Corporativices

thatcher blair

Pedro Tadeu entreteve-se com mais um deslize de linguagem de António Costa: capital humano, usou o líder do PS, presidente de um município onde não se trabalha, há colaboradores. A apropriação da linguagem neoliberal pelos partidos da Internacional Socialista é um facto há muito adquirido, e nada tem de coincidência, corresponde ao desabrochar, ascenção e agora queda do chamado social-liberalismo, que de Blair em diante os levará, a todos, ao ilustre destino do PASOK.

Recordo que Sócrates, entre nós, esteve na vanguarda da coisa, traduzindo o clássico NIMBY quando decidiu vingar-se da cidade de Coimbra, coisa injusta, sempre cá tirou um curso a sério.

Vai daí, um certo blogue, encanitou-se, que até Estaline teria usada a mesma expressão (como se Estaline e toda a Escola Austríaca não repousassem muito bem no mesmo panteão). [Read more…]

Frases que impõem respeito

 O anonimato é o estado em que se pretende ocultar a identidade. A pseudonímia é o estado em que se acrescenta uma identidade à identidade. Assim, “Miguel Torga” não pretende ocultar a identidade Adolfo Correia da Rocha, está antes a acrescentar-lhe uma nova dimensão. Isso quer dizer que o “Miguel Abrantes”, um pseudónimo, não está a impedir o acesso à identidade que o criou – está é a dominar o modo como se dá esse acesso. E é por isso que ela, a identidade primeira, é conhecida de vários cidadãos. O facto de o Fernando Moreira de Sá considerar que um autor é anónimo apesar de assinar os seus textos e ser o responsável pelo seu canal de comunicação revela algo é a respeito de si próprio. Por exemplo, que não tem pinta, ou cabeça, para sequer descobrir como ter o prazer e a honra de apertar a mão do Miguel.

Valupi, pseudónimo, em directo de Rilhafoles.

Já não há maus da fita como antigamente

As figuras lendárias e românticas dos grandes vilões perderam-se no tempo. Ficaram os registos históricos e os mitos cinematográficos feitos à medida da grandeza de James Cagney, George Raft, Humphrey Bogart, Edward G. Robinson e outros, nas suas interpretações de maus da fita.

Nos dias de hoje, não há estrela da sétima arte que consiga dar corpo e voz aos grandes maus da fita da actualidade. Porque estes não têm propriamente um rosto: são corporações cujos bairros e cartéis que dominam são nações inteiras, onde estabelecem as regras de jogo por ratios, taxas, indexes, cotações e notações, e traficam aquilo que tornou o mundo inteiro dependente: financiamento.

O domínio das mortes sangrentas a tiros de metralhadora num beco, ou em ambientes de fumo e devaneio do jogo ou da prostituição, acabou. Agora assassina-se identidades nacionais com séculos de história, esmaga-se a dignidade de um povo, instiga-se à escravidão e à fome.

Com todo o brilhantismo que se lhes reconhece, como poderão Robert De Niro ou Al Pacino marcar na tela a sua representação dos grandes maus da fita de hoje?

Não podem. Porque já não há maus da fita como antigamente.

A lata dos marretas…

O Corporações, lar oficial dos assessores do governo, é assim uma espécie de blogue cómico.

Imaginem o humor destes velhinhos a querer comparar currículos. Cuidado, meus caros, olhem bem para o extraordinário currículo do vosso chefe. Uma espécie de licenciatura tirada por correspondência, sabem? Fax? Inglês técnico?

Uuuiiiiiiiii…

Album de recordações


Uma foto cheia de futuros ex, dedicada à matilha de serviço

E hoje não se fala noutra coisa na bloga…

…a não ser no já famoso baralho de cartas (Abrantes Playing Cards) do ANL!

O duque de espadas e o de paus já são conhecidos.


A Maria

A Maria

A Maria nunca mais apareceu.

Os olhos, vindos do outro lado do mundo, fundos de ausência, casavam o branco e o negro para dizerem o que a boca não conseguia. O nariz afilava de um só traço o rosto magro, e os cabelos errantes fugiam da testa, cada pedaço para seu lado. A pele transluzia uma imagem por detrás dos vidros, imagem baça do avesso da vida.

Uma dor subtil desenhava os lábios maduros, finamente trémulos, como se estivessem prestes a chorar. Nunca alguma lágrima por eles correu ou voou algum beijo. Apenas o cigarro acendia e consumia a sua virgindade. [Read more…]

O cheque dentista – uma brecha nos interesses instalados

Costuma dizer-se que o PS e o PSD conseguiram, em 30 anos, o que Salazar não conseguiu em 50 anos. Um Estado corporativo.

 

Bem se sabe que Salazar tambem andou atrás das coorporações e deve ter perdido algum tempo, mas o poder das corporações de interesses é que há muito que abocanharam o interesse nacional.

 

O diagnóstico há muito que está feito, sabe-se quais as medidas, mas não são tomadas porque não correspondem aos interesses de quem controla o poder.

 

Neste caso, da saúde oral, nunca foi possível incluir a especialidade no Serviço Nacional de Saúde, só muito residualmente é que este serviço é prestado. Não por acaso, há um universo imenso de consultórios dentistas, onde deixamos não só os dentes (como o nosso Fernando aventador) mas tambem um bom punhado de euros, que a maioria da população não pode pagar.

 

Esta situação deu lugar  ao aumento da oferta com a entrada de dentistas (uns médicos, outros nem por isso) no mercado, racionalizando preços e permitindo a muita gente  os cuidados orais, tão necessários. A esta mudança da oferta/procura, os barões dentistas responderam com boatos (descrendo da competência de muitos dentistas que chegaram ao país).

 

Pois bem, rompendo com este estado de coisas, o Governo avançou com o cheque-dentista e, num ano, foi possível alcançar os seguintes resultados.

 

– 5.028 locais de prestação aderentes

 

– 43 milhões de euros afectos ao Programa

 

– 3.313 médicos dentistas aderentes

 

– 305.282 utentes do SNS beneficiados

 

– 326.139 chequess emitidos até 31 de Outubro passado.

 

"Tudo isto em pouco mais de um ano, combinando-se a liberdade de adesão do médico dentista, a liberdade de escolha dos utentes, as normas éticas, deontológicas e científicas que o regulam e a confiança estabelecida com a população abrangida", diz o candidato a bastonário, Orlando Monteiro da Silva.

 

Como já tive ocasião de aqui postar, o cheque dentista é de um valor muito inferior aos habituais 100 euros por consulta, rondando os 40 euros, abriu possibilidades a jovens dentistas em todo o território nacional, e não só nos grandes centros, possibiltou o acesso a milhares de portugueses aos cuidados de saúde orais.

 

Claro que os instalados gritam cobras e lagartos, mas quem se interessa com isso? Basta cobrarem metade do habitual e já não perdem clientes

 

Mas isso é mesmo como arrancarem-lhe os dentes!