Serviço público: Banda do Casaco

 

 

 

 

Saiu mais um Disco com Sono: Banda do Casaco, Contos da Barbearia.

 

Se isto fosse no estrangeiro, já tínhamos uma caixinha com os 7 CDs de originais remasterizados, livrinho cheio de entrevistas e ensaios, um DVD de bónus e mais não sei quantas mariquices. Como felizmente estamos em Portugal, temos masters perdidas, reedições em CD esgotadas e até um disco que nunca saiu do vinil – mesmo perfeito para o Discos Com Sono.

Ao autor do blogue aqui ficam os meus agradecimentos.

Os botões, o ecrã e a caixa dos fusíveis

   Ontem, num desses programas em que o apresentador se entretém mais do que entretém, foi dito, a páginas tantas, que a televisão engorda. E deve ser indigesta, digo eu, talvez por causa dos botões e do ecrã, que me parece duro de trincar. Ou por culpa da caixa dos fusíveis, diriam os Gaiteiros de Lisboa.

 

"Era nao era do tamanho de um Pardal"

 

 

Mais Gaiteiros de Lisboa aqui.

 

Da Islândia com amor

 

Múm – They Made Frogs Smoke Til They Exploded

 

 

Morreu o Homem da Rádio

Este António Sérgio que não volta a fazer rádio foi tão importante para a minha geração como o outro António Sérgio, que escrevia livros, o foi para a sua.

Sei que isto para muitos será uma heresia.  Mas  quem o seguiu, desde os tempos da Rotação na RR, gravando programas inteiros nas velhas k7’s, única forma de ouvir a música que só ele passava em Portugal, e quem entenda que a música para nós ocupou o espaço dos ensaios, a comparação pode ser parva mas faz sentido.

António Sérgio abriu uma estrada de Lisboa a Londres e a Nova York que não existia, uma estrada com ligação directa às ruas de má fama, desviada de outros caminhos com passadeiras, os das todo poderosas editoras que moldavam o consumo da música moderna à maneira do negócio e da tacanhez., repetindo infindáveis Baby I Love You.  Trazia canções que nos falavam de jovens urbanos chateados com o mundo, e era isso que nós também queríamos ter o direito a ser. Há uma revolução escondida nessas esquinas, obrigado por nos teres trazido decibéis dela.

Resta-me a consolação de saber que quando chegar ao inferno ele já lá estará a passar música. Pobre Diabo, a sua vida nunca vai ser a mesma.

 

 

 

 

A máquina do tempo: Sobre a canção urbana – o fado e o tango

 

Neste vídeo, apreciámos uma tentativa de fusão de tango e de fado, interpretada por Beatriz Ayas e pelos Portubayres. É um tema curioso, este o da similitude entre dois tipos de música urbana – a portuguesa e argentino-uruguaia.  Aqui há tempos referi-me numa destas crónicas a um texto de Jorge Luis Borges sobre o assunto. Não o consegui encontrar, embora saiba que foi publicado num suplemento do DN num domingo de há muitos anos. Gostava de o ter consultado, pois é de tango e de fado que vou hoje ocupar-me. Em Abril de 1982, assisti na Gulbenkian à exibição de «Cinco Tangos», executada pelo grupo de Ballet da Fundação. A música era do Astor Piazzolla, o grande compositor argentino, mago do bandoneón. Várias vozes se fizeram na altura ouvir, chamando a atenção das afinidades entre o tango e o fado.

 Agora que se fala em candidatar a chamada canção nacional ao estatuto de «Património Imaterial da Humanidade», justifica-se avaliar até que ponto esse desiderato faz sentido. Avaliação que, estejam descansados, não vou fazer. Aliás o assunto está muito bem entregue – o Professor  Ruy Vieira Nery, director do Programa da Educação para a Cultura da Fundação Gulbenkian e membro da comissão da candidatura diz que agora a decisão já só compete ao Ministério da Cultura. Em fins de Setembro passado, a UNESCO declarou o tango como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Mais jovem do que o fado, o tango antecipou-se – é caso para dizer que «passou a perna» ao fado.

