhe apressadamente o salário atrasado para impedir o Marco Silva de sair. Aí, o Marco Silva percebeu que ia ficar preso ao sporting e aos enxovalhos do BC e do jesus e teve que ceder à chantagem e acordar a saída.
    Não sou adepto de nenhum dos 3 grandes, e, na fase em que o sporting jogou com mais de meia dúzia de portugueses enquanto o benfica e o porto eram filiais sul-americanas, desejei o sucesso do sporting para bem do futebol português.

    Neste momento, a bem da moral e dos bons costumes e da pedagogia para os jovens que a pulhice não compensa, desejo que o sporting, com todos os recursos dados ao jesus, se escafeda e fique o pior possível (no fundo manter o rumo em que navega). Que imploda o BC e o jesus.
    A pulhice não pode ser premiada. Não é bom para a moral da nação.
    E, lamento que muitos sportinguistas que conheço, depois do horror inicial no processo da aquisição do jesus, apoiem tais alimárias.

    Quanto aos ditos erros arbitrais, são jogadas que nada tem de erro grosseiro, uns acham que foi mais braço outro que foi mais ombro, como por exemplo há quem ache que o patricio defendeu uma bola dentro da baliza no bessa e outros acham que não.

    • Alexandra Martins says:

      Sabe, para quem se dá ao trabalho de escrever um post deste tamanho sobre um tema que não lhe interessa, no mínimo deveria dar-se ao trabalho de não atropelar o Português. “Implodam” não existe. É “impludam”. É o presente do conjuntivo e até lhe faculto o link (https://www.priberam.pt/dlpo/Conjugar/implodir). Contudo não possuo link que lhe cure essa tendência de só ver para o lado que lhe dá mais jeito ou esse ódio de estimação ao presidente e treinador do Sporting, mas talvez isto ajude: http://www.farmaciaemcasa.pt/index.php/medicamentos/kompensan-340-mg-x-20-comp-mast-detail . E já agora, se não gosta porque é que perde tempo a ler e, pior, a comentar? Não gosta dos três grandes? Veja os resumos do Alcochetense, quiçá talvez do Fanhões ou mesmo do Vilafranquense. Ou então dedique-se a criar o clube de fãs do Marco Silva, enquanto está entretido aí não chateia ninguém com as pálas nos seus olhos.

    • Ferpin.

      Apesar de não lhe ter respondido aos comentários que lavrou noutro post, apesar de ter concordado com grande parte dos seus pontos de vista, por não considerar que não deveria responder, denotei desde imediato a sua vontade de falar sobre a história do Marco Silva em Alvalade. O assunto não vem ao caso porque a temática deste post em lado algum menciona o nome desses sujeitos.

      Neste blog já me pronunciei algures, não tenho bem a certeza onde mas creio que foi nos posts que escrevi sobre o Sporting neste mesmo espaço durante o mês de Janeiro, sobre as verdadeiras razões que levaram Bruno de Carvalho a rescindir com o Marco Silva. Não é demais referir, em jeito de reposição, que essas razões, não se deveram somente aos motivos sensacionalistas a que imprensa na altura fez questão de referir mas a outros motivos que incluíram a vontade do Marco Silva em transformar o plantel do Sporting de então numa coutada pessoal do seu empresário Carlos Gonçalves e de não ter cumprido outros deveres devidamente contratualizados pela sua entidade patronal como por exemplo, a sua ausência de reuniões com o staff da SAD. Tais situações levaram a que se verificasse uma situação passível de abertura de processo disciplinar ao empregado em causa, e ao despedimento por justa causa (que não veio a acontecer) pela observância dos motivos que são descritos pela lei. O que aconteceu foram vários desses motivos legais: a desobediência ilegítima às ordens dadas por responsáveis hierarquicamente superiores e o desinteresse repetido pelo cumprimento de obrigações inerentes ao exercício do seu posto de trabalho.

      Curiosamente, sabia que o Marco Silva decidiu rescindir com o Olympiakos por motivos pessoais e por alegadamente não estar a 100% com os objectivos europeus assumidos pela direcção daquela Instituição?

      A pulhice não compensa e é ensinada aos jovens como uma “forma de vida” se assim posso chamar, que não compensa? Olhe o exemplo que vem dos políticos deste país e os milhares de jovens que anualmente se alistam nas juventudes partidárias com o desejo de também eles viverem essa forma de vida? A pulhice compensa e muito neste país. É a pulhice que enche os bolsos de muita gente à custa da honestidade de outros.

