O pântano, sempre o pântano

É uma das nossas tradições, esta dos governos terminarem manchados não apenas pela incompetência governativa, traduzida na incapacidade de sanar aquilo que eles mesmos começaram por definir como sendo os males do país”, mas igualmente pela suspeita de corrupção, tráfico de influências, abuso de poder, peculato. É o pântano e dele não saímos.

Os nossos governantes têm sido moralistas grasnantes, do alto dos seus pés de barro mal cozido, aparelhados com um discurso inchado de presunções de ética irrepreensível e integridade. As flagrantes traições às promessas eleitorais são sempre justificadas pelos números até aí debaixo dos panos, as conjunturas imprevistas. E já nem os preocupa a necessidade de camuflar a mentira, tal a fé na fraqueza de memória dos eleitores. No melhor dos casos, terminam os seus mandatos tingidos pela suspeita de serem coniventes com a corrupção instalada. Acabam invariavelmente apanhados pela contradição entre o seu discurso e as suspeitas nunca inteiramente provadas do que foi a sua prática. São criaturas formadas pelos partidos, pequenos “golem” amassados no barro do carreirismo nas juventudes partidárias, da vida profissional à sombra do partido, do parlamentarismo guiado pela obediência servil e pelo cálculo. [Read more…]

Obrigado, Porto!

Porque neste atoleiro político dos que dizem que não há pântano, só tu, Porto, para me fazeres acreditar que é possível mudar.

Mais más notícias…

pantano

Já não bastava existirem engolidores de sapos, agora ainda mais esta.

Lapsus linguae e desejo de voltar ao passado

Comecei por achar que foi gafe mas agora convenço-me que a Lusa e demais comunicação social encontraram a solução para os problemas do país. Com efeito, ao chamarem “Plataforma de Voluntários Sócrates 2001” à acção de campanha de ontem, mostraram que sair deste buraco implica voltarmos 10 anos a trás, tempo em que

  • as SCUT e as PPP ainda não eram forma de fazer obra sem dinheiro (para os outros, que somos nós agora, pagarem);
  • não haviam sido feitos os estádios do Euro2004, que agora estão às moscas e para os quais até se defende a demolição de alguns, face à sua inutilidade;
  • ainda o BPN e o BPP ainda não tinham sido nacionalizados, com os enormes buracos financeiros a serem incorporados nas contas do Estado, sem que se perceba com que objectivo;
  • não tinham sido inventados os ajustes directos, ganhando os concursos quem apresentasse a melhor oferta (ou quem fizesse o melhor lobbying, mas os perdedores podiam apresentar reclamação e, mais cedo ou mais tarde, quem ganhava por cunha acabava denunciado);
  • a Educação ainda não tinha sido transformada em campo de chacina para se conseguir impor alguns cortes salariais;
  • a Justiça funcionava tão mal como hoje mas ainda gozava de alguma credibilidade.

Há 10 anos ainda o país tinha solução. O «pântano» já existia mas ainda anos e anos de governação socialista, com o interlúdio PSD, não o tinham transformado no pantanal.

PIB e despesa: 1997-2010

Pântano? Não, charco!

Um pântano é coisa demasiado grande e luxuosa para esta gentinha. Charco, chafurdem no charco, divirtam-se, libertem a vossa natureza mais íntima, mas párem lá de sujar tudo o que está à vossa volta.