Morreu o Homem da Rádio

Este António Sérgio que não volta a fazer rádio foi tão importante para a minha geração como o outro António Sérgio, que escrevia livros, o foi para a sua.

Sei que isto para muitos será uma heresia.  Mas  quem o seguiu, desde os tempos da Rotação na RR, gravando programas inteiros nas velhas k7’s, única forma de ouvir a música que só ele passava em Portugal, e quem entenda que a música para nós ocupou o espaço dos ensaios, a comparação pode ser parva mas faz sentido.

António Sérgio abriu uma estrada de Lisboa a Londres e a Nova York que não existia, uma estrada com ligação directa às ruas de má fama, desviada de outros caminhos com passadeiras, os das todo poderosas editoras que moldavam o consumo da música moderna à maneira do negócio e da tacanhez., repetindo infindáveis Baby I Love You.  Trazia canções que nos falavam de jovens urbanos chateados com o mundo, e era isso que nós também queríamos ter o direito a ser. Há uma revolução escondida nessas esquinas, obrigado por nos teres trazido decibéis dela.

Resta-me a consolação de saber que quando chegar ao inferno ele já lá estará a passar música. Pobre Diabo, a sua vida nunca vai ser a mesma.

 

 

 

 

Comments


  1. bela homenagem, João.


  2. Foi, sem dúvida, um dos grandes nomes da rádio portuguesa, marcando uma época. Deu a ouvir o que não se ouvia por cá. Tinha um estilo próprio e ‘registou’ uma marca.

  3. figueiredo says:

    Eu não diria melhor. Talhada no carvão, a integridade do António Sérgio é um diamante raro que saberei guardar