      Quanto aos lances em causa e ao conteúdo prático deste post, já sabe a minha humilde opinião. Respeito a sua.

  3. Rui Naldinho says:

    Santana-Maia Leonardo

    A defesa verdade desportiva, colocando a tónica no recurso às novas tecnologias, é tipicamente portuguesa, porque focaliza a questão na cor das telhas quando a casa não tem sequer alicerces. Aliás, basta ver os programas diários de análise dos lances mais polémicos de cada jogo com recurso às novas tecnologias (os lances são repetidos à exaustão e de todos os ângulos) para se concluir que, mesmo com o vídeo-árbitro, a decisão dependerá sempre da cor clubística do decisor.

    Era precisamente por aqui que devia começar a reflexão sobre a verdade desportiva no futebol português, porque, com tecnologia ou sem tecnologia, é impossível haver verdade desportiva se o decisor não for imparcial. Ora, aquilo que me parece evidente, tendo em conta o último estudo da UEFA que atribui ao Benfica 47% dos adeptos portugueses e ao Sporting e Porto os restantes (apenas um pequena percentagem residual não é de nenhum destes três), é que o campeonato português não reúne condições mínimas para garantir a existência de decisores imparciais.
    Façamos, no entanto, a perícia à nossa I Liga, para aferir da qualidade dos alicerces:
    1. Qual o adepto mais fiel e mais faccioso: o adepto de um clube ou da selecção?
    2. Se um árbitro português não pode arbitrar um jogo da selecção portuguesa, por que razão um adepto do Benfica pode arbitrar ou ser observador de um jogo do Benfica?
    3. Se, em Portugal, praticamente toda a gente é do Benfica, Sporting e Porto, como é possível encontrar um decisor para os jogos que envolvam estes três clubes que não seja parte interessada na decisão?
    4. Como pode haver verdade desportiva se Benfica, Sporting e Porto jogam a grande maioria dos jogos com clubes que não têm adeptos, cujas bancadas de sócios estão pejadas de adeptos das equipas adversárias, cujos presidentes confessam publicamente serem adeptos da equipa adversária e estão, inclusive, na disposição de transferir o jogo para um estádio maior para favorecer ainda mais a equipa adversária e em que os próprios jogadores profissionais confessam abertamente e sem qualquer pudor, no facebook e nas entrevistas antes dos jogos, a sua paixão pela equipa adversária?
    5. Como pode haver verdade desportiva quando a maioria dos clubes portugueses vive na indigência ou num tal estado de necessidade que precisam de vender a sua dignidade e jogadores nos últimos jogos do campeonato para sobreviverem mais alguns meses?
    6. Como pode haver verdade desportiva se apenas têm relevância para a comunicação social os jogos e os casos onde são intervenientes Benfica, Sporting e Porto e, mesmo nestes jogos, apenas os funcionários destes clubes têm direito a propagandear a versão do seu clube, o que fazem, aliás, denotando um fanatismo e uma parcialidade que são só por si esclarecedores?
    7. Como pode haver verdade desportiva quando se permite a um clube comprar os direitos televisivos de outro clube que disputa a mesma prova, quando essa compra pode camuflar a compra do próprio resultado desportivo? Em que outro país do mundo civilizado é que isto sucede?
    8. Como haver verdade desportiva quando se permite que um clube transmita em exclusivo os seus próprios jogos? Se o Sporting também tivesse a transmissão exclusiva dos seus próprios jogos seria possível ver as imagens da agressão de Slimani? Em que outro país do mundo civilizado é que isto sucede?
    9. Se o FC Porto, em vez de ter disponibilizado umas prostitutas a um árbitro e a pedido deste, oferecesse, em todos os jogos, a todos os árbitros, fiscais de linha e observadores, uma camisola do Madjer e 4 vouchers para uma noitada no “Calor da Noite”, já seria tudo perfeitamente legal, uma vez que cabe dentro dos valores estipulados pela UEFA?
    10. Como pode haver verdade desportiva, em Portugal, quando a esmagadora maioria dos portugueses se apaixonou pelo seu clube do coração pelos mesmos motivos que as jovens modelos se apaixonam por velhos babosos, ricos e poderosos?
    Toda a gente sabe como se ganham os títulos e se fazem as fortunas em Portugal. Como canta Leonard Cohen: “Everybody Knows”. Até o Boavista conseguiu ganhar o campeonato quando teve o seu presidente no lugar certo. Em todo o caso, a verdade desportiva é absolutamente irrelevante para quem tem a vocação de prostituta. E no futebol português, infelizmente, há demasiada gente que se comporta como tal: dirigentes, jogadores, treinadores, árbitros, jornalistas, comentadores e, sobretudo, os adeptos.

