O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 3)

 A minha terceira mulher, detida, secundariamente como veremos, por excesso de abordagens e por exagero de decisões, resolveu pôr os seus secretos meios de comunicação a funcionar, entrando em contacto com todas as cônjuges dos seus próprios, no sentido de criar não um SIS, mas um SIM (Secreta Informativa do Mulherio).

 O primeiro passo consistia em recolher todas as informações possíveis, mais ou menos íntimas, que pudessem levar à compilação de todos os dados compiláveis inerentes às capacidades pilares de cada um, eventualmente úteis à confirmação de que a cimeira dos gajos, em termos sexuais, era irmã gémea da Cimeira das Lages, em termos políticos, isto é, a mesma filhadaputice.

 A primeira informação surgiu de imediato.

A distinta esposa de um dos convidados, que por acaso é coronel e  antigamente fazia emboscadas à mulher na cozinha e no quarto de banho e hoje só canta o hino nacional, confidenciou:

-Raramente vou aos bolsos do meu marido, e, quando vou, habitualmente é à procura de uns trocos, que é como quem diz…! Mas desta vez os lábios cerraram-se-me. Ia desmaiando quando a minha mão apanhou, no bolso do tabaco (há anos que o meu marido não fuma!) aquilo que eu julguei ser uma caixinha de adoçante. Adoçante! Adoçante o caralhinho! Uma caixa de borrachinhas! Borrachinhas! Antes deste convite nunca… tal… tinha… acontecido!

 Outra informação secreta de outra digna esposa que por acaso tivera um caso sem consequências, nascido dos olhos azuis do homem da fruta que nunca lhe enfiara fruta estragada, dava conta de que umas cuecas do filho do meio, bastante eróticas por sinal, tinham desaparecido misteriosamente da gaveta do rapaz.

 Uma outra despeitada esposa, zeladora de sacristia e muito afável para o padre nos entretantos, confidenciava:

-Por isso eu o ouvi dizer ao telemóvel, provavelmente ao amigo, em voz baixinha (sem que ele suspeitasse da minha presença), que com uma gaja boa e nova na frente, não precisava do viagra para nada! Para quem o estava a ouvir do outro lado, ele recomendava, carrega no piri-piri, pá!

 -Ora, segundo sei, o marido de uma nossa amiga assim a modos que …meia lésbica, ao qual receitaram um creme para o pénis enlargement, dizia que o piri-piri potencia a acção do viagra. Piri-piri, piri-piri! Só podia ser lá, com a mania das cariladas. Estupor! (Continua)