 

Quanto às origens do fado, não me vou pronunciar, apenas referir o que se diz. Há a tese mais vulgarizada de que, quando a Corte de D.João VI regressou, trouxe consigo uma dança em voga no Rio de Janeiro a que se chamava «Fado», inspirada no lundum, e que podia ser acompanhada por canto. Na realidade, os primeiros registos escritos sobre o tema começaram a surgir no século XIX, mais na segunda metade. Mas foi uma inovação que depressa se converteu em tradição.

Encontramos referências aos fado e aos fadistas, por exemplo, nos romances de Eça de Queirós. No «Cancioneiro Alegre de Poetas Portugueses e Brasileiros», organizado por Camilo Castelo Branco, inclui-se um poema de Alexandre da Conceição – sobre um tal Marialva que «dançava o fado à noite em tabernas» – referência que acentua a tese da dança vinda do Brasil. Outra referência cultural, o famoso quadro de José Malhoa, data de 1910.

Nestes primeiros tempos, o fado surgia como fenómeno tipicamente lisboeta. As grandes fadistas do século XIX, a lendária Maria Severa (1820-1846), nasceu e morreu em Lisboa, e Maria Vitória (1891-1915), creio que também. Esta última cantava nas revistas e celebrizou o «Fado do 31», mais tarde interpretado por Estevão Amarante.

Todos estes dados apontam para uma tradição, se assim se pode chamar, que se instalou rapidamente e que, como planta trepadeira, se enroscou no fatalismo da alma portuguesa e no miserabilismo inerente à pobreza citadina, com ele se confundiu, e às vezes pareceu mesmo estar na sua origem, ser causa e não efeito. Não esqueçamos que «fado» vem do latim «fatum», ou seja, «destino». Em menos de cem anos o fado (cantado) se espalhou pelo país e se transformou em canção nacional. Para além destas e doutras raízes mais remotas, o fenómeno Amália Rodrigues ajudou a enquistar o fado no tecido da alma popular, elevando-o à categoria de tradição.

Mas, além desta tese, há outras – teria vindo de reminiscências das melopeias árabes ou, como um companheiro do Aventar aventou, seria uma herança dos celtas. Estas duas últimas parecem-me teorias rebuscadas. Como seria possível o fado vir de tempos tão remotos e não existir, nas baixas e tordiões, por exemplo, ou noutro tipo de canção popular dos séculos que mediaram entre a herança céltica ou árabe e o século XIX, um fio condutor, um elo, que ligue esses vestígios?

Já o fado de Coimbra, com uma genealogia diferente, parece estar mais ligado às baladas tradicionais e, mais especificamente, à música beirã. Embora também seja um fenómeno relativamente recente. Os cantores Augusto Hilário, António Menano e Edmundo Bettencourt, bem como o grande guitarrista Artur Paredes, pai de Carlos Paredes, nomes maiores da canção coimbrã, são tudo gente do século XX.

O tango é mais recente do que o fado. Foi buscar as suas origens à «habanera» (de La Habana). Desta dança terão surgido o maxixe brasileiro e o tango argentino e uruguaio. A dança começou por se chamar «tango criollo» simplificando-se depois para tango. É já no século XX que se instala nos dois lados do rio La Plata, em Buenos Aires e em Montevideu. Como canção encontra em Carlos Gardel o seu mais emblemático intérprete.

A relação fado/tango era evidente – canções nostálgicas, fatalistas. Amália disse ter encontrado a sua voz, cantando os tangos de Gardel. Agora é uma argentina, María Lavalle, que, inspirando-se em Amália, volta a acentuar a relação entre as duas formas musicais. No passado fim-de-semana apresentou no Teatro Calderón de Madrid o seu espectáculo «Tú que puedes, vuélvete», fundindo o tango puro com o fado puro, misturando músicos argentinos e portugueses. Coisa que a nossa Mísia já tinha feito, para não falar no fado tango de Amália, «Cansaço», agora interpretado por Camané.

O mestre da guitarra António Chaínho, acompanhado pela cantora Marta Dias e pelo coreógrafo Alejandro Laguna, apresentou há anos um espectáculo em que fundia os dois géneros. Parece-me ser a primeira tentativa de fusão. Diziam que tendo o fado e o tango nascido em ambientes portuários e marginais, tinham trajectórias, história e sentimentos similares e, de certo modo, complementares. O que faz sentido.