    • Fernando says:

      Não é de admirar ,com os milhões envolvidos .

    • Piorquemao says:

      Como pode haver verdade desportiva se foi permitido a uma cidade primeiro e depois a toda a região circundante a criação da maior organização mafiosa, primeiro lesa desporto e depois toda uma micro sociedade, existente desde o berço da nação? Uma geografia que se habituou ao longo de mais de trinta anos a obedecer pelo medo imposto ou pela gula oferecida, tomando paulatinamente conta de associações de árbitros até chegar pessoalmente aos mesmos alargando ao longo dos anos o modus operandi a toda a sociedade envolvente, chegando ao simples policia de giro e acabando no juíz que avisava quando era preciso fugir para espanha,…

      Como é que pode haver verdade desportiva se, mesmo no controle de tudo nos bastidores, o mesmo presidente, il geórgio di bufa, aka, corleone português, aka, bufas da costa, era simultaneamente presidente dos árbitros, seu patrão, portanto, e os controlava desde logo sentado no banco durante os jogos,…???

      Como é que pode haver verdade desportiva se processos como apito dourado são arquivados por erros processuais, como se os crimes perpetrados nunca tivessem existido,…???
      Como pode ainda hoje haver verdade desportiva se todos os pintos criminosos além Mondego lá continuam assim como todos os rabos presos pelo tal medo imposto ou pela gula,…???

      Como pode haver verdade desportiva quando o mesmo criminoso presidente se desloca à socapa a Lisboa para uma reunião também ela à socapa, na mesma semana em que a sua guarda pretoriana dos super macacos vai ao centro de estágio dos, do apito, ameaçar quem quis e como quis sem que tenha havido até agora qualquer processo criminal e como resultado de tudo isso o futebol corrupto do porto não mais voltou a perder ou empatar com as aterradoras arbitragens entretanto expostas.

      Como pode haver verdade desportiva se o presidente da FPF era o nº2 do futebol corrupto do porto e tem no curriculum como assalariado da máfia galega, registado nas escutas, a arte de pedir facturas de restauração e combustíveis para justificar a despesa com as meretrizes que dormiam com os árbitros amansados,…???

      Como pode haver verdade desportiva se o presidente da liga tem no curriculum as imagens como prova de uma carreira brilhante ao serviço do futebol corrupto do porto com arbitragens que fariam corar calheiros e outros da mesma estripe,…???

      Por último, como é que os verdinhos ainda não entenderam ao fim de mais de trinta anos que Lisboa dividida só alimenta a máfia galega,…???
      Tudo o que falou antes é até válido, mas primeiro tem de se matar a bicharada galega,…que ainda conspurca tudo,… até lá, por muito que fiquem a espernear, nada haverá a fazer,…

  4. Rui Naldinho, esta crítica é fenomenal. A crítica é toda do Santana-Maia Leonardo ou tem apontamentos seus a partir do primeiro parágrafo? Pergunto isto porque pretendo elevar este comentário a post na qualidade de autor convidado.

    Esta crítica retrata uma grande parte da realidade actual (e passada, digamos dos últimos 15 anos do futebol português) com a qual concordo a 100% e acrescento; desde há muitas décadas que o futebol português é uma extensa cadeia de domínio dos grandes e de segregação dos pequenos, para que os grandes sejam mais poderosos e os pequenos mais inofensivos, apesar de alguns dos clubes de dimensão média (Braga, Guimarães, Belenenses, Boavista, Paços de Ferreira) terem conseguido pontualmente (nunca de forma continuada) intrometer-se na luta entre os grandes. Esse domínio faz-se de várias formas:
    – com o alargamento da rede de associados e simpatizantes.
    – com a construção de grandes estádios que permitem acumular valores consideráveis de receitas.
    – com a criação e produção de canais próprios de televisão e com a negociação de milionários contratos de cedência de direitos televisivos num mercado que não tem visibilidade suficiente e capacidade financeira suficiente para os suportar.
    – com a negação da possibilidade desses contratos serem assinados com base na distribuição equitativa das verbas.
    – com a colocação de diversos agentes ao serviço dos interesses dos clubes nos órgãos de tutela e decisão do futebol português.
    – com a colocação de comentadores de serviço em todos os canais de informação deste país, públicos e privados, em sinal aberto ou por subscrição.
    – com o empréstimo de jogadores aos clubes mais pequenos.
    – com a compra, como já aconteceu, de direitos televisivos de clubes mais pequenos por parte do seu canal.
    – com a colocação de treinadores (por norma antigos jogadores do clube) nos clubes mais pequenos.
    – com a facilitação de negociatas privadas das empresas dos presidentes desses clubes.

