Volta, Passos, estás perdoado

O PSD de Rui Rio é uma casa a arder. É uma oposição absolutamente incapaz de acrescentar, de se afirmar e de ombrear com o PS, colocando-se, não raras vezes, no papel de muleta de António Costa, em situações tão degradantes como a partilha das CCDR-N ou o fim dos debates quinzenais no Parlamento. Quando não está a fazer fretes ao governo, ou oposição a roçar a mediocridade, degladia-se com o Chega, que normalizou com o tiro de bazuca nos pés que deu nos Açores, e que custará caro, muito caro ao seu partido. E entre Suzanas Garcias e Isaltinos, iliberalismos e bafio a Estado Novo, o futuro próximo deste PSD parece passar mais por uma luta com o Chega, pelo controle do lado direito do espectro, do que por um embate com António Costa pelo controle do país.

Sou de esquerda, nunca votaria neste PSD (ou no anterior), mas nem por isso retiro qualquer prazer ou satisfação da situação em que o PSD está mergulhado. Acima de tudo porque Portugal precisa de uma alternativa à direita, mais ainda agora que os neofascistas parecem imparáveis no acambarcamento do eleitorado conservador, do qual o PSD ainda é o principal guardião. Mas Rio não está à altura da tarefa. Nem lá para perto. Lidera, de longe, a pior direcção de sempre do PSD. Tão má, tão fraca, tão recheada de nulidades e incompetentes, que me vejo na inesperada situação de afirmar o bizarro: volta, Passos! Estás perdoado.

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    “Portugal precisa de uma alternativa à direita, mais ainda agora que os neofascistas parecem imparáveis no acambarcamento do eleitorado conservador…”

    Portugal precisa de varrer estes partidos-esgoto. Todos eles. O Chega pode ser o primeiro, o resto tem de ir também.

    O que for mau para estes partidos é bom para o país. O que for mau para esta escumalha a que chamam políticos é óptimo para a população. Nada disto vale meio peido.

    O ‘eleitorado conservador’, tal como o eleitorado esquerdista, tem é de deixar de ser carneiro e pensar pela sua cabeça. Tem de exigir tomar parte nas decisões, em vez de as delegar todas em chulos e pulhas inimputáveis. Tem de exigir uma democracia.

    Não quero o Passos a decidir por mim. Dispenso. Nem o Bosta, a Catarina, o Jerónimo, o Ventura, nem ninguém. Bem sei que isto é chinês para a carneirada votante e para opinadores como o João Mendes: a lavagem cerebral da partidocracia é longa e difícil de reverter. Só tenho água mole em pedra dura.

    • estevesayres says:

      Uma coisa mais, se me é permitido … Como sou um estudioso do marxismo, não basta pensar só pela nossa cabeça, claro que ajuda muito… Mas tem que ser ler muito, coisa que a grande maioria da esquerda não o faz, talvez por falta de tempo e dinheiro! Todo o resto, assino por baixo, Filipe Bastos…

      • Filipe Bastos says:

        Com certeza: quanto mais lemos e sabemos, melhor pensamos. A questão é 1) filtrar e pensar criticamente sobre o que lemos, em vez de o aceitar cegamente; 2) manter uma mente aberta, mesmo para aquilo de que discordamos.

        Quem leia comentários online, incluindo os meus, fica com a impressão oposta: todos já sabem tudo. Raras pessoas vêm discutir; quase todas vêm pontificar.

        • estevesayres says:

          Por aqui, passam muitos canalhas, fascista, neofascista e muitos democratas e patriotas, que é o seu caso. Força!

        • POIS! says:

          Pois realmente!

          V. Exa. a discutir é um às! Até hoje ainda não lhe vi mudar uma única opinião! Ás vezes “modera-se” um tanto para ver se convence algum tanso. Fora isso…

          Presunção e água benta cada um toma a que quer. pelos vistos V. Exa. toma banho numa delas. Bem, sempre é melhor que o leite de burra da outra.

          Mas vá lá: valeu-lhe um elogio de um prócere do “Grande Dirigente e Educador da Classe Operária e do Povo Português”, vulgo, Arnaldinho.

  2. POIS! says:

    Tás quê?

  3. Tal & Qual says:

    Quando chegarem os 14 mil milhões da bazuca a fundo perdido e o PSD não puder meter a mão no pote, ainda será pior !

  4. Rui Naldinho says:

    João, que eu saiba, talvez a memória me falhe, mas o PSD na Oposição sempre fez destas figurinhas. Uma máquina de trucidar líderes. Uma máquina de criar casos. Uma máquina de fazer demagogia, até com medidas políticas propostas por si no passado.
    Passos Coelho não fez estas figuras tristes, fez outras, apenas porque estava no Poder. Tal como Cavaco Silva. Nem Durão Barroso fugiu deste quadro de piruetas. Vichyssoise, traições, punhais e intrigas palacianas fazem parte do ADN do PSD.
    Rio sabe que o PSD está em rampa descendente. Estivesse lá outro qualquer e o cenário seria o mesmo.
    Ou não foi no tempo de Passos Coelho, que o PSD teve a maior derrota autárquica de todos os tempos?
    O velho PSD desapareceu. O novo PSD está no actual partido, repartido pela IL e pelo Chega.

    • estevesayres says:

      Se me permite, e mais, o BE…Mais social-democrático do que PPD/PSD, foi um estudo que eu fiz – vale o que vale….