“Isabel dos Santos a propósito do processo da OI “O meu forte não são as contas” [Expresso]
Zeinal Bava e a irrelevância

© Mário Proença/Bloomberg (http://bloom.bg/14NfApG)
Apesar de continuar sem conhecer – e sem querer conhecer – a resposta à pergunta “Quem tramou Zeinal Bava?”, o meu interesse na tese da irrelevância mantém-se. Gostei de ler as notícias de ontem, acerca dos esclarecimentos que a Oi vai pedir a Zeinal Bava, pois estes podem ser extremamente importantes para dissipar algumas dúvidas que possa ainda haver nas cabeças daqueles que nos governam.
Por exemplo, quando é feita a transcrição de excertos de um texto escrito em português do Brasil, [Read more…]
Zeinal Bava e o Lince

© Nuno Botelho (http://bit.ly/1t4CXFC)
“Quem tramou Zeinal Bava?”, pergunta-nos o Público. Não faço a mínima ideia. No entanto, à primeira vista, diria que este desfecho apenas vem confirmar a tese da irrelevância.
Ao ler
Facto relevante: o comunicado da Oi que anuncia a saída de Zeinal
e
FATO RELEVANTE,
num jornal com recaídas de excelência ortográfica, lembrei-me de uma citação de Ivo Castro que divulguei em 2009 (p. 94)
Nós dizemos ‘facto’, escrevemos o c. Os brasileiros dizem ‘fato’ não escrevem o c. Portanto, mantêm-se as grafias duplas.
Como é sabido, nada disto impediu que fossem dados todos os passos necessários em direcção ao abismo ortográfico.
Ao folhear o diploma mencionado no ‘fato relevante’, isto é, a Lei nº 6.404/76, decidi alimentar o Lince (sim, o Lince) com o articulado e obtive os seguintes comentários:
respectiva convertido para respetiva
respectivas convertido para respetivas
respectivo convertido para respetivo
respectivamente convertido para respetivamente
prospecto convertido para prospeto
perspectiva convertido para perspetiva
aspectos convertido para aspetos
Resumindo: apesar de em português europeu se escrever respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, o conversor Lince (adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011) não admite estas grafias. No entanto, em português do Brasil, tais grafias são perfeitamente legítimas — aliás, “em atendimento” a um parágrafo de um artigo de uma Lei com respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, ficámos a saber que “o Sr. Zeinal Abedin Mahomed Bava renunciou nesta data ao cargo de Diretor [sic] Presidente da Companhia”.
Sem sombra de dúvida, mais uma vez, eis-nos perante um “passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.
Asneira, da grossa
Dá-se o caso de a Oi não fazer parte do clube de amigos encostados ao Estado Português e a viver dos impostos pagos por alguns portugueses. Por essa razão, a decisão da PT emprestar 900 milhões de euros ao GES, ou seja, cerca de metade dos seus activos, não passará em claro, como aconteceria se estivéssemos perante uma bpn-íce, na qual até se tornou em problema público o que era um buraco privado.
Venha ou não a dar-se o caso do GES conseguir pagar o empréstimo, e falido como está as probabilidades de não pagar são elevadas, nunca uma administração digna desta designação aprovaria este empréstimo. E o curioso é que não aprovou. Este empréstimo foi autorizado sem ir a conselho de administração. Parece que há uma coisa a que se chama de Regulador, o BdP, e outra designada CMVM, questões de formalismo que em nada impedem as negociatas, como é bem patente neste caso. Eventualmente haverá uma outra coisa a que alguns chamam de Justiça e que terminará em prescrições e sem consequências, como vem sendo hábito.
Não se tratasse de uma empresa estrangeira e já os nossos bolsos estariam a arder, como nos swaps e nas rendas eléctricas. Preocupante é que tratando-se do país que é, Portugal, e do banco que é, o do regime, espera-se o pior, que a abundante promiscuidade entre banca e política encontre forma de resolver o problema deles indo-nos ao bolso na mesma.
Ganhando milhões, queimando outros tantos
Pelo que li no artigo de ontem do Pedro Santos Guerreiro no Expresso, o “investimento” da PT na Whatever Espírito Santo (ou Espírito Santo Whatever, depende dos dias) não está a correr lá muito bem. Para além das perspectivas pessimistas dos gurus do mundo financeiro, e da expectativa de que o prazo para o reembolso do investimento não seja cumprido, existe a possibilidade de que as perdas provocadas pelo investimento possam comprometer os objectivos da empresa no processo de fusão com a Oi. Oi?
