Salvini, Meloni e Luís Montenegro ocupam o mesmo espaço político. SIC Notícias dixit

Em Itália, sem grandes surpresas, a extrema-direita triunfou. A única surpresa foi ver órgãos de comunicação social portugueses, alegadamente sérios, a referir-se à falange de Meloni como “coligação de centro-direita”. Que é mais ou menos a mesma coisa que dizer que entre a Lega de Salvini, os Fratelli di Italia de Meloni e o PSD da São Caetano não existem diferenças. Bem sei que estes últimos se têm esforçado por normalizar a extrema-direita, mas ainda existe uma diferença considerável entre normalizar e ser.

Dito isto, recordo que vivemos num país onde, frequentemente, nos é dito que a imprensa bate continência à esquerda, em particular os OCS do Grupo Impresa. Curiosamente, foi a SIC Notícias quem ontem insistiu na ideia de que uma coligação entre Salvini, um fascista de créditos firmados, Berlusconi, um populista corrupto, e Meloni, uma admiradora de Mussolini com o slogan Deus, Pátria, Família representa o centro-direita. Em nome do rigor jornalístico, seria de bom tom que a SIC Notícias dissesse a verdade. E a verdade é esta: sempre que o centro-direita cede à extrema, é comido e desaparece. Foi isso que aconteceu em Itália, em França e na Hungria. Não aconteceu na Alemanha porque Merkel aprendeu as lições da história e soube gerir a situação, quando, por exemplo, preferiu entregar o poder ao Die Linke, na Turíngia, ao invés de governar a região com o apoio da AfD.

Contudo, é preciso ser claro: quando a extrema-direita destrói o centro-direita, a primeira não passa a ocupar lugar do segundo. O que acontece é que o segundo desaparece. A extrema-direita será sempre extrema, mesmo nas situações em que o espectro a tem apenas a ela.

Porque é que a comunicação social portuguesa insiste neste frete a André Ventura?

Qual será o motivo que leva ao silêncio de jornalistas, pivots de telejornal e moderadores de debates e os impede de confrontar André Ventura com as suas referências e aliados políticos internacionais?

Porque não o confrontam com os terroristas que há um ano atacaram o Capitólio, directamente incitados por uma das suas grandes referências politicas, quase um líder espiritual, Donald Trump?

Porque não o confrontam com o autoritarismo de Jair Bolsnaro, outras das suas referências, que promove activamente a violência e o ódio contra minorias, jornalistas e opositores políticos, para além de múltiplos envolvimentos do seu clã de carreiristas nos mais variados esquemas de corrupção?

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Refugiados, neofascistas e o triunfo de Vladimir Putin

Que insistimos em nada aprender com a história, já todos sabemos. Que países como a Polónia queiram construir muros para não deixar passar os refugiados que chegam à sua fronteira provenientes do Afeganistão, depois das atrocidades de que foram alvo antes e durante a Segunda Guerra Mundial, quando milhões de polacos fugiam aos nazis e aos soviéticos e eram eles os refugiados a bater à porta das democracias europeias, é só a prova de que a ânsia de alargar a União Europeia até aos limites fronteiriços da Federação Russa, em cima do joelho e sem salvaguardas que garantissem o total respeito pela democracia, pela liberdade e pelos direitos humanos, foi um erro tremendo. Tanto trabalho para encurralar Putin para agora termos um exército de pequenos Vladimires instalados na União Europeia, não só Leste mas também a Ocidente. Que digam Le Pen e Salvini, um dos heróis do fachito que temos por cá, a quem só falta andar com uma t-shirt de Putin.

Oh, wait…