Luis Filipe Vieira; as mil formas de coacção e o ódio, aquele sentimento visceral


vieira

Vi com a máxima atenção a entrevista exclusiva que a CMTV levou a cabo na noite de ontem a Luis Filipe Vieira. Pela primeira vez concordei com algumas das posições do presidente do Benfica, apesar de continuar a discordar do seu método de actuação.

Cumpre-me saudar o facto do presidente do Benfica ter sido um dos primeiros dirigentes senão mesmo o primeiro a admitir que um erro de arbitragem beneficiou o seu clube, mesmo apesar da habitual (clássica) tentativa de spin para o lance do penalty que ficou, a meu ver, injustamente por marcar em Setúbal. Continuo a acreditar, em questões de arbitragens que não existem erros admissíveis assim como continuo a acreditar piamente que em relação ao meu clube, indiferentemente da postura mansa ou agressiva dos nossos presidentes e dirigentes, existe (factualmente) uma postura por parte da arbitragem, dos seus dirigentes e das influencias que historicamente os movem ou moveram uma intenção deliberada de errar para o segregar e para o excluir das vitórias. Se acredito que existem árbitros que erram por clubite aguda ou por instruções de terceiros? Se acredito que existem encomendas? Claro que acredito. Faz parte do futebol. O que não faz parte do futebol é errar sempre para o mesmo lado. Tanto erro, para o mesmo lado, é uma evidência clara de um futebol altamente viciado, que a continuar assim, diga-se a bom da verdade, irá afastar investidores e consumidores.


Coacção sobre os árbitros evidentemente que existe. Existe desde os distritais até aos grandes. Coacção pratica tanto o roupeiro da LAAC que avisa o árbitro que se não for correcto (leia-se tendencioso para o clube da casa) sai dali corrido à calhoada debaixo do escudo da GNR como o clube cujos adeptos assaltam de rompante estádios para verbalizar como o presidente do clube que às escondidas ou não, pessoalmente ou com recurso às novas tecnologias de comunicação, marca reuniões com os decisores para lhe comunicar as suas intenções ou até tomar outro tipo de medidas. Ilegítimos devem-se considerar portanto todos os actos de pressão. E as reuniões de Benfica e Porto, fique aqui assente, são formas de coacção que não deverão acontecer no futebol assim como considero que muitas das declarações proferidas pelo presidente do Sporting na temporada 2015\2016 foram também elas formas de coacção sobre a arbitragem. Contudo, declarar publicamente algo não se assemelha à atitude diplomática fechada de ir lá influenciar os decisores. Até no futebol, a postura de dirigentes deverá, pautar-se pelos princípios da diplomacia aberta. Se o Benfica crê (e está no seu direito de crer, pelos acontecimentos das últimas semanas) que existem acções e factores anormais a enevoar o espectro da arbitragem, o Benfica tem todo o direito a ser esclarecido. Mas não tem direito a marcar reuniões privadas; se quer discutir a situação tem outros canais, bem mais limpos para o realizar: convoca uma reunião de clubes no Conselho de Arbitragem da FPF para que todos possam estar a par das suas preocupações e das suas soluções, e possam também apresentar as suas preocupações e soluções.

Esta questão leva-me invariavelmente a outra. Se tudo isto acontece às escuras, não dá para descortinar o porquê de tanto ódio sentido neste país em relação a Bruno de Carvalho. Se a atitude dos dirigentes do Benfica pode-se considerar muito menos transparente que as atitudes que o meu presidente tomou no passado, porque é que o presidente do Sporting continua a ser tão odiado? Percebo que há uns meses atrás, a estratégia de comunicação do Sporting era Benfica de manhã até à noite. Mas também percebo que durante o mesmo período, a comunicação do Benfica (através dos pontas-de-lança do presidente do Benfica; de gente como Pedro Guerra, João Gabriel, Jaime Antunes) também era Sporting de manhã até à noite. Estivemos sempre quites no que concerne a este dado peculiar.

Esse ódio extravasa-me por completo. Primeiro porque sinceramente não odeio o Benfica nem o presidente do Benfica, nem os dirigentes nem os jogadores do Benfica. Aliás, até acho que o futebol sem o Benfica, sem o nosso maior rival, não tem qualquer sal. Em segundo lugar, porque o ódio em relação a um rival é acima de tudo uma falta de amor da pessoa em relação ao seu clube. Devemos amar mais a nossa camisola do que odiar a do rival. Felizmente amo mais a camisola do meu clube até do que amo a minha namorada, apesar de a amar muito. Em terceiro lugar porque o ódio de grande parte dos benfiquistas é transcendente à Instituição Sporting. É meramente pessoal, é um sentimento feio e primário que ataca as entranhas e que causa um mal estar físico e psíquico nocivo a médio\longo prazo. E é em quarto lugar hipócrita: nunca tomei como correcto atirar pedras ao telhado dos outros quando na minha casa também possuo telhados de vidro.

Portanto, este ódio, que não é inocente de todo, induzida por uma campanha propagandista objectiva e comparável à que a História nos mostrou nos exemplos dos regimes totalitários, patrocinada pela habitual devassa que determinados órgãos de comunicação social executam à vida das pessoas, leva-me a concluir que o presidente do Sporting, mal ou bem, esteve e estará sempre no rumo certo, no rumo da verdade. Como referi ali atrás, o propósito é bom mas os métodos são muito duvidosos. Se o propósito não fosse o de questionar seriamente o sistema instalado, o presidente do Sporting seria obviamente tomado pelos stakeholders como um parvo inofensivo que não ameaça ninguém. Os parvos inofensivos que não ameaçam ninguém não participam da História; são votados ao desprezo. Como o presidente do Sporting nunca foi, desde o primeiro minuto votado ao desprezo da história, é sinal que mexe. E mexe com o quê? Com a estratégia de um clube? Com os interesses de uma facção? Com o poder de quem quer mandar em benefício próprio? Eis as respostas, eis um ódio que só existe porque existiu discernimento para tentar travar uma máquina que age e dispõe em benefício próprio.

 

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