João Miguel Tavares, a culpa lusitana e o mito de Mário Nogueira

Na sua crónica de hoje, João Miguel Tavares (JMT) consegue o milagre de se afastar de muita direita que vê nos apoios sociais o grande problema da economia portuguesa. Há dias assim, em que JMT escreve menos abjecções.

Quanto ao resto do texto, concordo que Portugal é um país mal gerido, com desvios de receitas – impostos ou fundos europeus – para gastos desnecessários, numa sucessão de actos de corrupção legal e ilegal que fazem de nós um país bastante pior do que deveria ser.

Note-se, no entanto, a diferença: no princípio do texto, JMT consegue, como se viu, explicar claramente quem não tem a culpa. Quando começa a identificar os culpados, limita-se aos últimos dez anos e, pelo meio, como era previsível, deixa a Passos Coelho o papel de alguém obrigado a executar uma política pela qual não era minimamente responsável, o que é uma ficção querida a muita direita.

A história da má gestão portuguesa vem de longe e inclui, entre tanta coisa, a visão deslumbrada de gente que quis ficar na História, com base no folclore de obras inacabadas, como a subordinação de Soares e de Cavaco a uma Europa que impôs a destruição do nosso tecido produtivo, com passagem por uma longa tradição de favores com dinheiros públicos a interesses privados, com bancos e parcerias público-privadas a mamarem na teta dos impostos e na tendencial supressão de direitos ou nos cortes salariais (sempre em nome de uma produtividade sem verdadeiros incentivos que não sejam os de não cair na miséria). A dívida pública, que, por ser pública, todos somos obrigados a pagar, continua por ser verdadeiramente explicada, talvez porque não convenha a quem andou criá-la enquanto parecia estar a governar o país. [Read more…]

Passos Coelho e a subsídio-dependência

TC

Subsídios para as clientelas, sempre!

Fotomontagem: Luís Vargas@Uma Página Numa Rede Social

Por um preço de outro mundo

A coligação PSD/CDS aprovou a redução, no Orçamento de Estado de 2013, do subsídio que a Segurança Social concede para gastos com funerais. De repente, caiu de 2.515,32 Euros para 1.257,66 Euros. Metade, portanto. Acredito que o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social tenha apresentado a medida com aquela hipócrita expressão de “isto custa-me mais a mim do que a vós” que já se lhe colou à cara.

Ora, um funeral decente – sem luxos, mas digno – facilmente ultrapassa os 2000 euros. E se antes o subsídio cobria os gastos, agora é insuficiente. Por isso há cada vez mais famílias a meterem-se num crédito para enterrar os seus defuntos, afinal um adequado corolário de uma vida endividada.

Já as funerárias cobram como se os salários médios do país fossem o triplo, enquanto os funcionários se desfazem em mesuras e sentimentos postiços. Nesta história, só mesmo o coveiro, com as cinzas debaixo do braço, é que não finge o que não sente.

O título é um verso roubado ao “Coro das Velhas” do Sérgio Godinho.

Li mal

«Governo estuda corte na duração do desemprego».

Eu li mal.

Sinto-me MUITO Português! Como nunca!

E não é pelo futebol!

É pelo dinheiro que me roubaram hoje!

Fiquei sem os subsídios (cá em casa é a dobrar)!

Passei esta madrugada, na rua, a colocar pendões que, pelo menos, mostram que não estamos esquecidos!

Estou de acordo com o candidato Passos Coelho que se referiu a esta medida como um disparate!

Quero formalmente agradecer a todos os que votaram neste governo e que, por isso, me ajudaram  a ser ainda mais Português.

Eternamente GRATO!

PECaminoso! – desempregados perdem apoios sociais

Algumas destas medidas que caem nem sequer foram implementadas,  é o que se chama “visão estratégica” tambem conhecida de “longo prazo”!

Cincoenta mil pessoas não vão aceder ao prolongamento do subsídio de desemprego por mais seis meses. Custaria 40 milhões de euros!

450 dias de descontos, prazo mínimo para ter direito ao subsídio de desemprego. Tinha sido reduzido para 365 dias.

Majoração em 10% do subsídio de desemprego a quem ,estando desempregado, tenha filhos a seu cargo. Nem sequer chegou a entrar em vigor.

O pagamento adicional do abono de família pago aos beneficiários do segundo ao quinto escalão previsto desde 2008.

A redução das contribuições para a Segurança Social (de 23.75% para 20.75%) pagas pelas pequenas e micro empresas com trabalhadores mais velhos. Abrangeria cerca de 200 000 trabalhadores e custaria cerca de 52 milhões de euros.

Os subsídios extraordinários às empresas que encerram temporariamente ou suspendem os contratos para darem formação aos seus trabalhadores. Abrangia cerca de 39 mil trabalhadores e custaria 53 milhões de euros.

Apoios à requalificação de 5 000 jovens licenciados.

Linha de crédito bonificado para os desempregados criarem a própria empresa é reduzida em 14.5 milhões de euros.

Alvo: os desempregados e os mais pobres!

Subsídios, a nova agricultura

É um produto dada à cultura biológica, rico em proteínas, sais minerais, vitamina C que baste. Útil na confecção das mais variadas sopas. Cultiva-se em terrenos pobres e ricos, no sequeiro ou no regadio.

Importado da Europa o subsídio  veio substituir com vantagem muita batata e muita couve e mostra-se bastante rentável. O parque automóvel de veículos todo-o-terreno está aí a atestá-lo.