Ensinar ou preparar para os exames?

João Costa é secretário de Estado da Educação desde 26 de Novembro de 2015. Está, portanto, prestes a perfazer uma legislatura.

A equipa de que faz parte acabou com os exames nacionais de quarto e de sexto ano, inventando umas provas de aferição inúteis no quinto e no oitavo. Os argumentos para acabar com os primeiros foram tão profundos como os de Nuno Crato para os manter ou impor; as razões para justificar a criação das provas de aferição são igualmente inexistentes.

João Costa, aliás, como muitos que passaram pelo Ministério da Educação, tem funções tão decorativas que acaba por se dedicar a inutilidades folclóricas. Sendo o ideólogo de serviço, limitou-se a impor ideias vagas acerca da flexibilidade e da inclusão, o ai-jesus de muitas sessões de formação, a fazer lembrar o entusiasmo dos pregadores e pastores de seitas religiosas.

Recentemente, João Costa declarou que “as escolas devem preocupar-se em ensinar em vez de se inquietarem com a preparação dos alunos para os exames nacionais, argumentando que desta forma os estudantes terão melhores resultados académicos.”

Em primeiro lugar, os exames existem e têm uma importância enorme no percurso que leva os alunos a entrar no Ensino Superior. Se um professor se preocupar com os alunos, deve, portanto, preocupar-se com a preparação para o exame, o que não é incompatível, imagine-se!, com ensinar. [Read more…]

Gaia, cidade inclusiva

Uma coisa é a propaganda, outra a verdade.

Passeio junto ao Hospital (Gaia)

Inclusão, o fetiche da moda na Educação

O Ministério da Educação é uma secretaria menor do Ministério das Finanças e serve, especialmente desde 2005, para aumentar ou confirmar cortes na despesa, actos diferentes de poupar.

As diferenças entre os sucessivos governos, na área da Educação, são, assim, meramente folclóricas e superficiais, evitando tocar nos pontos verdadeiramente importantes. Entre outras leviandades, vem a Direita e confunde exames com exigência, chega a Esquerda e corta exames em nome da igualdade, mais coisa menos coisa, sem que o poder legislativo perca verdadeiramente tempo a pensar, até porque os deputados estão ao serviço dos partidos e não dos constituintes, o que quer dizer a Educação não é uma prioridade na Assembleia da República. [Read more…]

A grande balbúrdia a que chamam inclusão

Santana Castilho*

No início deste ano lectivo, ecoam os violinos líricos da inclusão, das metodologias diferenciadas e da flexibilidade a galope. Porém, para a geração dos “professores do século XIX”, sarcasticamente ferrados de “mortos” pelo iminente pedagogo da Escola da Ponte, tudo fede a coisa já vista (área-escola, área de projecto, gestão flexível do currículo e projectos curriculares de turma) e falhada. As aulas expositivas, proscritas pela modernidade bacoca de João Costa e dos seus prosélitos, estão longe de ser recurso único da geração mais velha dos professores portugueses. Quem guarde memória de tempos menos frenéticos, viu-os sempre empenhados em actividades transdisciplinares, mobilizadoras de saberes diversos e geradoras de inovação. Fossem eles simplesmente “passadistas”, como se teria chegado à era digital? Quem os pretende domesticar hoje com algoritmos pedagógicos toscos e absurdas flexibilidades, deveria considerar esta perspectiva. [Read more…]

“quanto mais heterogénea a escola for, melhor ela vai ser”

diz, e bem, David Rodrigues.