Justifica-se integrar o fado no património imaterial da humanidade? Sempre vou dar a minha opinião: entendido como canção nacional, acho que sim. Recuso a ideia de que o fado «reflecte a alma do povo português», reflecte-a tanto como a chula do Minho, como o cantar alentejano ou qualquer outra forma musical popular do nosso povo. Naturalmente que o vira minhoto ou algarvio ou o bailinho madeirense, não se coadunam com o sentir de bastante mais de metade da população do país que habita as áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Setúbal.

Parece-me ser esse o espaço do fado – reflexo fatalista da vida descarnada, afastada da natureza, que se vive nas cidades grandes. Não terá um historial muito antigo, mas se formos a ver, toda a canção urbana nasce no século XIX – a valse musette de Paris, os cuplés madrilenos, o tango de Buenos Aires e de Montevideu. Os blues saltam das plantações de escravos para as cidades, eclodem nos anos 40 do século XX em Chicago…Como diria Mr. de La Palisse, a canção urbana nasce, ou instala-se, com as e nas concentrações urbanas.  

Mas n
em
sei porque estou eu, qual musicólogo encartado, a falar de uma coisa de que nada percebo. Aqui no Aventar, sinto-me na mesa do café onde estamos à vontade para discutir tudo, desde o Borda d´Água ao «Capital» de Marx, passando pela música de Beethoven e pelo Triângulo das Bermudas . Hoje deu-me para o tango e para o fado. Podia ter sido bem pior. Ora vamos lá ouvir a María Lavalle.

Silêncio, que se vai cantar o tango.

 

Cinema – O Solista

A genialidade paga-se! Como tudo, oscila entre a grandeza e o fundo. O génio musical de alguem que tem dificuldade em acomodar-se à vida do dia a dia.

 

A solidariedade de alguem que acredita que vale a pena preocupar-se com quem vive na rua e, ao mesmo tempo, mergulhado num mundo cuja  beleza  compreende como ninguem.

 

A história real de dois homens que ainda hoje vivem em LA.

 

A não perder num cinema perto de si!

Amália, Barco Negro

Nunca fui muito dado, confesso, a malta de esquerda não está para reaças, e a educação (no caso nem por isso familiar) faz-nos, ai se faz.

Cantava bem mas o Fado era reaccionário,  ao nível da Fátima e do Futebol. Se quanto a peregrinações e outros ajoelhamentos  pouco mudei de ideias, os estereótipos de esquerda, pelo menos os mais cretinos, lá os fui ultrapassando a seu tempo, o tempo de atravessar desertos e pensar pela própria cabeça, que é para isso que a temos.

Com Amália Rodrigues tudo mudou quando escutei esta cantiga, no filme onde nasceu. Um vaipe, um flash, luz, porra: um gajo é sempre parvo quando se atrofia com preconceitos, e depois fica com a sensação de ter perdido durante anos alguns pequenos prazeres da vida. Barcos Negros. Fica bem com um tinto carrascão, daqueles que detesto e de quem ninguém se atreve a chamar nomes aos taninos, e um queijo de qualquer cabra, rançuda. E quem não solta pelo menos a ideia de uma lágrima ao escutar, é de direita, preconceitualizo agora e já.

Obrigado Amália, e desculpa lá qualquer coisinha.

Amália – Barco Negro

Dez anos depois…

AMLIA_~4

Completam-se hoje 10 anos sobre o desaparecimento físico de Amália Rodrigues.

Amália era sem dúvida a maior representante da música nacional, ou seja o Fado.

As suas canções e os seus fados permanecem, quase de certeza, na memória de todos os portugueses.

Como diria Amália Rodrigues “Obrigada… Obrigada”

Lengalonga

Estado da República: isto está disponível no myspace, não existe em disco.

Lengalonga

Self made coisa e tal
fabricante de bandeira
kit-kat do capital
luna parque de fronteira.
Falocrata à paisana
pico pico saranico
sanduiche americana quem te deu tamanho bico
CEE tem-te não caias
cala e come a tua mão
menino saia das saias
homem não se quer chorão.
Ai não queres adeus viola
quem pode não sai de cima,
da foda não reza a escola
muito perdoa quem rima.

