Ladrões de milhões

A sensação que tenho, sem qualquer exagero, quando diariamente abro o jornal, é que Portugal não é um país, mas uma quadrilha.

 Que me perdoem por este sentimento, as pessoas sérias que por cá vivem.

 São milhões que existiam mas não existem, são milhões que não se sabe onde estão, milhões que entraram e não saíram, milhões que saíram e não entraram, poucos milhões na compra, que por artes mágicas renderam muitos mais milhões na venda, poucos milhões na venda, que por artes mágicas renderam muitos milhões na compra.

 Nos governos, nas autarquias, nas instituições, nas empresas, nos bancos, em tudo por onde passam as magras economias de cada um.

 Milhões que são do país, que são de nós todos, circulando nos bolsos e nas contas dos ladrões do povo, dos ladrões nacionais, dos ladrões instituídos, dos corruptos (corrupto significa podre), dos gajos que transformaram a honra, a seriedade, a dignidade e a integridade num monte de merda.

 Belo legado às gerações vindouras!

 Li hoje o artigo de Mário Crespo no JN, intitulado “O palhaço”. Creio que é uma ofensa ao palhaço, essa bela profissão circense, e procurei ler o artigo substituindo a palavra palhaço pela palavra ladrão. Parece-me dar melhor resultado, e não ofende o nosso amigo de nariz vermelho, que não tem nada a ver com outros narizes.