Deixem-se de mariquices, e tratem mas é das coisas sérias

Em relação à instituição casamento estou de acordo com o Ricardo Teixeira: “Não consigo deixar de olhar para o casamento como o mais balofo património da heterosexualidade e o mais tolo acto de sexismo militante.”

Em relação ao casamento gay estou-me igualmente nas tintas. Acompanhei no seu início alguns dos primeiros movimentos de defesa dos homossexuais enquanto absoluta minoria, humilhada, perseguida, causa com que evidentemente estou. Agora há prioridades e patitices. Prioridade é por exemplo isto:

Gays, travestis e transexuais condenados à prisão em Belo Horizonte ganharam uma ala especial na penitenciária masculina de São Joaquim de Bicas. Aberta há um mês, a ala permite, por exemplo, que as travestis e as transexuais mantenham os cabelos compridos, o que não podia ser feito em presídios comuns. A ala ainda está em fase experimental e já conta com 37 presos. Além de valorizar a autoestima dos presos, a ala também prevê a diminuição da violência e a preservação da saúde, já que os homossexuais são as principais vítimas sexuais das prisões.

Sucede que nestas causas também há classes. E os movimentos LGBT não parecem estar preocupados com o que se passa nas penitenciárias, lugar por excelência onde vai parar o pobre (e aliás os pobres mesmo pobres,não se casam, que custa dinheiro, juntam-se). Ainda me desperta uma vaga solidariedade contra a estupidez humana a entrada em cena da ICAR e demais reaccionários defendendo a família, dizem eles, como se esta fosse una, a tradição como se o casamento de hoje tivesse alguma semelhança com o de há 50 anos, no seu eterno absolutismo somado à abelhuda mania de meter o nariz  no sexo dos outros. Só por isso se houver referendo como pelos vistos vai haver ainda sou capaz de ir votar. Só para chatear, que bem o merecem. E sinceramente, por muito que isso me estranhe, estou com estas cavacais declarações:

Interrogado se, então, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é para si uma prioridade, o Presidente da República reiterou que é com os «quinhentos e muitos mil» desempregados que está preocupado.

Com esses e com os que são enxovalhados por conta da sua opção sexual também, mas isso já não se pode pedir ao homem que vai receber o Papa na condição de Presidente da República crente.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Bem visto, há outras coisas bem mais importantes, para os gays do que o casamento, e fico fulo porque andei a ouvir muita desta gentinha, nos últimos 30 anos, a desdizer no casamento…

    • Ricardo Santos Pinto says:

      E continua a haver muitos gays a dizer que o casamento não significa nada e que isto não é qualquer vitória, porque há muitas coisas muito mais importantes. É o caso do Sérgio Vitorino do 5 Dias. Para ti é que os gays não podem ter opiniões diferentes entre si como têm os hetero – têm de ter todos a mesma opinião.
      E depois desses, há aqueles que querem o casamento gay só para poderem dizer que não querem casar. Podem, mas não querem.

  2. xico says:

    “Não consigo deixar de olhar para o casamento como o mais balofo património da heterosexualidade e o mais tolo acto de sexismo militante.”
    É talvez tenha razão. O casamento, uma instituição antiga e existente em todas as sociedades humanas, visa a constituição de redes sociais alargadas às comunidades. Anda a discussão mal porque entende que diz respeito somente a duas pessoas. Mas não é assim nem nunca foi. Mas talvez tenham razão. É uma coisa bolorenta e bafiente. Agora há os facebooks e os twitters. Tá bem. É a civilização. Como dizia o outro: “Quo vadis Roma”

  3. maria monteiro says:

    “Anda a discussão mal porque entende que diz respeito somente a duas pessoas. Mas não é assim nem nunca foi” afinal será que por cá se pratica a poligamia?

  4. xico says:

    Cara Maria Monteiro,
    sem querer ir longe, ao passado, aconselho-a a uma leitura do código civil para perceber as redes sociais que se criam em torno de várias pessoas, quando duas pessoas se decidem a casar, mesmo que essas outras pessoas não tenham uma palavra a dizer. Não se trata de poligamia. O casamento sempre foi um assunto da comunidade. Sáo duas famílias que se juntam, para o bem e para o mal. Sabia que se for uma autarca por exemplo, não pode decidir sobre questões que envolvam o seu genro ou a sua sogra, ou sogro, ou cunhado? Ainda me diz que o casamento foi só entre os conjuges? E que tem deveres e obrigações para com eles?

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