Muita carne de terceira
com molho tudo se engole.
Pergunta à alternadeira
se a moral não anda mole.
Central talvez nuclear
guerra sempre preventiva
gasolina pró jantar
que a gente em nada se priva.
Era uma vez um país
à beira mar chamuscado
porque Deus assim o quis
de cinza e negro pintado.
Era uma vez uma terra do lá vem um
lá vão dois
onde a carroça se enterra
terão de passar os bois.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra
a gente ladra ao luar, mas à luz do sol não ferra.
Gira lá roda da sorte
gosto de ouvir-te chiar
pois do berço até à morte
me deixarei embalar.
Caluda bolinha baixa o
Salazar é que era o
povo a toque de caixa
nesses tempos quem me dera.
Futebol de canapé
nossa senhora da bola
tenho medo e tenho fé
cerveja com muita gola.
Ó Senhora dos parolos que fazes lá na azinheira
precisamos é de golos e missa futeboleira.
Se é pobre é porque tem culpa
se é preto tira-lhe a tosse
se é puta que pague a multa
e se é puto antes não fosse.
Se é bicha jaula com ela
se é bicho atira a matar
se é jovem não lhe dês trela
se é cota não tem lugar
se é doente já não presta
se é carente compre um cão
se é urgente não tem pressa
se caiu deixa-o no chão.
Rebéubéu
pardais ao ninho
Portugal engole sapos,
no sotão só macaquinhos
na cave gatos sapatos.

Nem tanto ao mar nem tanto à terra
a gente ladra ao luar mas à luz do sol não ferra.


Poema de Regina Guimarães (copiada daqui)

Voz de Ana Deus

Músicas para o Equinócio de Outono: Ute Lemper

Ute Lemper – September Song

(Obrigado Carlos Ruão, e acrescento: neste blogue só os Carlos são solidários com as festividades do equinócio de Outono. Registo e aguardem…)

Músicas para o Equinócio de Outono: Gilbert Bécaud

..7

Gilbert Bécaud  e Mireille Mathieu- C’est en Septembre

(sugestão do Carlos Loures, obrigado pá)

Músicas para o Equinócio de Outono: Cannonball Adderley com Miles Davis

Cannonball Adderley com Miles Davis  – Autumn Leaves

Músicas para o Equinócio de Outono: Léo Ferré

Léo Ferré – Chanson d’automne

Músicas para o Equinócio de Outono: Yves Montand

Les feuilles mortes, Yves Montand

Músicas para o Equinócio de Outono: Edith Piaf

Edith Piaf – Autumn Leaves (Les Feuilles Mortes)

Músicas para o Equinócio de Outono: Antonio Vivaldi

Antonio Vivaldi – Le quattro stagioni, L’Autunno

Músicas para o Equinócio de Outono: Lee Hazelwood

Lee Hazelwood – My Autumn’s Done Come (vídeo de Philip Bloom)