    Ainda não há muito tempo vi António Oliveira, uma pessoa que andou e continua a andar muito activamente pelo futebol, irmão de alguém que era até há bem pouco tempo um dos grandes decisores do futebol português pela força da nota que tinha a oferecer a todos os clubes em troca da transmissão dos seus jogos, afirmar algo que me elucidou imenso sobre esta realidade. O clube pequeno tem obrigatoriamente que prestar vassalagem ao clube grande. Se não o fizer, não terá a sua influência junto dos decisores, não terá o seu contrato de cedência de direitos televisivos assinado por um valor aceitável, não terá direito a jogadores emprestados, não terá direito a que o clube grande esporadicamente lhe vá comprar um ou outro jogador e se continuar a fazer frente o mais provável é que seja rapidamente estrangulado e enviado para as decisões inferiores, com um monte de dívidas para pagar, de forma a que nunca mais se recupere e nunca mais volte ao primeiro escalão. O que o Oliveira disse, mais ou menos isto, mais vírgula menos vírgula, pode ser visto aqui neste vídeo em baixo a partir do minuto 24.

    • Rui Naldinho says:

      Por lapso ao tentar responder-lhe já esta manhã, inseri o meu post fora do quadro da resposta. Pelo que preferia primeiro que lê-se o post seguinte e depois este.
      Estive para pegar nesse texto do Santana Maia Leonardo e trabalhá-lo com as informações disponíveis na NET sobre a premier league inglesa.
      Aquela que eu considero ser a melhor liga do mundo. Não pela qualidade dos seus intervenientes, há clubes melhores noutras competições, mas pela maior aproximação da verdade desportiva que todos desejamos, que eles ainda não alcançaram, mas estão muito à nossa frente.
      Uma vez que o Reino Unido tem quatro federações, interessei-me pela Inglesa, por ser a mais pujante.
      Ao consultar este link:
      https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Lista_de_campeões_do_futebol_inglês
      Numa primeira abordagem sem grande critério descobri mais de 24 campeões na primeira liga inglesa, durante a sua já longa História, ainda que tal como a nossa, ela fosse mudando de nome em vários períodos distintos.
      Só por aqui já poderíamos começar a esmiuçar as razões porque nesta competição, a mais antiga a nível mundial, o equilíbrio entre os contendores é de longe maior, as cidades industriais tem mais força no futebol, os estádios estão cheios, etc, etc…
      Alguém se lembra do Nottingham Forest, o clube inglês que foi uma única vez campeão de Inglaterra, e venceu se não me falha a memória, duas Taças dos Campeões Europeus, seguidas?
      Pois é, eles andam pelas divisões secundárias há anos. Em Portugal já tinham feito um alargamento até o conseguirem repescar.
      Alguém se lembra do campeão inglês com mais títulos, o Manchester United, já ter estado na segunda divisão, na época de 1974/1975 ?
      Em Portugal isso seria possível?

  5. Rui Naldinho says:

    Olá, bom dia.
    Aí nesse post não há nada escrito por mim. Quando muito, eu omiti o nome do Rui Santos, que para este caso pouco interessava.
    O artigo é todo do Santana Maia Leonardo, colocado na página electrónica da “Rede Regional”, que tive oportunidade de ler há tempos e achei muito bom.
    De uma forma bastante intuitiva, ele acaba por explicar algumas das razões pela qual certas coisas menos boas acontecem no nosso futebol.
    Era para pegar nisso ontem, depois de ler o seu artigo. E dar-lhe um toque pessoal. Mas como não sou alguém que domine muito bem estes assuntos, apesar do artigo nada ter a ver com o futebol nos aspectos técnicos, isso iria obrigar-me a estar pelo menos mais uma hora à volta de um texto, onde incluiria algumas partes daquilo que ele escreveu, e de mais umas consultas na net.
    Dado o adiantado da hora, já não estava com paciência para essa tarefa!
    Cumprimentos
    Rui Nsldinho
    Está aí o link em baixo.
    http://www.rederegional.com/index.php/opiniao/97-santana-maia-leonardo/15801-rui-santos-e-a-verdade-desportiva

    • Entendi a sequência, Rui. Não se preocupe em relação a esse aspecto. O nosso dashboard dá-nos a cronologia dos comentários.

