Neste momento Portugal está a abdicar da exigência democrática,diz o filósofo Jose Gil numa entrevista ao Diário de Noticias.Na verdade numa conjuntura em que aqueles que têm alta responsabilidade em defender a democracia se demitem da sua funçao critica, o sistema democrático perde,e entra em crise.Refiro-me aos jornalistas .
Isto acontece por várias razões.
Tentarei referir algumas que alteraram o ecosistema mediático,e que se interpõem entre a informação e o cidadão,perturbando-o .
Como actualmente tudo o que acontece só existe se fôr noticia, o que não é noticia ,não acontece.
A partir daí ,Governos,partidos,corporações, multinacionais , instituições, clubes, empresas,universidades,hospitais,etc começaram a perceber que em vez de serem os jornalistas a controlar a agenda mediática/política , deviam ser eles, munindo-se de gabinetes que alegadamente facilitassem a compreensão da notícia ,para comunicar com o exterior,mas na verdade serviam para controlar a realidade mediática .
De facto ,o grande objectivo destes gabinetes de imprensa é condicionar e controlar a informaçao, de forma que só chegue ao cidadão o que lhes interessa que saiba .
Eles sao a “Fonte”,e a partir daí, o jornalismo está condicionado a ela.
A fonte só lhe fornece os conteúdos que filtra mas de que ele precisa para exercer o seu labor.
Assim, o que devia ter nascido como um serviço público para melhor informar, transformou-se num travão à informação,porque não se pode ultrapassar essa “fonte” que conhece os factos e os dados,a única autorizada a divulga-los,tornando verdade aquilo que ´é uma mera convicção .
Inclusivé, os próprios funcionários e técnicos das diversas corporações estão proibidos de emitir opinões para fora.Tudo tem de passar pelo gabinete de imprensa.
A derrapagem começa a acontecer quando o que há a informar não é positivo.Então, há que manipular a informação, maquilha- la ,quiçá, transforma- la em propaganda,segundo directivas superiores.
É neste momento que o jornalismo deveria saber dar o salto para tornear estas dificuldades que a fonte lhe pretende o pôr.
Pois é nesta fase que o sistema pretende controlar a informação, sonegando ao jornalista aquilo que nao deseja que o cidadão saiba,mas que é de interesse publico.
Fica- se face a um muro informativo,em que não se sabem por ex. os números dos implicados na corrupção, quantos aderiram, ou não, a uma greve, quantas pessoas há em listas de espera, como estão funcionando as escolas, se a criminalidade violenta está a aumentar, ou a situação verdadeira do emprego.
Invertida a correlação de forças caímos em duas posições.Ou o jornalista se torna subserviente, para não perder o posto de trabalho,ou faz um jornalismo partidário.
Neste caso, começa a ser privilegiado pelo gabinete de imprensa que lhe fornece dados que a outros nao são fornecidos ,e passamos assim a ter um jornalismo acomadaticío, ou de trincheira.
Alguns jornalisas para fugirem a este circulo vicioso socorrem-se das chamadas fontes anónimas, muitas vezes peritos que não podem falar em seu próprio nome por receio de represálias,mas a fonte anónima descredibiliza o jornalismo, e o jornal , retira ao cidadão um direito de saber quem responde pelo que disse, e pode servir para manipular a informaçao de acordo com criterios subjectivos do autor da peça,ou do editor ,sem que ninguem posso vir desmenti-lo
Por isso é que quando cai um governo ou uma câmara , os gabinetes de imprensa mudam imediatamente ,pois são lugares de confiança politica .
Por isso em Portugal há, cada vez mais, um deficit democrático,como refere, e bem, o filósofo José Gil.
Precisamos urgentemente de um jornalismo independente, que venha ao encontro das necessidades do cidadão,e lhe forneça os dados que precisa para ajuizar em consciência ,não dos governos, dos partidos ,das empresas ou das câmaras municipais.
AS






Muito bem, António, é isso mesmo! E têm o “cuidado” de nem sequer fazer o contraditório, falar previamente com quem é visado na notícia.Publicam primeiro e perguntam depois, mas a Justiça e os Tribunais acham isso normal, tambem vivem desse tipo de jornalismo.
Exactamente … por isso é que presto menos atenção aos jornais e dou mais importância aos bloques, onde é livre pensar.
Cumprimentos