Músicas para o Equinócio de Outono: Zeca Afonso

Zeca Afonso – Balada de Outono

Músicas para o Equinócio de Outono: Astor Piazzolla

Astor Piazzolla – Otoño Porteño

Músicas para o Equinócio de Outono: Manu Chao

Manu Chao – L’Automne est làs

Música para o equinócio de Outono: Manic Street Preachers

Manic Street Preachers – Autumn Song

Músicas para o Equinócio de Outono: Ellegarden

Ellegarden – The  Autumn  Song

Músicas para o Equinócio de Outono: Joan Manel Serrat

Joan Manel Serrat – Balada de Otoño

25 Guitarras de Aço (3)

steve howe 04os yes foram um dos principais supergrupos do designado rock sinfónico da década de 70. e representam-no de tal forma que, para o bem e para o mal, ainda hoje são um fenómeno de profundo amor ou profundo ódio na utópica e mutante pop culture. não valerá a pena contar a história. toda a gente a sabe. o punk rebelou-se, em termos musicais – foi muito mais do que isso, é certo – contra os excessos de virtuosismo na qual a pop se enredou a partir dos primeiros anos da década de 70. os yes representam, muito provavelmente, o limite último na tentativa de atribuir à pop uma roupagem sinfónica – isto se exceptuarmos os devaneios de david greenslade e o seu pentateuco. claro está, existiam os floyd, os soft machine de robert wyatt, os genesis de peter gabriel, os van der graaf de peter hammill, os jethro tull de jon anderson, os gentle giant, os caravan, os henry cow etecétera e tal – em muitos aspectos bem mais importantes. não obstante, sem os yes, o rock progressivo/sinfónico teria sido bem diferente. eles representaram o lado diurno, brilhante e límpido do movimento. a sua influência foi visível em toda uma série de bandas menores por todo o mundo, de portugal – os tantra por exemplo- ao japão. Steve Howe não foi um dos seus fundadores mas entra – substituindo peter banks – naquele que será o primeiro album em que a banda assume a sonoridade pela qual ficou conhecida, «the yes album» 1971, assinando a solo a faixa «the clap». será neste mesmo ano que os yes editam a primeira das suas primeiras obras-primas, «fragile». nesse momento, são um quinteto de músicos portentosos. para além do famoso jon anderson – responsável por grande parte do imaginário místico e quase animista da banda e dono de dotes vocais pouco usuais  – bill bruford (king crimson, uk), um dos maiores baterista de sempre, rick wakeman (o homem dispensa apresentações, incluíndo mesmo a quantidade de material de gosto discutível que quase sempre produziu a solo) – já agora uma curiosidade: sem rick wakeman dificilmente o «hunky dory» do david bowie teria a mesma sonoridade; parece mentira mas não é – e o indesmentível líder da banda, chris squire e o seu fabuloso baixo. steve não deixa de nos maravilhar em, por exemplo, «mood for a day», um instrumental por ele composto. em 1972 surge a segunda obra-prima, «close to the edge», e no ano seguinte o duplo «tales from topographic oceans». incluímos ainda no rasto brilhante dos yes «relayer» de 1974, já com patrick moraz (moody blues) e alan white na formação. a partir daqui muito pouco interessa. steve howe abandonou, voltou, abandonou outra vez, voltou outra vez a integrar a formação mas os tempos eram outros e a fórmula esgotava-se. tal como já estava quando formou os asia, com john wetton,  a primeira banda «rock-fm» da história da música pop !?

do clássico ao jazz, a sua formação e influências é vasta. não há instrumento de corda que steve howe não utilize para compor sonoricamente o emblema «yes», de guitarras clássicas a bandolins. a lista de instrumentos de aço usados no seu «the steve howe album» de 1979 é de 14 instrumentos, incluindo steel guitars e banjos. usava com o mesmo apreço «fenders» e «gibsons», algo pouco característico nos mestres de guitarras, para incluir nos yes toda a extensão de sonoridades possíveis. steve howe não é/foi david gilmour e muito menos robert fripp, mas estes também nunca poderiam ter feito o que ele fez. 

quer goste ou não, faça o favor de ouvir a introdução de «close to the edge» onde steve howe, para utilizar uma expressão prosaica, «é tão bom que até chateia!»

yes close to the edge

ps: como se afirmou, não se pretende hierarquizar este tema nem aprofundar matérias do foro técnico. depois de george clinton, johnny marr e steve howe, o próximo deverá ser peter green ou talvez jack white ou talvez derek bailey, quem sabe.

3 Cantos: Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto juntos


Já reservei os bilhetes. A 22 de Outubro em Lisboa e a 31 no Coliseu do Porto, um espectáculo único – Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto. 3 Cantos. Os últimos cantautores portugueses estarão juntos em palco, pela primeira vez desde os anos quentes da Revolução, para preservar a memória de um certo Portugal. A memória de Abril, a memória de Zeca, a memória de uma música de intervenção que, a cada momento, tem mais razões para continuar a existir. Mesmo que 35 anos depois!


