Quem te tramou, futebol?

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Já defendi aqui que o regresso de João Loureiro à presidência do Boavista FC tinha que ver com a crescente expectativa de que seriam anuladas as penalizações ao seu futebol e que os axadrezados do Bessa exigiriam contrapartidas. Escrevi, então, que a família Loureiro nunca esteve, de facto, desligada, sendo certo que os senhores que ocuparam a cadeira do poder boavisteiro nunca conseguiram distanciar-se do anátema de que eram emanações pagas numa gestão simulada (pelo menos, da fama não se livram), aguardando o desenrolar dos processos na justiça desportiva da FPF.

Fui insultado, o que neste país é usual quando as nossas opiniões são diversas.

Convém dizer que nunca escondi as minhas preferências clubísticas, que pertencem a outra zona da cidade. Tenho, no entanto, muitos amigos no clube “pantera”, e os últimos jogos que vi ao vivo foram de camarote, por convite, no estádio do Bessa.

Não me move, por isso, qualquer parti pris, mas também não nutro qualquer afecto superlativo, talvez pela rivalidade que sempre houve entre uns e outros, eles e os meus. Leio apenas os sinais, colijo informação, oiço quem sabe, respeito quem está por dentro e não quero expor fontes.

Não preciso, aliás, de as expor porque os próprios interessados, se dúvidas houvesse, enunciam, em público, o que os anima.

Por fora, parece-me, contudo, bizarro que, decididos a favor os processos, a justiça não possa ser aplicada por inteiro, vindo sempre o fantasma da tutela internacional estragar a festa.

Partindo do princípio de que o Boavista tem razão, será justo que se paguem indemnizações e se coloque o clube no lugar donde foi apeado sem suporte legal. Mas, a crer em João Rodrigues, isso custaria ao futebol português o seu afastamento das provas internacionais: selecções e clubes poderiam ver suspensas as participações na Liga Europa, Liga dos Campeões, campeonato da Europa, campeonato do Mundo… uma enormíssima trapalhada com consequências imprevisíveis mas muito, muito, graves.

Ou seja, o Boavista, que solveu nos tribunais a sua honra e foi ressarcido, tem agora de assumir um compromisso com o futebol português de forma a não prejudicar terceiros, como se a culpa fosse sua por ter avançado para a justiça. Brilhante!

Uma questão de carga

Entre as intenções de medidas anunciadas pelo Governo, encontra-se a agilização do despejo em sede de arrendamento quando não é paga a renda.

É importante dar garantias a quem investir para arrendar que no caso de não receber a renda, pode pôr o caloteiro no olho da rua em tempo útil e razoável. Bem como promover a requalificação no nosso imobiliário tantas vezes degradado e devoluto, o que importa investimento em obras. Estas duas vias poderão ajudar, e muito, o alívio da profunda crise porque passa o sector da construção civil, segurando-se muitos postos de trabalho cada vez mais preciosos. Principalmente face à crescente dificuldade de crédito para compra de imóvel.

Lamentável é que sempre que se queira dar celeridade aos expedientes, a via seja a de se retirar as matérias da alçada dos tribunais. Ou seja da Justiça. Não se põe os tribunais a operar segundo novos modelos – ou como é moda dizer-se, novos paradigmas – procedimentais mais céleres e eficazes. Antes retira-se dos tribunais as matérias até então aí tratadas, sendo que aquelas que por lá permanecem, continuam no mesmo ritmo brando.

Isto é como transportar coisas de burro: diminui-se o peso das costas do burro, mas continua-se a usar burro.

Julgados de Paz – Justiça célere e barata

Até ao final de 2009 os 23 Julgados de Paz resolveram 31 823 processos, isto num país onde a Justiça tem atrasados 1,2 milhões de processos.

Para os fragilizar chamam-lhes “tribunais de condomínio” mas a verdade é que são muito mais do que isso, o termo depreciativo encobre o desejo que poucos o utilizem, porque são acessiveis, razoáveis e rápidos e o valor do processo ronda os 70 euros.