      Vou contactar o Santana-Maia Leonardo para aferir a possibilidade de vir a publicar este texto no papel de autor convidado deste blog.

      Agora, respondendo ao que escreveu no segundo comentário:

      Como referiu e bem, a Liga Inglesa é o expoente de competitividade na história do futebol europeu. Ainda há uns dias estive a debater isso no café com a minha namorada. O futebol português deve ser o caso no futebol europeu com o maior número não só de campeões como de vencedores das provas oficiais. Até hoje só 5 clubes venceram o campeonato e apenas 11, em 77 anos, venceram a Taça de Portugal. Em Inglaterra já foram mais de 40 os clubes que venceram as competições oficiais promovidas pela FA e pela Premier League. No futebol espanhol, apesar do grande domínio pertencer a 4 ou 5 clubes, 8 clubes já venceram o campeonato (excluindo o Atlético Aviación, o clube que deu origem ao Atlético de Madrid) e 16 já venceram a Copa del Rey. Em Itália, idem. Na Alemanha, apesar de termos um dominador geral, o Bayern, já existiram mais vencedores que em Portugal nas duas competições oficiais.
      E isto deve-se a quê? Deve-se ao poderio financeiro das cidades mais pequenas e à sua aposta no que é local. Deve-se à excelente formação por parte de clubes pequenos (o Athletic Bilbao, o Torino e o West Ham são clubes de formação, aqueles que pela sua natureza naturalmente tem mais dificuldades em conquistar devido ao facto de terem que colocar jovens inexperientes nos seus planteis a competir contra jogadores feitos com larga experiência), deve-se ao facto dos clubes pequenos terem uma alargada massa associativa (aqui não existe em massa aquilo a que os ingleses denominam como “support your local club”) que lhe permite encaixes financeiros interessantes, o que por sua vez, lhes permite segurar por mais tempo as pérolas da sua formação, evitar a sua venda aos grandes e adquirir melhores jogadores a outros clubes, e obviamente, o facto que considero actualmente mais importante que é a redistribuição mais ou menos equitativa das receitas dos direitos televisivos pelos clubes. Em Espanha, por exemplo isso ainda não acontece. Mas em Itália e em Inglaterra, as instituições que tutelam o futebol fizeram com que os clubes abandonassem a execução individual de contratos de cedência de direitos televisivos e passassem a distribuir essas receitas de acordo com um método que divide as receitas em três partes e distribui da seguinte maneira:
      1ª – a divisão de 1\3 das receitas de forma equitativa pelos 20 clubes
      2ª – a divisão do 2\3 por posição na tabela no campeonato anterior.
      3ª – por audiências aos seus jogos no ano anterior.

      O bolo já é de si grande. Qualquer equipa em Inglaterra que seja promovida ao primeiro escalão recebe mais do bolo dos direitos televisivos do que actualmente recebem os grandes portugueses nos contratos que estão actualmente em vigor e que foram recentemente renegociados em alta. Isso gera obviamente um maior equilíbrio entre clubes pois permite que os clubes mais pequenos consigam ter posses para contratar jogadores de maior nomeada e qualidade e posses para melhorar as suas condições de treino de forma a por exemplo poder formar melhor.

      A pergunta que sempre se colocou é esta: porque é que não interessa a ninguém que em Portugal se centralizem os direitos televisivos e se distribuam equitativamente as verbas provenientes das receitas dos direitos televisivos? O texto que citou explica tudo.

  6. Carlos says:

    Convém acrescentar que:
    1. Uma clara maioria dos ex-árbitros comentadores considerou não ter existido qualquer penalti.
    2. A UEFA também considerou que Jorge Sousa ajuizou bem os dois lances.
    Porque choram sempre e tanto os sportinguistas?

  7. Piorquemao says:

    “Portantos”,… a ver,… é disto que se fala,…??? Agora parvos,…

Trackbacks

  1. […] 2 pontos contra o Marítimo, noutros 2 contra o Vitória de Guimarães no jogo de Guimarães e nos 3 que foram sonegados na Luz com recurso a muita arte e empenho quer por parte do agente que apitou o jogo quer por parte do Conselho […]

  2. […] a meu ver, injustamente por marcar em Setúbal. Continuo a acreditar, em questões de arbitragens que não existem erros admissíveis assim como continuo a acreditar piamente que em relação ao meu clube, indiferentemente da […]

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s