Após avaliação decorrente do processo de fusão com a Oi, os activos da PT foram estimados em qualquer coisa como 1900 milhões de euros, o que corresponderia a uma participação da PT na nova empresa de cerca de 37%. Ora como sabemos, a PT queimou recentemente cerca de 900 milhões de euros em “papel” – qual papel? – de uma Espírito Santo Whatever qualquer, quase metade do valor da avaliação. Por causa deste tiro voluntário nos dois pés, os tais 37% podem cair para algo entre 20% e 30%. Queima dinheiro, compromete a sua posição num negócio fundamental para as ambições da empresa e ainda vê as suas acções caírem perto de 20% em bolsa, uma das mais acentuadas quedas da história da PT.
Perante tudo isto, alguém por favor me explique isto porque eu aparentemente sou ignorante demais para perceber: quem são os idiotas que remuneram principescamente este tipo de incompetentes? É isto a gestão de topo em Portugal?
Desde já o meu muito obrigado.
P.S. O camarada Maduro envia cumprimentos.
O relevante facto da irrelevância do Acordo Ortográfico
Esta notícia, bem recebida “no mercado”, foi confirmada através de um comunicado à CMVM e de um Facto Relevante. Perdão, fato: Fato Relevante.
Quando Zeinal Bava, Nuno Vieira e Luís Pacheco de Melo tiverem tempo, expliquem-me, sff, como é que vão descalçar a bota dos ‘contactos’ e dos ‘factos’ presentes no comunicado. Gostaria imenso de conhecer a reacção dos parceiros da Oi a tais exotismos ortográficos.
Escusado seria repetir que “convém reflectir sobre a dimensão desagregadora do exercício AO 90, considerando os inúmeros casos em que no Brasil se conserva a grafia anteriormente comum, passando em Portugal a adoptar-se uma grafia obscura e exclusiva”.
Contudo, no comunicado à CMVM, temos “respetivas holdings assinaram”, “assumirão, respetivamente, o cargo”, “os respetivos passivos”, o respetivo relatório de avaliação (laudo)” e “o respetivo arquivamento”, embora, no Fato Relevante, apareçam “respectivas regiões de atuação”, “respectivo laudo submetido”, “equivalentes a, respectivamente, R$ 5,8 bilhões”, “respectivos direitos de prioridade”, “respectivas participações”, “respectiva eleição”, “assumirão respectivamente“, “respectivo valor patrimonial” — pronto, já chega.
Não, não chega: no Fato Relevante, temos “perspectivas e expectativas“, mas, no comunicado à CMVM, surgem “perspetivas e expetativas“. Sim, expetativas e não expectativas — isto é, quando a semelhança aparece, recorre-se ao expediente desagregador.
Aguardo, confesso, com alguma expectativa, os próximos episódios desta telenovela da “unidade da língua portuguesa” e “[d]a sua universalização” ou da “unidade essencial da língua portuguesa” e do “seu prestígio internacional” — relativamente a este aspecto, a doutrina, aparentemente, divide-se.
Enquanto aguardo, com a tal expectativa, aproveito para fazer uma pergunta que nada tem a ver com (orto)grafia: os clientes portugueses da CorpCo poderão aceder ou terão de acessar? Era só uma pergunta.
E dois pedidos de esclarecimento: convinha explicar quer o motivo de o significado de ‘laudo’ aparecer no comunicado à CMVM, quer a razão para surgirem “5,8 mil milhões de reais” no comunicado à CMVM e “R$ 5,8 bilhões” no Fato Relevante. Afinal de contas, não nos esqueçamos, está em causa a “unidade essencial”.
Oi?
Então a Vivo não era estrategicamente muito importante para o futuro da PT?
– Oi?
Então a presença da PT na Vivo não se enquadrava numa afirmação dos interesses financeiros portugueses na América Latina?
– Oi?
Então a «golden share» não foi usada exactamente para evitar a venda da Vivo por parte da PT?
– Oi?
Então o primeiro-ministro que era contra a venda da Vivo à PT agora já é a favor?
– Oi?
Então a Oi não é infinitamente mais pequena do que a Vivo?
– Oi?
Então foi tudo um golpe do pândego do primeiro-ministro para parecer que é de Esquerda?
– Oi?









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