O processo em média não ultrapassa os dois meses, há um envolvimento efectivo do tribunal na resolução do problema e dos mais de 30 000 processos entrados ao longo destes oito anos, apenas em 0,01% foi apresentado recurso de decisões. Em 80% dos casos as partes estão representadas por advogado, mas os tribunais judiciais  comuns não remetem processos, o que poderia contribuir para aliviar aqueles tribunais da sobrecarga a que estão sujeitos.

Os próprios advogados ainda estão pouco abertos a esta solução alternativa para resolução dos litígios dos seus constituintes, uns por desconhecimento da capacidade e da eficácia dos Julgados de Paz, outros por desconfiança, e ainda outros por estratégia.

Processos que envolvem Sócrates: Ou são destruídos ou desaparecem

Não há qualquer problema. Se José Sócrates está envolvido, destrói-se. Se não der para destruir, «perde-se».
Um tipo de «tratamento de dados» que faz escola entre os socialistas. Quem não se lembra de como desapareceu da Câmara de Lisboa, num misterioso incêndio, o processo das velhas construções que existiam no local onde hoje se encontra a Fundação Mário Soares?

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Um advogado bem escolhido

O sucateiro biGodinho contratou o advogado Rodrigo Santiago. Fez bem, é um dos melhores advogados portugueses e já começou a mostrar serviço ao afirmar hoje que o seu cliente "é apenas a ponta de um iceberg" de um complexo processo que pode "envolver figuras da hierarquia do Estado".

Se eu fosso muito ingénuo diria que esta frase tem todo o sentido vinda de quem nas últimas eleições autárquicas foi candidato à Assembleia Municipal de Coimbra e prometeu ser “implacável relativamente a quaisquer formas de corrupção, compadrio ou tráfico de influências”.

 

Como não sou tão tótó como isso, sempre tenho em conta que se trata também do defensor de J. Eduardo Simões, presidente da Académica OAF e ex-director do Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal, acusado de ter utilizado esse cargo para obter junto do pessoal das imobiliárias e afins financiamentos ilícitos para o clube de futebol.

Processos que se vão arrastando como é de uso e tradição, estando um em vias de ser marcado embora a data da audiência possa "ficar ainda à mercê de outra decisão da Relação atinente a um recurso interposto pelo advogado Rodrigo Santiago a respeito de outro inquérito (segundo) em que foi deduzida acusação a Eduardo Simões."

 

É portanto de um excelente profissional que falamos, e se a  sua estratégia para a defesa do homem de Ovar for aquilo que parece ser a coisa promete e pode ir tudo abaixo. Pode, que não sou tão ingénuo como isso, e estas ameaças veladas costumam provocar o efeito pretendido, este número do não me lixes ou meto a boca no trombone raras vezes dá música.

 

Adenda: acabo de saber pelo João Soares e via facebook que José Penedos é um homem empenhado na Associação Portuguesa de Ética Empresarial, onde assinou a "Carta Anticorrupção".

Invocava  agora Frei Tomás mas prefiro ir jantar e ver se faço bem a digestão.

A ilegalidade das escutas não absolve Sócrates

A primeira decisão que José Sócrates deve tomar é exigir que as escutas sejam analizadas e delas se tirarem as devidas conclusões. Não me estou sequer a referir se têm ou não validade criminal, estou a dizer que um Primeiro Ministro não pode aceitar que o seu nome ande, permanentemente, sob suspeita.

 

A comunicação do Procurador Geral da República esconde mais do que mostra, seguida das palavras atabalhuadas do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ficando no ar que as gravações há muito que andam na dança dos gabinetes.

 

Noronha diz que está sujeito ao segredo de justiça e que só o PGR poderá falar sobre o caso. Este enrola-se nas certidões primeiras, no conjunto de nove, mais não sei quantas e tudo morre como é habitual.

 

Após todos os processos, ou casos, ou campanhas negras em que Sócrates se vê envolvido há sempre gente de família, ou grandes amigos ou assessores que são arguídos .Quanto a Sócrates há sempre uma barreira que impede chegar  mais próximo dele, como se "a sucata" que os familiares e amigos fazem, fosse possível, sem essa condição.    

 

 Sócrates estar por perto e ser quem é!

 

 

 

 

 

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