25 Guitarras de Aço (2)

JohnnyMarrpressupõe-se, erradamente, que um grande guitarrista é essencialmente um solista. uns valentes vinte e cinco anos atrás, numa conversa de comboio, dizia-me o alexandre soares (fundador, primeiro vocalista e guitarrista dos GNR) qualquer coisa como isto: «eh pá, um gajo começa por querer aprender uns acordes para sacar as músicas das bandas que gostamos, depois, com alguma técnica, sacámos mais ou menos os solos e passado alguns anos pensámos que até já somos alguém e temos o nosso som, mas, merda, o que todos nós gostaríamos de ser é como o johnny marr!» Johnny Marr não aparece citado no artigo a que me referi no «post» passado. percebe-se muito bem porquê. está fora do mundo dos grandes solistas. é, aliás, ainda um muito maior escândalo que ninguém refira na citada «classic rock», por exemplo, lou reed. adiante. na primeira metade dos 80’s, em pleno pós-punk – o que na altura ficou conhecido em portugal como som da frente, termo forjado pelo grande antónio sérgio no programa anónimo – as três grandes bandas de culto eram, como toda a velhada sabe, the cure, the smiths e U2. claro que também por cá andavam na boca e ouvidos de todos os the sound, os felt ou os echo and the bunnyman. se nos the cure, robert smith assumiu a banda sózinho, nos U2 e nos the smiths constituiam-se duplas na boa tradição da pop – bono e the edge, morrissey e johnny marr. mais do que os irlandeses, os de manchester foram vistos na altura como os «lennon-mccartney» do seu tempo. foram-no? pensamos que sim. a vida dos the smiths foi curta – entre 82 e 87 – mas a sua obra discográfica é magistral: «the smiths» 1984, «meat is murder» 1985, «the queen is dead» 1986 e «strangeways, here we come» 1987 são os longa-duração da banda. morrissey tentou reeditar a dupla com vini reilly em «viva hate» mas não o conseguiu. por outro lado, a carreira de johnny marr, pós-the smiths, é, no mínimo, errática, mesmo contando com os electronic.

uma das caraterísticas de guitarristas na linha de Johnny Marr é o facto de serem essencialmente grandes músicos de estúdio, muito dados ao meticuloso trabalho na composição e produção musical. é ainda hoje um mistério como as revistas especializadas em guitarras de aço se esquecem dele. mas, como dissemos anteriormente, não é exemplo único. as rendinhadas melodias, a finura harmoniosa mas ao mesmo tempo selvática da sua guitarra transformou a sonoridade dos smiths em algo identificável em qualquer parte do mundo. ouvem-se os primeiros acordes e sabemos logo o que é. Marr tem um estilo compositivo muito unitário embora no último longa duração da banda tente uma abordagem mais vasta. de todas as maneiras, para os mais fanáticos, «strangeways, here we come» não conta muito para a história, pese embora canções como «death of a disco dancer» ou «girlfriend in a coma». bastou meia década para que johnny marr – e morrissey – modificassem a pop. para melhor, claro. muita gente tentou seguir o caminho traçado por marr/morrissey, dos james aos stone roses, mas nunca lá ninguém chegou. mas ouve alguém, e falámos em termos técnico-compositivos, que lá esteve perto – Lawrence e os seus Felt. vejam-se, a título de exemplo, as guitarras do belo e instrumental «let the snakes crinkle their heads to death» 1986.

ps: a quem interesse, ainda se encontra à venda a edição limitada a 10.000 exemplares de «the smiths. singles box» 2009 que reúne os primeiros dez singles com as capas originais e alguns bónus. uma está disponível na fnac porto santa catarina. vale os trinta e tal euros todos e mais alguns.

the smiths this charming man 1983

25 Guitarras de Aço

Funkadelic_free_your_mind_go último número de Classic Rock apresenta-nos o especial «os melhores 100 guitarristas de todos os tempos escolhidos pelos melhores 100 guitarristas vivos». os critérios são unicamente pessoais. algumas das escolhas são previsíveis. steve rothery (marillion) prefere david gilmour (pink floyd), jimmy page (led zeppelin) escolheu jack white (white stripes, raconteurs e dead weather) e david gilmour escolheu jeff beck (john mayall bluesbrakers, yardbyrds, jeff beck group).  algumas supresas. a fraude mark knopfler, muito apreciado nos 80’s, não está lá. poucos são os guitarristas dos 90’s citados, apesar de aparecer o inevitavelmente discutível slash (guns and roses) citado por jonnhy rocker (heaven’s basement). supresa das supresas: john  frusciante (red hot chili peppers) escolheu o grande vini reilly (durutti column), vá-se lá saber porquê. o inenarrável joe satriani – o menos original guitarrista de todos os tempos – escolheu o mais inultrapassável, jimi hendrix. já agora, para que se saiba, o seu discípulo igualmente mau, steve vai, escolheu brain may (queen). os fans da «suposta» maior banda do mundo – metallica – ficaram a saber que james hetfield prefere tony iommi (black sabbath). tinha que ser. no que nos diz respeito, robert fripp (king crimson, the league of crafty guitarrists) – técnica e criativamente – foi eleito pelo «ex-floydiano» e actualmente um dos maiores guitarristas e produtores do mundo, steven wilson (porcupine tree), que estará em novembro em portugal para concertos em lisboa e porto.

