Mundivisão

O Ministro dos Negócios Estrangeiros – o mais aristotélico membro deste governo – escreve hoje no jornal PÚBLICO um interessante texto sobre a importância dos pormenores e das coisas “aparentemente laterais” na prossecução da política externa.

Esta intervenção pública foi, aparentemente, suscitada pela recente vitória de um artista português no festival da Eurovisão, mas o seu propósito parece ser o de chamar a nossa atenção para os diferentes planos em que se desenvolve a política externa de um país, sendo alguns deles, necessariamente, de visibilidade reduzida, outros de importância improvável na estratégia político-diplomática portuguesa. Nos tempos recentes têm sido vários os exemplos de sucesso dessa estratégia, mas é de sublinhar – e elogiar – que a Cultura, seja ela “de massas” ou de elites, se afirme como instrumento de diplomacia e, mais ainda, que o faça através de uma disrupção rigorosamente calculada, cujo propósito foi afirmar – e impor –  um paradigma novo. Houve força para isso, o que é de assinalar.

É muito interessante verificar também que, tendo sido meticulosamente preparada a campanha na Eurovisão, com toda a racionalidade positiva e cartesiana que caracteriza um projecto político desta magnitude, o objectivo final tenha sido alcançado por um “agente” improvável, muito mais próximo de Diógenes do que de Aristóteles. Ter ganho foi importante, mas muito mais importante foi ter ganho um novo paradigma, nascido da vontade de influenciar o rumo da civilização, desafio de que Portugal não pode eximir-se.

Festival da Canção

Parabéns ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva. Excelente trabalho.

Machete vai hoje a S. Bento.

Melhor seria se fosse às compras.

Paulo Portas, funcionário do PC chinês

Anseio por voltar a assistir a um debate parlamentar em que Paulo Portas atire à cara do PCP os defeitos da China ou de outras ditaduras de origem ou natureza comunista com quem, entretanto, Portugal tenha negócios. Aliás, o termo “negócios”, que faz parte do título ministerial de Portas, ganhou o sentido puramente empresarial de quem trabalha para vender o país a quem dar mais dinheiro, independentemente da sua proveniência. [Read more…]

Kuwait invadido…

…pelos assessores presidenciais que tão bons conselhos e sapiência prodigalizam ao Prof. Cavaco Silva.

O Kuwait foi parte de uma República nos saudosos tempos do Senhor Saddam Hussein, mas tal felicidade foi sol de pouca dura, pois o emir regressou. Mesmo assim, pretendendo nomear um Leitão como embaixador português naquela Monarquia muçulmana, o Palácio de Belém tomou um lugar numa máquina do tempo e decretou um posto naquela  “antiga parte de República”.

Um simples fait-divers que passou despercebido a PPC e a PP. É a República Portuguesa no seu melhor. Viva…

Carta da AAP

Exmo. Senhor

Ministro dos Negócios Estrangeiros

Dr. Luís Amado

ministro@mne.gov.pt

Cc. gmne@mne.gov.pt

Palácio das Necessidades, Largo do Rilvas

1399-030 Lisboa

Senhor Ministro Dr. Luís Amado:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa e indignada com o teor do recente discurso de apresentação das Cartas Credenciais do novo Embaixador de Portugal junto do Vaticano que, no nosso entendimento, aproveitou a ocasião para exprimir a sua subserviência e devoção pessoal à Igreja em desrespeito do seu dever de representar este país laico e soberano.

Assim, a AAP vem junto de V. Ex.ª solicitar que se digne informá-la se o discurso do Sr. Embaixador representa o pensamento do Governo ou se, pelo contrário, foi um discurso que merece a reprovação do Governo de Portugal, por se apresentar o Sr. Embaixador como «o intérprete da arreigada devoção filial do Povo Português à Igreja e a [Sua] Santidade», ignorando o pluralismo ideológico, os princípios de liberdade religiosa, e uma boa parte da população do País que o Sr. Embaixador foi incumbido de representar.

Para o Sr. Embaixador pode ter sido a maior honra pessoal e profissional da sua vida dirigir-se ao «Beatíssimo Padre», mas o embaixador Fernandes Pereira não foi nomeado para representar um grupo de peregrinos. Portugal é um Estado laico, não um protectorado do Vaticano, e muitos portugueses reprovam o mal que as políticas de cariz teológico desta Igreja têm feito à humanidade, nos países onde a SIDA dizima populações, nas posições em relação à contracepção e planeamento familiar, à saúde reprodutiva da mulher, à sexualidade e à igualdade de direitos entre os sexos.

A alegada emoção do Sr. Embaixador com a canonização de D. Nuno Álvares Pereira também não é partilhada por muitos portugueses que, uns pela sua descrença e outros pela sua crença, consideram que declarar milagrosa a cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com uns salpicos de óleo de fritar peixe, é uma decisão pouco digna e menos justificável ainda. A AAP reconhece ao Sr. Embaixador o direito de ter a sua opinião acerca desta matéria, mas exige de um Embaixador de Portugal que represente o seu País e não apenas a sua opinião pessoal. [Read more…]

Carta aberta ao Ministro dos Negócios Estrangeiros

Exmo. Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros,

Não nos restando muito tempo para evitar o pior, vou directamente ao assunto e vou ser muito frontal. Peço-lhe que não o considere uma falta de respeito. Vou lhe falar de ESTRATÉGIA.

A ideia de que Portugal, para tornar o PEC suportável e bem sucedido, precisa de mais receitas provenientes do crescimento da economia é, em princípio, correcta. Neste sentido, desde há mais de 15 anos postulo que Portugal “reforce relações”. Infelizmente a “euro-farra” toldou a visão para este objectivo fundamental. Agora chegou a hora da verdade!

Desculpe que lhe diga: a sua frase “sobretudo quando a situação económica exige que Portugal mobilize todos os seus recursos para vender mais”, não acerta, em termos estratégicos, no objectivo certo. Por isso, quanto muito, poderá ter sucessos passageiros. [Read more…]