O matrimónio homosexual e as opções de amar

Por curiosidade, parei a minha escrita, esse meu grande amor a seguir à minha mulher, filhas e netos, e ouvi a notícia: o Conselho de Ministros tem aprovado um projecto de lei que liberaliza o mais elementar direito do ser humano: as formas de amar. Por estranha coincidência, a proposta é aprovada no dia a seguir em que Ratzinger impõe uma lei canónica para o matrimónio católico: se dois que se amam e querem casar pela Igreja mas são de diferente fé, antes do sacramento o fiel católico deve pedir autorização à Cúria Romana, por meio do seu Pároco. Se a licença é negada, não há Sacramento e, talvez comece uma vida de amancebamento que a fé romana impede: ou sacramento, ou nada, excepto a lei civil para os filhos serem filhos de dois que se unem por amor. O bom Bispo de Braga comentava, na sua boa vontade, que era apenas uma orientação de Ratzinger. Mas, quando o Papa Romano fala, a sua voz deve ser obedecida por se acreditar que a divindade fala pela sua boca em matérias de fé.

Mas Ratizinger não é apenas Bento XVI, é também o PDS e o muito católico CDS-PP. Partidos que, como sabemos, deve contar entre os seus membros pessoas que vivem amancebadas de forma homossexual ou heterossexual. Nunca há nada puro. Se a pureza existir, não seria necessário o sacramento da confissão, que começara no Século XII, no II Concílio de Letrão. Não era para fazer introspecção como na psicanálise, era para limpar a alma em tempos em que o inferno era uma realidade viva e temida. Temida de tal maneira, que o Concílio de Trento do Século XVI criou como dogma de fé, o Purgatório. Sítio, estou certo, que deve servir aos que estão a pensar em tratar o matrimónio homossexual como um amor diferente. Eles ainda não experimentaram o sentimento definido por Freud em 1905-12 e 22, que a paixão é uma força da natureza e a libido manda na nossa racionalidade, especialmente o texto do ano 1922: O Eu e o Isso, ou o Ego e o Id. Esse Id, tem sido ultrapassado se este projecto de lei é aprovado e promulgado. Não podemos esquecer que o nosso Presidente da República tem direito a veto e toma a eucaristia de joelhos, em Fátima, que visita regularmente. No entanto, confio ma sua racionalidade e em andar nos tempos modernos: não quererá permitir, conforme a sua fé, que seres humanos vivam, como ele diria, em pecado, ou os de diferente fé, assunto apesar da concordata que não é com ele, ou os do mesmo sexo.

Se o Presidente da República é-me um problema, outro é o PSD e o CDS-PP. Conheço vários e sei das suas pretensões, que guardam escondidas por causa do povo votar ou não por eles. Parece-me incongruente. A homossexualidade, parafraseando a Jefferson e ao Abade Sieyés, ao escrever sobre independências de estados, como França e os Estados Unidos, gostaria de dizer: a liberdade de amar é do povo, criada pelo povo e para o povo a praticar.

Porque uma jurisdição diferente para este novo tipo de matrimónio, que passa de amancebamento à situação regular? Porque esse não a adopção, se, reitero, a paixão é uma força da natureza? Estamos já fartos de ouvir esse facto de alugar ventre e sémen para que os casais do mesmo género possam ser pais. É, para mim, o maior dos desastres: a mães que são pagas para dar o descendente a outros, imensas vezes fica prendada do rebento e passa a ser uma filiação a três…, o pior sintoma para uma criança que cresce e fica sem saber quais os seus verdadeiros pais. Criança com o problema da paranóia esquizofrénica as suas portas. Se o divórcio é permitido, até pela Cúria Romana, que cobra muito caro para ditar sentença e a demora imenso tempo em se pronunciar, diferente a outras confissões. Outras que, se reparam que o matrimónio danifica a família, de imediato aceita essa separação de uma união feita baixo promessa e juramento de tomar conta um do outro até a morte. Por acaso, os seres humanos de fé, não reparam no dano que cometem ao segregar do núcleo central da sociedade a pessoas que se amam e arriscam a sua vida para obedecer a sua libido, tão normal como a de qualquer ser humano? Se há pessoas que desfiam publicamente o Isso ou Id, não merecem o respeito dos seus compatriotas? Que as pessoas Gay têm por hábito ter amantes e serem promíscuos, qual a prova? Ou a promiscuidade heterossexual? Ou a prostituição homossexual, como escrevi em outro destes ensaios? Ou a venda de crianças para a libido de estrangeiros que preferem crianças do mesmo sexo para penetrar ou pedofilia, o pior dos delitos?

