Dança de boys na EDP

Apesar de estar hoje sob a égide de outro estado, uma ditadura à qual os pseudo-liberais que engavetaram a social-democracia alegremente entregaram o controle estratégico de uma das mais importantes empresas nacionais, a EDP continua a ser um prestigiado viveiro de boys do bloco central e do seu pequeno táxi populista. Hoje ficamos a saber que Eduardo Catroga, boy de Pedro Passos Coelho, será substituído por Luís Amado, destacado boy socialista, para integrar um órgão repleto de profissionais do tacho como Braga de Macedo, Celeste Cardona ou Ilídio Pinho. Avante, camaradas!

Luís Amado vs. Retórica do Rato

Luís AmadoEnquanto uma catrefada de comentadores e bojardadores politiqueiros bojarda todos os dias supostamente à Esquerda, com brios de Esquerda, e sobretudo a partir da trincheira enlameada do PS, temos excepcionalmente um socialista, um português, um homem, que, por sistema e em tudo o que vai dizendo, ousa ir ao arrepio desse dictat hoje extremista, radicalista, hiperbolicista, da dita Esquerdice Furiosa, Mal-Humorada e Sempre-de-Mal-com-a-Vida. Luís Amado. [Read more…]

O jornal A Bola e as aspas

Já nos vamos começando a habituar a esta excelente prática. Qualquer dia, em vez de “reflete” teremos reflete (sic) ou mesmo *reflete. Devagar, devagarinho, regressaremos a reflecte — e não só: voltaremos igualmente a acção, a direcção, a decepcionado, a corrector, a pára, enfim, paulatinamente, regressaremos à ortografia.

abola 6112013

Luís Amado e a Jangada de Passos

Chamo a atenção para o que tem sido a palavra convergente [com o Governo] de Luís Amado [o dissidente-herói em lume brando do anterior Governo Despesista ManiCómico]. Está num Banco, dirige um Banco, tem mais é que falar. Falar é importantíssimo, especialmente para um banqueiro que varie o tom e o modo dos ulrichs e dos outros. Falar sobre poesia, coelheira, cultura, caça e, claro, sobre política, em contraponto total ao que tem sido o discurso abaixo de baixo [porca demagogia!] do PS-não-alternativo.

Não vale a pena começar agora a separar a política dos negócios, uma vez que os negócios e a política fizeram um pacto e têm um coito com décadas, os quais, para resumir, explicam grande parte desta crise estrutural portuguesa, pelo que falar de uma é falar dos outros e unir o que o interesse nunca separou. A política deve-nos, aliás, grandes explicações pelos efeitos nulos e contraproducentes dos grandes negócios entretecidos até ao último momento pré-Troyka. [Read more…]

A doce vertigem do eufemismo agressivo

A linguagem dos políticos (e a de Cavaco Silva) é feita de pormenores saborosos para o hermeneuta cínico em que me tornei. Na esteira da “abstenção violenta” enunciada pelo jovem idoso António José Seguro, venho propor a noção de “eufemismo agressivo”, em que se enquadram os ataques que os políticos portugueses (e Cavaco Silva) fazem uns aos outros. No fundo, não chegam a ser ataques, são pequenos empurrões carregados de um mal disfarçado erotismo.

Cavaco Silva, talvez por não ser um político, é bastante desajeitado no uso do eufemismo agressivo. Na verdade, ao querer pôr fim à situação que criou, aconselhando as pessoas a ler o prefácio do seu último livro na íntegra, acusa-as implicitamente, de serem estúpidas. Depreende-se que, uma vez lido o prefácio, deixará de haver razões para a polémica existente. Se é assim, prefiro não ler.

Nas declarações de Cavaco surge, ainda, um eufemismo agressivo que um político não desdenharia utilizar: “falta de lealdade institucional”. O eufemismo – neste caso, o supérfluo – está no adjectivo: o que interessa, evidentemente, é a deslealdade, atitude feia, seja institucional ou não. Estão criadas as condições para que um político mais arrebatado chame a “cabrão institucional” a um adversário político, sem que isso possa ser considerado sequer polémico.

Também delicioso, pelo seu treino na diplomacia, é Luís Amado, que usa a habitual argumentação em defesa da paz podre, sempre em nome da “coesão nacional” e desejando “amplos consensos”, mas nada disso se compara à doçura de qualificar a acusação de Cavaco como “relativamente injusta”, apertando o lóbulo da orelha presidencial e atingindo, ao mesmo tempo, as partes baixas de Sócrates, o que demonstra conhecimentos de artes marciais.

