Prémio Clube Literário do Porto 2009

Foi hoje anunciado o vencedor do Prémio Clube Literário do Porto deste ano: José Rodrigues dos Santos. Conta o Público, citando a nota de imprensa enviada às redacções, que este Prémio, no valor de 25.000 euros, visa “galardoar o autor que mais criatividade teve no domínio da ficção”.

Creio que a citação está incompleta. Deveria ler-se “o autor, que sendo também jornalista na RTP, apresentador de telejornais, ex-vedeta da Guerra do Golfo, e tendo como apelidos Rodrigues e Santos, mais criatividade teve no domínio da ficção”.

Em jeito de reconhecimento ao galardoado, aqui fica um excerto de uma das suas obras, A Vida Num Sopro”:

“O carro de bois avançava devagar pela rua, arrastando um carregamento de azeitonas negras, tão reluzentes que pareciam pérolas. O agricultor que conduzia o carro seguia à frente, enérgico e transpirando, as mãos a puxarem a correia que guiava a direcção do animal.
«Uga! Uga!», repetia o homem, incentivando o boi. «Para a frente, vamos! Arriba!»
Uma bosta tombou da traseira do bovino sobre o empedrado da rua com um ploc espalhafatoso. Logo que o carro de bois passou, Luís cruzou para o outro passeio em ziguezague, evitando os excrementos de animais que se acumulavam pela via.
Foi então que a viu.”

Comments

  1. Carlos Loures says:

    É um bom exemplo da prosa do José Rodrigues dos Santos, esse que dás. Ele escreve muito mal, mas engendra umas histórias interessantes – nesse aspecto, é criativo. Na resenha biográfica, falta dizer que é professor universitário (creio que na Nova, de Lisboa, onde fez o doutoramento); este dado constitui uma agravante para a sua escrita mal amanhada. Mas criativa.

  2. Não conhecia. Pela imagem é muito parecido com uma espécie de locutor a quem saiu a sorte grande quando começou a I Guerra do Golfo.
    Por estas e por outras é que vai para 15 anos só compro livros usados.

  3. Concordo que é um criador, um ficcionista interessante, mas estou de acordo com a Carla, se não fosse quem é, nunca iria aonde foi. Disso estou certo. Não me perece que seja um escritor, nas um bom escrevedor. A diferença entre um escritor e um escrevedor, é, hoje dia, bem evidente para quem está atento. As livrarias estão cheias de livros com belíssimas capas. Só capas, o resto, santo Deus! Do josé Rogrigues dos Santos gostaria de ler “A fúria divina”, não pelo aspecto literário, do qual não espero grande surpresa, mas pelo documento que poderá ser interessante. Quase não li nada dele, mas fiquei vacinado quando no início de um capítulo de um dos seus livros li mais ou menos isto: Da frincha da janela jorrava um jacto de luz…(de uma frincha nunca jorra nada, quando muito espreita, atreve-se, escorre um fio de luz…). A diferença entre um escrevedor e um escritor é incomensurável, tal qual a diferença entre um grande pintor ou um grande músico e um amador.

  4. miguel dias says:

    E eu que pensava que para se ganhar prémios literários era preciso ser escritor. E para ser escritor era preciso saber escrever…
    Por este andar o Caicedo, o Luís Filipe e o Mariano González ainda ganham a bola de ouro. O Messi e o Cristiano que se ponham a pau.

  5. Luis Moreira says:

    Eu felizmente nunca li livro nenhum dele. Nem vou ler. Numa viagem ao Brazil, tive uma conversa sobre livros e autores com os portugas que estavam por ali perto, e que só liam o escrevinhador. Cilindraram-me. Perguntei-lhes ( em desespero de causa) se já tinham lido Aquilino, Torga, Eça, Heminguay, Somerset Maugham…que não, ninguem tinha lido nada. Enviei-lhes o ” Velho e o Mar”. A Marta, a mais jovem ( ainda com hipóteses de aprender) mandou-me um mail a dizer que o livro lhe tinha aberto horizontes nunca sonhados. Da última vez que soube dela, andava a ler “O Amante”. Vá lá, já não perde tempo com o pivot. Tudo isto, incluindo o Clube Literário do Porto, é puro comércio. (a não ser que seja por ele ter nascido em Penafiel…)

  6. maria monteiro says:

    Cá em casa tenho”O sétimo selo” e “A fúria divina”. As histórias pareceram-me interessantes mas ainda estão no monte dos a aguardar leitura.

  7. Glória says:

    Olá a todos
    Acho importante termos obras de diversidade literatura para podermos comparar, caso contrário isso não seria possível. É aqui importante referir e valorizar quem faz algo para a sociedade, nem que seja escrever um livro “à sua maneira”. Não podemos só culpar quem escreve e quem ensinou a escrever!!! qual foi a escola!!! será que estamos a evoluir em novas formas de escrita! Que também é interessante!!!Parabéns a quem ganhou o prémio

  8. carla romualdo says:

    Glória, estou de acordo consigo quanto ao interesse de que haja diversidade – na literatura e em tudo o resto.
    Se há gente que aprecia os livros do JRS, óptimo, que continuem a lê-los.
    Mas um prémio deveria distinguir o excepcional e não o medíocre.
    Podemos passar muito tempo a discutir a subjectividade de apreciações como esta, mas acho que não vale a pena. Haverá quem ache o prémio bem atribuído, a mim ocorrem-me uns quantos escritores que o mereciam.

    • Luís Moreira says:

      Como já muitos mostraram com exemplos retirados da escrita de JRS, estamos perante um mau escritor.

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