Já não há maus da fita como antigamente

As figuras lendárias e românticas dos grandes vilões perderam-se no tempo. Ficaram os registos históricos e os mitos cinematográficos feitos à medida da grandeza de James Cagney, George Raft, Humphrey Bogart, Edward G. Robinson e outros, nas suas interpretações de maus da fita.

Nos dias de hoje, não há estrela da sétima arte que consiga dar corpo e voz aos grandes maus da fita da actualidade. Porque estes não têm propriamente um rosto: são corporações cujos bairros e cartéis que dominam são nações inteiras, onde estabelecem as regras de jogo por ratios, taxas, indexes, cotações e notações, e traficam aquilo que tornou o mundo inteiro dependente: financiamento.

O domínio das mortes sangrentas a tiros de metralhadora num beco, ou em ambientes de fumo e devaneio do jogo ou da prostituição, acabou. Agora assassina-se identidades nacionais com séculos de história, esmaga-se a dignidade de um povo, instiga-se à escravidão e à fome.

Com todo o brilhantismo que se lhes reconhece, como poderão Robert De Niro ou Al Pacino marcar na tela a sua representação dos grandes maus da fita de hoje?

Não podem. Porque já não há maus da fita como antigamente.

Há filmes que nos marcam (1)

Há filmes que nos marcam, com cenas que nunca se esquecem.

“Scent of a woman” é uma autêntica galeria de cenas inesquecíveis.

A conversa entre Al Pacino e Gabrielle Anwar e o tango que se segue: mais que uma lição de dança, uma lição de vida.

O regresso de Serpico

Lembram-se de “Serpico”? O polícia barbudo, amante da contra-cultura, que começa idealista, a acreditar que é possível ser polícia em Nova Iorque e não recorrer a métodos brutais, e acaba a enfrentar os colegas corruptos, que o querem ver morto?

Al Pacino foi um Serpico vibrante no cinema, mas o verdadeiro Serpico é real e ainda vive. Foi alvejado na cara e deixado para morrer pelos colegas que sabiam que ele não desistiria de denunciar a corrupção que minava o corpo de polícia da cidade. E acabou a depor contra esses mesmos homens, tendo ganho, como recompensa, o que sempre quis: ser promovido a detective. Recusou a oferta, entregou o distintivo e partiu para a Europa.

Assim termina o filme, dizendo-nos que Serpico vive algures na Suíça, naquilo que poderá ser uma reclusão meditativa ou uma tentativa de reconciliação com uma experiência pessoal arrasadora. Quando o filme acaba, ficamos sem saber se Serpico foi recompensado pela bravura ou se carrega um castigo que não mais acabará.

Agora surge a história do que foi feito do verdadeiro Frank Serpico. [Read more…]