Fumar é como ter de fazer um broche sem nos apetecer

Em França acaba de ser lançada uma campanha anti-tabaco, da responsabilidade da associação DNF – Droits des non-fumeurs (Direitos dos Não-fumadores), que está gerar grande polémica.

Numa das fotos da campanha surge um jovem de cigarro na boca, ajoelhado frente à braguilha de um homem, no que parece ser um prelúdio a uma felação. O homem tem a mão sobre a cabeça do rapaz, numa atitude de imposição. A legenda, e slogan da campanha, diz: “Fumar é ser escravo do tabaco”. Numa outra foto, o rapaz é substituído por uma rapariga, e o homem, já sem casaco (será o segundo escravo sexual do dia?) mostra uma barriga de burguês instalado.

Algumas organizações feministas protestaram, alegando que o sexo não provoca cancro.

O director criativo da agência publicitária que concebeu a campanha explicou que o discurso clássico de “o tabaco faz mal” já não funciona e a ideia da campanha era passar a mensagem “o tabaco é uma submissão”.

Ora, como é sempre melhor que um jovem fique com uma ideia distorcida do sexo do que tê-lo alguma vez a pegar num cigarro, toca a meter-lhes na cabeça que fumar é como ser obrigado a fazer um broche a um velho asqueroso, que impõe a sua vontade por recurso a qualquer uma das velhas técnicas de chantagem, manipulação ou força bruta.

E nada melhor do que mostrar o violador assim, com fatinho clássico ou barriga a saltar do cinto, e a manaça de unhas polidas a segurar a cabeça do imberbe. E ei-lo a iniciar os adolescentes no mundo do sado-masoquismo, que aquele cigarro na boca dos moços, a estar aceso, não promete boa coisa.

Nada como ter a manipulação e o moralismo ao serviço de uma boa causa.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Também houve aquele slogan anti-tabagista que dizia «Beijar uma rapariga que fuma é o mesmo que lamber um cinzeiro». Parece que um secretário de Estado numa intervenção pública se enganou e disse «Beijar um cinzeiro, etc.»

  2. Carla Romualdo says:

    Quando eu andava na primária (ou que antes se chamava primária), as salas de aulas estavam cheias de autocolantes da campanha da época, que mostrava um revólver a ser carregado com cigarros em vez de balas. Claro que não foi isso que me impediu de me tornar fumadora anos mais tarde.

  3. Luis Moreira says:

    Esta ligação sexo/fumo ,ou antes malefícios do fumo igual a malefícios do sexo é, no mínimo, de mau gosto. E eu que nunca gostei de tabaco…

  4. Adão Cruz says:

    Quase todos os doentes(quase!) quando apanham
    um cagaço a sério, deixam de fumar e pouco lhes custa. E dizem categoricamente: fumar? Nem pensar. Não acredito em campanhas, não acredito em rótulos nos maços de tabaco, não acredito em imagens de broche ou quejandos, não acredito em nada para deixar de fumar. Acredito que a estupidez, sobretudo nos jovens, é o maior factor para a iniciação e consumo avassalador que hoje se vê. Até porque conheço muitos jovens não estúpidos que não fumam. O primeiro passo importante seria arranjar uma maneira de diminuir a estupidez. Acredito no bom-senso e no cagaço, venha ele da inteligência ou de um enfarte. E também acredito que há quem fume, assumindo o disparate, que não tem o carácter de estupidez, mas assumindo-o de forma consciente e sabendo que se vai lixar, e assumindo ainda que poderá vir a arrepender-se futuramente, ao ver que já não tem solução. Mas é uma opção consciente, não uma opção decorrente da estupidez.


  5. Há chavões publicitários de muito mau gosto. Por muito que se pretenda fazer passar uma mensagem.

  6. carla romualdo says:

    De mau gosto e provavelmente ineficaz.
    Adão, eu devo ter entrado no contingente dos estúpidos, mas pelo menos dessa estupidez já me curei.


  7. E eu também Carla, há muitos anos.

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