Já Vital Moreira, que não pode sentir o filósofo parisiense em perigo, é um impotente do eufemismo e, puxando dos seus galões de constitucionalista, dispara, sanguíneo, que o primeiro-ministro pode informar o Presidente quando quiser e que não pode estar sempre a dar conta de tudo o que se passa na governação, igualando a compra de agrafos à imposição de um PEC.

Em conclusão, e diante desta opereta, poderei dizer, à maneira de Cavaco Silva (ou de um político), que a política portuguesa é uma merda institucional.

Erros nossos, má gestão, poder ardente

Amado Camões e os erros socialistas

Amado assume que governo cometeu erros num comício do PS

Sem asas, na ONU

Portugal votou como devia. Voltámos à normalidade e… os aviões ficam em terra.

Votos, negócios e temores

A actual situação de guerra total e sem olhar a meios, exige a obliteração do regime do Sr. Kadhafi. Não pode haver qualquer ensejo de contemporização para com o déspota, ou pretender a reforma de um regime que durante quarenta anos, empilhou provas insofismáveis da sua marginalidade. Propor um “período de transição” com a gente que comanda em Trípoli, pode levar muitos a pensar que consiste numa tentativa de “salvar o que possa ser salvo”. Ali, pouco ou nada existe para aproveitar e este deve ser um capítulo definitivamente encerrado.

O ministro Luís Amado finalmente acedeu a esclarecer a posição portuguesa, que contudo permanece prisioneira ao estranho princípio de um compromisso que todos sabemos muito difícil. De qualquer forma, as suas declarações no Maputo representam já qualquer coisa, mesmo verificando-se a existência de algumas zonas cinzentas no discurso. De facto, qualquer apeasement é inaceitável. [Read more…]

Amigos amigos, negócios à parte


Os corporativos andam aflitos. Publicam fotos de toda a gente, mas nada daquilo que se espera, apesar das recomendações do sr. Amado quanto a “adaptações inadiáveis”, por exemplo. Já nem sequer falamos dos sectores camaradas do BES, PT e quejandos, mas tão só, de “assuntos de Estado” como eles importantemente gostam de fazer crer.

Aguardam-se ansiosamente, as fotos do grande líder Kadhafi em Lisboa e especialmente, aquelas onde surge o sr. Sócrates e a sua entourage de negociantes de areias em terra de desertos. O google está cheio delas, é só procurar as tendas, o forte à beira Tejo, as “valquírias” que tanto deslumbraram os cooperantes do Público, Expresso e afins. Pelo sim pelo não, já fomos recolhendo algumas fotos da passagem do “caixeiro viajante” que Ahmadinejad enviou às Necessidades, não vão os “boys de serviço” fazê-las desaparecer. Se estivesse no lugar deles, aconselharia o grande-chefe a agendar um encontro com Reza Ciro Pahlavi. Há que garantir os próximos tempos.

É vê-los agora, a sacudir a água do capote. O pior é que estão sob uma portentosa queda, ao estilo Niágara.

A tropa de Kadhafi em deserção


Podem debalde procurar no Público, no Diário de Notícias ou no Expresso. Nem uma linha ou sugestão de algo que perturbe a eufórica festança da “liberdade”, já corporizada por quem se mete na primeira fila para o exercício do poder que aí vem.

Os assassinos de Anwar el-Sadat e treinadores dos aeronautas do 11 de Setembro, mais conhecidos como Irmandade Muçulmana do Egipto, declararam rejeitar a possibilidade de cristãos ou mulheres poderem candidatar-se à presidência do país. [Read more…]

A caneta é mais forte do que a espada e o discurso é uma arma

Os discursos portugueses são catalisadores. Depois do episódio do ministro e secretário de estado lerem o mesmo discurso, é agora a vez de um ministro indiano sucumbir ao poder da palavra portuguesa.

Já era conhecido o caso da anedota mortal, tão bem documentada pelos Monty Python, que era tão mortífera que morreria de rir quem a lesse na totalidade. Foi arma de guerra contra os alemães, com exércitos inteiros a lerem apenas palavra a palavra e em alemão. Devastador.

