Kim

Ontem, por volta desta hora, tivemos Kim Gordon, no regresso a Bruxelas (Noha Khaldi fez um bom apanhado da noite e em flamengo, comme il faut).

KG, AB, 15/04/2026, FMV

A baixista dos maravilhosos Sonic Youth e autora de Girl in a Band apresentou-nos PLAY ME. No final da lista deste disco, chegados a BYEBYE — uma despedida diferente da BYE BYE do anterior The Collective — ouviu-se uma enxurrada de referências aparentemente proibidas pela actual administração dos EUA, palavras/conceitos cuja menção justificará a anulação de propostas, de subsídios, lá se vai a investigação fundamental, lá se vão as bolsas, lá se vai a América. Pois, a AB insinua que sim.

Ei-la, uma enxurrada (e no original, porque soa melhor):

  • Mental health
  • Electric vehicle
  • Gulf of Mexico
  • Energy conversion
  • Gay
  • Bird flu
  • Advocate
  • Pregnant person
  • Immigrants
  • Intersex
  • Victim
  • Male dominated
  • Care
  • Diversity
  • Tribal
  • Transgender
  • Hispanic
  • Green
  • Fluoride
  • Female
  • Hate
  • Injustice
  • Opportunity
  • Dietary guidelines
  • Housing for the future

Contra o Orçamento do Estado para 2026

When the band first started, I went for a vocal approach that was rhythmic and spoken, but sometimes unleashed, because of all the different guitar tunings we used.
Kim Gordon

Ministro das Finanças entregou OE no Parlamento (foto: Rui Gaudêncio)

Ontem, um dia antes da data prevista, o Governo apresentou a proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). É sabido que em 20122013201420152016201720182019, 20202021, 2022 [1] e [2], 2023, 2024 e 2025 as coisas não correram bem. Prevê-se que, para 2026, tudo esteja como dantes. Recorde-se que, nas palavras do Governo, a Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2026 é um dos documentos políticos e legislativos mais importantes da vida colectiva de Portugal (e das “vidas individuais das pessoas e empresas”), por isso, “é urgente, inadiável e uma exigência categórica de transparência, a apresentação e explicação aos portugueses do seu conteúdo”.

Sem mais delongas, vejamos alguns exemplos do Relatório (pdf), para compreendermos um bocadinho melhor aquilo que efectivamente se passa no mundo ortográfico português: [Read more…]

Nirvana — FireAid, Los Angeles, 30 de Janeiro de 2025

Efectivamente.

A preparação

Kool Thing let me play it with your radio
Move me, turn me on, baby-o
Gordon/Moore/Ranaldo/Shelley

… aos muitos que se deslocaram ao Capitólio de t-shirt dos Sonic Youth vestida, quiçá na expectativa de reencontrar um pouco do rock dissonante e da vertigem punk experimental dos autores de Kool thing
Mário Lopes

***

Encontro-me entre os muitos que foram ver a Kim Gordon, não ao lisboeta Capitólio, mas ao bruxelense Bozar. Levei roupa discreta, mas fui com um gorro dos Knicks enfiado na cabeça — uma espécie de “t-shirt dos Sonic Youth”, extremamente adaptada e razoavelmente aplicada. Comme il faut. Dias antes, contudo, levara, também ao Bozar, a minha t-shirt Sonic Life, para ver o Thurston Moore. Das duas vezes sabia ao que ia e não saí desiludido. Por causa do hábito. E da preparação. Também podia falar-vos do Shelley e do Ranaldo. Fica para outra oportunidade.

Por falar em Knicks, viva o Benfica! Viva!

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Notícia Aventar: o Record não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

Just loosen him up,
And make him feel bright.
I think that’s all right.
Now add lemonade…
Sid

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Não é novidade, mas há sempre quem passe ao lado destas coisas — por exemplo, quem escreve “agora facto é igual a fato (de roupa)” e afins. Se hoje fosse sexta-feira, desejar-vos-ia um óptimo fim-de-semana, com os respectivos hífenes. Mas hoje, como sabereis, não é sexta-feira. Os meus agradecimentos ao excelente Manuel M., obviamente, pela aquisição deste precioso exemplo de ortografia.

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The Sprawl | Sonic Youth | From The Basement

Está tudo como dantes no sítio do costume?

For phonological similarity, for example, Flege (2003) concludes: “It will be necessary to study a wide range of L1–L2 pairs and L2 speech sounds in order to draw general conclusions regarding the nature of constraints, if any, on L2 speech learning” (p. 28).
— Schepens, van Hout & Jaeger (2020)

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Curiosamente, na semana em que voltei a ouvir uma entrevista dada por Richard Dawkins, apareceu-me no Facebook um vídeo publicado pela Universidade de Oxford, com uma apologia do envio de memes aos amigos. Dawkins é um celebérrimo oxoniano e criador do conceito meme original. Por isso, tão-somente curiosamente. Adiante.

Nessa entrevista, Dawkins cita Bertrand Russell. Já lá vamos. Pouco antes de Russell, Dawkins citara Mark Twain, dizendo:

I was dead for billions of years before I was born, and never suffered the smallest inconvenience.

Tudo bem. É uma simplificação, chamemos-lhe uma “citação livre” de um clássico das citações de algibeira:

I had been dead for billions and billions of years before I was born, and had not suffered the slightest inconvenience.

Não há qualquer problema. Aliás, a simplificação até tem piada e é riquíssima em dados para as minhas notas.

No entanto, depois disto, quando Dawkins cita Russell, cita-o assim: [Read more…]

A juventude sónica no Reino dos Belgas em 2023

Amanhã, em Liège, no Reflektor, Thurston Moore Group (com Steve Shelley). Depois de amanhã, em Courtrai (Kortrijk, no original), Lee Ranaldo, com os fabulosos The Wild Classical Ensemble. Só nos falta a Kim Gordon.