Balanço Final – o acordo possível: vai à oral!


Muito se tem dito e escrito sobre o acordo entre o ME e alguns dos Sindicatos de Professores.
Devo fazer parte do grupos pró-sindicatos, isto considerando os dois campos que a Blogosfera limitou desde o dia 8 de Janeiro. Por ser Dirigente Nacional da FENPROF pode parecer um absurdo o que vou escrever, mas ao contrário de outros, nunca, em momento algum defendi o que quer que seja em função dos interesses do partido A ou B. Até por isso, fui candidato numa lista contra o Mário Nogueira no último congresso da FENPROF, movimento a que me orgulho MUITO de ter pertencido.
Estou, por isso, muito à vontade porque o rótulo de alinhado não cabe aqui, muito menos no Aventar.
Percebo as dúvidas do Paulo Guinote, porque também partilho muitas delas. Entendo o que pensa o Ramiro e o Miguel.
E, curiosamente, também percebo que o Octávio queira levar a luta para o campo do PSD – é essa a sua função. Lembro-lhe, no entanto que o PSD fez o que fez no parlamento e por isso não me parece que o seu sentimento anti-sindical deva levar a defender o que é pior para nós. Há situações para resolver no parlamento – o tempo de serviço que nos foi roubado – mas há outras, o ECD e a avaliação, que são para resolver no ME. E, ao contrário do que defendeu a FNE, não são para levar ao Ministério das Finanças.

Então e o acordo?

Nos posts anteriores argumentei sobre algumas das questões mais delicadas do acordo, mas no que é fundamental, diria que o acordo vem em contra-ciclo e surge como um farol no meio de toda a administração pública. Valoriza muito os professores mais velhos e permite que todos, com bom, possam progredir. Há um ou outro grupo que perde, claramente. Mas, creio que podemos dizer que a abertura de portas que este acordo permite é também algo que deve ser valorizado.
É o acordo possível, como quase sempre acontece nestas coisas! É um primeiro momento… Vamos acompanhar o que se segue sem rótulos, sem “Pré-conceitos”, sem encomendas… Apenas com a Escola Pública como referencial. Fica o desafio. Nota 13 a este acordo.

P.S.: Caros Blogers, o que pensam da ideia de que este acordo só se deveria aplicar a quem fosse sindicalizado nos sindicatos que o assinaram. Sim… isso, quem não é sindicalizado fica com a carreira Maria de Lurdes e os que são nos sindicatos não subscritores também… O que acham que escolheriam os professores? O ECD do acordo ou o ECD Maria de Lurdes? Fica também esta pista de reflexão!

Comments


  1. A questão principal é que o mal já vem de trás, desde o fatídico ‘entendimento’…
    Por isso, se reflectirmos bem, a carreira Maria de Lurdes foi também criada pelos sindicatos.É o que eu penso, mas, vamos acompanhar a ver o que isto dá, porque muitos professores estão dispostos a voltar à rua!


  2. Cambralenta,
    Será que há mesmo muitos (um terço ou um quarto, vá, dos 120 mil) professores dispostos a voltar à rua? Sinceramente, duvido. (É palpite, claro). Quem dera estar enganada… E a carreira ML foi criada pelos sindicatos, via entendimento? E antes do entendimento, era uma carreira ‘fixe’ ou era a mesmíssima, praticamente?


  3. Viva, JPAulo. É pertinente o teu PS (salvo-seja). Creio que é um caminho algo sinuoso aquele que tu sugeres. Além do questionamento da noção de representatividade sindical, abre-se uma janela ao Mercado educacional através do princípio utilizador-pagador o que significa, no caso concreto, que o pagador (sindical) seja o único beneficiário. Estou a ver mal o problema?

    Abraço.


  4. Meu caro Miguel, estás a ver o problema em pleno, claro que sim… Eu levantei uma questão académica, procurando que cada um pense:
    – “Este acordo, para mim, para a minha carreira, é ou não melhor do que o ECD Maria de Lurdes?”

    O argumento é apenas para questionar os anti-sindicatos de alguns movimentos… o que querem eles fazer? Como? Em que condições?

    Quanto à matéria de facto, o que posso dizer-te é que a FNE a colocou em cima da mesa… Segundo percebi…

    Um abraço,
    JP

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