bom,

1.       aceder a um convite circular que até tem tanto que ver com círculos, que são do meu domínio (é público), pareceu-me nem largo nem apertado, mas justo.

2.       não me foi imposto um tema, e portanto, sinto-me muito à-vontade nesta minha renovada margem de manobra.

3.       para o pré não vai dar tempo. pode ser o pró?

4.       palavra de ordem: oito

5.       classificação: zero

o que vou dizer é para ser tomado na aceitação literal.

vejamos: se andarmos aos círculos por dentro do algarismo zero, necessariamente somos centrifugados, puxados aos extremos da área demarcada e, por consequência o gravito, cujas curvas enfeitam o quadro da mente na periferia do campo visual. quando se transforma numa obsessão, a força centrípeta forma um buraco negro no olho central, que tudo vê, no ralo que tudo sorve, estão as tormentas e as provações da consciência interdita a si própria. devemos ter cuidado.  não é só com o centro, com o vórtice do turbilhão que devemos ter cuidado, claro…  há na periferia perigos estranhos como duendes… movimentos fugazes das sombras, oscilações das caudas, folhas trémulas. isso pode gerar alienação. estar alienada pode acabar com a solidão. sim. o fim da solidão pode ser o começo da multiplicação. uma espécie de reprodução do espírito por cissiparidade. divide-se como uma célula, separando uma parte de si mesmo para formar outro exactamente igual a si.

hoje é dia zero com nó bem apertado no centro.

e se perdermos a consciência? a consciência não pode faltar a nenhum dos produtos ela é o núcleo, embora por vezes seja invisível , está lá. por exemplo: a esfinge não sabe que eu não lhe posso ler os acentos gráficos e que as suas palavras têm mais interrogações do que deviam; uma vez que “a” é prefixo de negação e que uma dupla negativa faz cair a negação e cria uma afirmativa, o contrário de azul seria aazul, logo zul. se zul é o contrário de azul, deve ser o seu inverso, portanto, amarelo.

quando não nos lembramos de como nos sentimos, perdemos a consciência. não por solidão, mas por excesso de companhia, o mais provável é não sentir, de todo.

concluo portanto que hoje é dia oito em nó, solitário, consciente, amarelo e circular.

carolina – echos & espheras

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Bem bonito, estranha-se e depois entranha-se…

  2. carolina says:

    “bem bonito” – uma mente imersa na sua confusão, Luís?, ou essa é a parte que causa estranheza?

    • Luís Moreira says:

      Não, Carolina, só quiz dizer que precisei de ler duas vezes. E isso é um sintoma de qualidade. Do texto!

  3. carolina santana says:

    nesse caso, eu sou símbolo e não mensageira. e o belo anda de mão dada com o abismo…

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