Congratulo, como português, o atrevimento do Conselho de Ministros de cumprir as suas promessas formuladas nas suas candidaturas, especialmente ao Primeiro Ministro, que entende que a vida tem mudado e sabe orientar ao seu conselho, porque onde manda capitão, não manda marinheiro. É o engano de Ratzinger: a sua divindade não pode falar de forma diferente mal muda o seu dito representante na terra. E Wojtila, para p caso do matrimónio, nada disse sobre diferentes formas de acreditar, mas sim sobre a homossexualidade, que os cristãos romanos, se dizem serem católicos, devem calar e obedecer: a voz do Papa é mais forte que a actual confissão. Wojtila disse:

2355. A prostituição é um atentado contra a dignidade da pessoa que se prostitui, reduzida ao prazer venéreo que dela se tira. Quem paga, peca gravemente contra si mesmo: quebra a castidade a que o obriga o seu Baptismo e mancha o seu corpo, que é templo do Espírito Santo (102). A prostituição constitui um flagelo social. Envolve habitualmente mulheres, mas também homens, crianças ou adolescentes (nestes dois últimos casos, o pecado duplica com o escândalo). É sempre gravemente pecaminoso entregar-se à prostituição; mas a miséria, a chantagem e a pressão social podem atenuar a imputabilidade do pecado.

2358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.

Senhores da nossa Soberania: O Papa Romano assim falou, é a boca de Deus. Cabe calar, obedecer, parar com a prostituição e não separar do resto da cidadania aos que se amam.

No meu ver, as palavras dos políticos contrários a este projecto, se votarem em contra, devem correr a se confessar….a sua alma está perdida. Como nos podem governar s segregam ao povo, pelo amor, paixão e desejo de ter descendência? Soberanos, oiçam a vossa divindade…

Comments

  1. Luis Moreira says:

    meu caro prof, a questão é que se podem amar como, onde e quantas vezes quizerem, a questão é outra. O casamento é um conceito caro aos heterossexuais que têm o direito de o reservar para si, até porque em nada prejudicam os gays.
    Quem se recusar a desfilar na avenida no “orgulho gay” tambem está a discriminar?

    • Ricardo Santos Pinto says:

      O que eu ainda não percebi, Luis – e agora só estou a falar de opiniões – é por que razão o casamento dos homossexuais prejudica o casamento dos heterossexuais. Sentem-se menos casados por causa disso?
      Quanto ao «orgulho gay», é folclore de uma pequena minoria. É, em grande pasrte, gente que ajuda a ver os «gays» de forma errónea.

  2. Raul Iturra says:

    Caro Luís,
    e para mim também o matrimónio é-me querido, se assim não for, não teria casado. Amo a minha mulher e desejo, porque conheço imensas pessoas gay, que esse amor também seja bom pasra eles, como para nós. Não se não vai a parada “orgulho gay”, não faz mal, é consigo. Eu também não apareço, mas luto pelos direitos humanos. Luís, é um assunto emotivo, se assim não for, nem teria mencionado Freud e Wojtila…Obrigado por ler o meu texto

  3. Raul Iturra says:

    Caro Ricardo, obrigado por ler o meu poste. Quer nós, pai e mãe, quer nossas filhas e maridos, lutamos imenso pela igualdade social. Se nós amamos e somos livres, porque uma grande parte de população é descriminada? Quem tem medo do matrimónio gay, como analista falo, é quem tem medo das suas hormonas femininas. Foi o Concílio de Trento, 1542-1560, quem criara o temor porque a população morria imenso e haviam viagens que levavam aos homens longe de casa por tempo cumprido. Bem sabemos o que se passava nos barcos ou pacotes…Quanto, ao desfile, é apenas um princípio de sair a rua…Já não existe, faz anos que o 1 de Dezembro é o dia da Sida

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