25 guitarras de aço: aleatoriamente, comecemos por George Clinton, guitarrista e fundador dos The Parliaments e dos Funkadelic. Hendrix e Clapton (o dos Cream, claro está) foram as suas maiores influências técnicas. psicadelismo, rock, soul, blues negro e british blues em misturas experimentalistas suportadas por mais de uma dezena de músicos. o funk  dos 70’s começou aqui. valerá apenas referir «maggot brain» 1971 e «free your mind and you ass will follow» 1970 dos Funkadelic para o provar. black soul.  let’s funk, man!

girls with twisted pop on her panties

atm-feverray

a suécia não é só os abba. a suécia não é só metal. a suécia é também a terriola dos «the knife», duo constituído em 1999 pelos irmãos karin dreijer andersson e olof dreijer. depois da suave electrónica de «the knife» e «deep cuts» – dispensáveis – «silent shout» 2006 apostava numa evolução bem mais experimental e negra, nos limites da pop electrónica, partindo do princípio que a pop electrónica tem limites, o que é manifestamente falso, como bem se sabe. adiante. karin nasceu em 1975. em 2009 encarnou o projecto fever ray e lançou o seu primeiro album a solo. não deixa de ser curioso que na sua página do myspace se tenha identificado estilisticamente com o «black metal». a ouvir durante anos a fio. só para melómanos. ou. para qualquer nympholeptos a melhor coisa da pop são elas.  simplesmente complicado, como diria o bernard. leia-se:

 

 

Concrete Walls

i live between concrete walls
when i took her up she was so warm
i live between concrete walls
in my arms she was so warm

eyes are open the mouth cries
haven’t slept since summer

oh how i try
i leave the tv on and the radio

fever ray «fever ray» rabid records 2009

a ouvir/ver : fever ray when i grow up

ps: um primeiro «post» sobre algo sueco deveria ser sobre o bergman. todavia, há pouca cultura pop neste antro. cumprimentos. 

A Noite Passada

Montagem realizada tendo como tema a música “A noite passada” de Sérgio Godinho, através de trabalhos realizados na disciplina de Educação Visual por alunos da turma do 8.º C, da EBI Santo Onofre – Caldas da Rainha – Ano lectivo 2007/08.

Uma canção excepcional, e um excelente trabalho feito na escola mais odiada pela senhora que tem ministrado a deseducação em Portugal.

Henri Fantin – Latour na Gulbenkian

Uma exposição magnífica sobre o mais discreto dos eminentes escritores Flamengos (e seus amigos ) da sua época (1836-1904),que infelizmente tem sido pouco estudado. No entanto, a mais importante exibição da sua obra foi efectuada no Grand Palais em Paris, na National Gallery do Canada, em Ottawa e na California Palace de Legião de Honra de S. Francisco, no ano de 1982.

Vinte e cinco anos depois dois especialistas estudaram a obra do pintor, comemorando os artistas impressionistas, que colocaram Fantin-Latour no mesmo nível de Claude Monet, ou de Edouard Manet .

Fatin-Latour nasceu em Grenoble no ano de 1836 e nos primeiros anos da sua vida retratou-se a ele próprio, num execício introspectivo que nos leva a Rembrandt e Titian, numa procura incessante da expressão das emoções, através da sua própria imagem.

Trabalhou no Louvre como “copyst” e como meio de subsistência, tal como Manet ou Degas fazendo cópias de grandes “mestres” entre os quais Titian, Veronese, Rubens e Delacroix, o seu “mestre espiritual”.

Fantin- Latour era um melómano e esta sua paixão pela música foi uma das suas maiores inspirações para os seus trabalhos de pintura.

A não perder, definitivamente!