O Carnaval é sempre que um político quiser

Por mero acaso, o Entrudo coincidiu com mais um festival carnavalesco concebido e protagonizado por notórios elementos da nossa classe política.

Há gente formada em Direito que, obrigatoriamente, sabe que não se elegem Primeiros-Ministros, mas sim deputados para o Parlamento de cuja representatividade partidária votada em maioria sai a formação do Governo. É esta a concepção da nossa Constituição. A mesma que é sempre tão enaltecida a par das conquistas de Abril e do cravo na lapela, mas que depois, tal como a Bíblia, é “interpretada” conforme as conveniências.

O desafio da moção de censura lançado por destacados militantes do PS, além de espelhar desespero de causa patético, configura um insulto à inteligência. Não é o Governo que está sob suspeita, mas sim o seu Chefe que, repito, pode ser perfeitamente substituído nos termos da nossa Constituição.

Tal não acontece porque se vive numa hipócrita fantasia de Carnaval, em que Chefes de Partidos e Chefes de Governo são a mesma pessoa, e se quer convencer que tal não afecta o regular funcionamento do Parlamento. Evidentemente que afecta, pois que cumpre ao Parlamento vigiar e sindicar o Governo, e logo o Chefe de Partido maioritário é o Chefe do Executivo. Além de que, numa situação como a que se vive agora, esta perversão só serve os interesses da dramatização: se cai o Chefe de Governo cai o Chefe de Partido e é o caos! Santíssima Trindade!

Mas o PSD não podia ficar atrás. Mais concretamente, Paulo Rangel, que insiste na ideia que a sua candidatura é sustentada na ruptura. Mas em ruptura com quem? Com a actual Direcção do PSD que apoiou e enalteceu? Ou com a ruptura da unidade do PSD?

Este burlesco momento político que se vive é bem revelador das fragilidades e incongruências da nossa intelectualidade política.

Isto é puro Carnaval: máscaras e fantasias. Mas falta-lhe a graça do samba, pois que por cá o que temos é triste fado.

Comments

  1. António Soares says:

    Bem tirada…(a foto)que tiras aqui ao nosso fado.Mas chega de Carnaval,senhores da guerra politica…arregacem as mangas e sujem as mãos…não as lavem,como tem feito até aqui!!!!

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