Os portugueses já meteram mãos ao trabalho para ultrapassarmos a crise

Miguel Relvas, defendeu hoje a aposta no empreendedorismo, afirmando que “está nas mãos” dos portugueses criar condições para o país ultrapassar “este momento” de crise.

Um neto em acção:

Duas próteses, boas de encaixar, têm 3 semanas de uso.
as duas custam 55,00€
Eram da minha falecida avó, que se dava muito bem com elas.
Estão no liquido de limpar desde o funeral.

Já não há duros

Já todos lhe conheciam a língua mordaz, o comentário implacável, a resposta avinagrada. À sua mesa ninguém se sentaria; respeitosos acenos de cabeça e até mais logo.

Ágil no raciocínio, lúcido na análise, desapiedado das fraquezas alheias, um duro à moda antiga.

Sentei-me a medo à sua frente, sabendo que corria o risco de ser tida por adversária e desencadear um combate que eu não queria travar.

Que diabo, tinha de me tocar aturar este gajo, um tipo insuportável.

Puxei a cadeira para a frente, endireitei as costas e olhei-o de frente.

E vi-lhe a camisola de lã, pontuada de borboto, a barriga bojuda que a camisola não escondia, o gesto tenso do pescoço, uma incomodidade mal disfarçada que o fazia baixar o olhar. E as mãos, essas mãos gordas e brancas, mãos sapudas, de avozinha, mãos de um homem por quem as mulheres sentem ternura mas não desejo.

As mãos de um homem que ama em silêncio a mesma mulher há muitos anos e nunca lhe dirá nada.  E passa as noites em claro, a censurar-se pelo que disse e pelo que não disse.  E se levanta, já a manhã vai alta, para diluir em sarcasmo o nó de angústia das madrugadas.

Às vezes é assim que se faz um amigo.

Poemas do ser e não ser

                 (adao cruz)

(adao cruz)

Daqui te escrevo

Onde o mar não existe

Onde as mãos do silêncio

Não tardam a entrar

No silêncio da tarde.

Daqui te escrevo

Nesta tarde de silêncio

Onde a memória da tarde

Arde em silêncio

No mar das tuas mãos.

Daqui te escrevo

Onde o deserto é imenso

E a sede do teu mar

Cresce em silêncio

No silêncio da tarde

Onde não tarda o silêncio

Do mar das tuas mãos.

A minha cidade é o mar

E o deserto de silêncio

Do mar das tuas mãos.

Não a cidade da fome

Dos caminhos errantes

E das estrelas inseguras

Que ardem em silêncio

Sem fome das tuas mãos.

Daqui te escrevo

Onde o mar não existe

E o deserto é imenso

No silêncio da tarde.

Daqui te escrevo

Desta tarde sem fim

Onde arde a cidade sem mar

E o deserto sem cidade

Onde arde em silêncio

Na tarde das tuas mãos

Todo o silencio da tarde.