Eis que agora, depois de darem mundos ao mundo, oferecem os portugueses mais este notável artefacto, saído direitinho das Novas Oportunidades: o discurso pega-monstro. Tal como esse brinquedo que se atirava às paredes e por elas escorria viscosamente, este género de discurso cola-se ao orador, levando as cordas vocais da vítima a proferir as palavras escritas.

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Um ministro muito amado

A página da wikileaks está outra vez em baixo, fruto de um ataque mais forte que o de Domingo, cujo autor já está identificado (um militar reformado norte-americano que se assina “th3j35t3r”). O acesso na China foi puro e simplesmente barrado.

Entretanto hoje terá aparecido o primeiro dos 722 telegramas com origem na embaixada em Lisboa. Digo terá porque não encontro dele qualquer vestígio (os conteúdos estão republicados noutros locais que não foram atacados).

Segundo os jornais portugueses o telegrama refere-se aos voos da CIA e o seu conteúdo é resumido no Público (alô Teresa de Sousa). O nosso ministro Amado precisou de carinhos: “neste momento, seria do nosso interesse bajulá-lo bastante”.

Por falar em carinhos, o fundador da wikileaks já tem um mandato de captura da Interpol por violação de duas cidadãs suecas com quem teve sexo consentido. A acusação de pedofilia vem já a seguir: as moças estão a tomar banho num elixir da juventude e prometem regressar com 6 anos de idade.

A filha do ministro

Carolina Amado e Barack ObamaCarolina Amado, filha do ministro dos Negócios Estrangeiros, posou para uma foto com Barak Obama. Inesperado? Parece que sim. Mas mais surpreendente para mim foi ela fazer parte da comitiva de recepção.

Parece que a esposa do ministro o costuma acompanhar e desta vez não podia, tendo por isso ido a filha. Mas parece que a esposa de Obama também o costuma acompanhar e não estava lá. Nem as filhas dele. Nem, aliás, as esposas nem as filhas nem os filhos dos restantes membros da comitiva de recepção.

Portanto, inesperado para mim foi ver a filha do ministro lá. Aliás, ela nem constava do protocolo, o que aponta para uma frágil explicação sobre a indisponibilidade da esposa do ministro.

Carta da AAP

Exmo. Senhor

Ministro dos Negócios Estrangeiros

Dr. Luís Amado

ministro@mne.gov.pt

Cc. gmne@mne.gov.pt

Palácio das Necessidades, Largo do Rilvas

1399-030 Lisboa

Senhor Ministro Dr. Luís Amado:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa e indignada com o teor do recente discurso de apresentação das Cartas Credenciais do novo Embaixador de Portugal junto do Vaticano que, no nosso entendimento, aproveitou a ocasião para exprimir a sua subserviência e devoção pessoal à Igreja em desrespeito do seu dever de representar este país laico e soberano.

Assim, a AAP vem junto de V. Ex.ª solicitar que se digne informá-la se o discurso do Sr. Embaixador representa o pensamento do Governo ou se, pelo contrário, foi um discurso que merece a reprovação do Governo de Portugal, por se apresentar o Sr. Embaixador como «o intérprete da arreigada devoção filial do Povo Português à Igreja e a [Sua] Santidade», ignorando o pluralismo ideológico, os princípios de liberdade religiosa, e uma boa parte da população do País que o Sr. Embaixador foi incumbido de representar.

Para o Sr. Embaixador pode ter sido a maior honra pessoal e profissional da sua vida dirigir-se ao «Beatíssimo Padre», mas o embaixador Fernandes Pereira não foi nomeado para representar um grupo de peregrinos. Portugal é um Estado laico, não um protectorado do Vaticano, e muitos portugueses reprovam o mal que as políticas de cariz teológico desta Igreja têm feito à humanidade, nos países onde a SIDA dizima populações, nas posições em relação à contracepção e planeamento familiar, à saúde reprodutiva da mulher, à sexualidade e à igualdade de direitos entre os sexos.

A alegada emoção do Sr. Embaixador com a canonização de D. Nuno Álvares Pereira também não é partilhada por muitos portugueses que, uns pela sua descrença e outros pela sua crença, consideram que declarar milagrosa a cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com uns salpicos de óleo de fritar peixe, é uma decisão pouco digna e menos justificável ainda. A AAP reconhece ao Sr. Embaixador o direito de ter a sua opinião acerca desta matéria, mas exige de um Embaixador de Portugal que represente o seu País e não apenas a sua opinião pessoal. [Read more…]