Educa-se em casa; ensina-se na escola

acordar o imaginário da criança

Para a Senhora Ministra da Educação pensar na Antropologia da Educação e novos planos de aprendizagem, Professora Doutora Isabel Alçada.

Duas palavras com diferente sentido, mas coordenadas entre si.

Hoje em dia, o mais debatido é o conceito de educação, as formas de educar, quem vigia essa educação e qual é o seu objectivo. Em curto espaço de tempo, entre finais do Século XX e os começos do Século em que vivemos, as formas de educar têm-se confundido com a noção de instrução. O debate é forte e parece não ter uma orientação. Especialmente em países como o nosso, em que a noção de educar é entregue aos docentes. No meu ver, grande erro. Antes de começar estas linhas, perguntava a uma amiga do coração o que era educar para ela. De imediato lembrou-me que a situação actual não permite a hipótese que dá título a este texto: as crianças passam o dia desde cedo de manhã, até tarde e noite. De imediato consultei a minha amiga pessoal quem me tirara a dúvida: os pais devem ajustar os seus horários de trabalho aos da denominada educação.

Parece-me ser que as duas têm razão, como os meus colegas que têm debatido neste espaço que nos proporciona a Internet, para debates. O que eles dizem, pode ler-se nos seus textos e comentários. Cometem o mesmo erro, no meu ver. A educação é confundida com instrução. Os dos verbos activos, são diferentes, como diferentes são, conforme a classe social, educar e instruir.

ensino em casa

Educar é um conjunto de normas pedagógicas tendentes ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito, bem como desenvolver o saber de gente de posse que transferir polidez e cortesia. Como tenho observado nos sítios em que analiso as relações de adultos e crianças. O encontro familiar, dificultado pelo neo-liberalismo que nos governa, dá curtos espaços de tempo para a vida doméstica, para esse encontro familiar entre esses adultos com as suas crianças. Não falo de adultos e descendentes púberes: a relação é diferente nos dias que correm. Mal cresce a criança, começa com amigos fora de casa, namoros e, hoje em dia, relações íntimas de corpo a corpo que, de forma natural, leva aos jovens fora do lar. Por causa da lei ter diminuído os anos da maioridade aos quinze, os pais nada têm a dizer. Excepto talvez, como, como nos fizemos com as nossas quer passear? Ganhe o seu dinheiro e divirta-se. Tem o mesmo direito que tenho eu enquanto sou capaz de contribuir ao sustento da casa. Mas esses são os púberes e os meus analisados são os seres dependentes para tudo, dos seus adultos. Até para saber comer e falar, para alimentar o mais importante da vida infantil, a ilusão, os sonhos da realidade e a sua imaginação. Não é em vão que os livros de Emília Traça, Maria Alberta Menezes, Alice Vieira, António Torrado, Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, que, por conhecidos em Portugal, não vou referir as suas vidas.Os irmãos Grimm (em alemão Brüder Grimm), Jacob e Wilhelm Grimm, nascidos em 4 de Janeiro de 1785 e 24 de Fevereiro de 1786, respectivamente, foram dois alemães que se dedicaram ao registo de várias fábulas infantis, ganhando assim grande notoriedade. Também deram grandes contribuições à língua alemã com um dicionário (O Grande Dicionário Alemão – Deutsches Wörterbuch) e estudos de linguística, e ao estudo do folclore.  de Lewis Carroll –Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudónimo Lewis Carroll (Cheshire, 27 de Janeiro de 1832Guildford, 14 de Janeiro de 1898), foi um escritor e um matemático britânico. Leccionava matemática no Christ College, em Oxford, e é mundialmente famoso por ser o autor do clássico livro Alice no país das maravilhas.  Como John Ronald Reuel Tolkien CBE (Bloemfontein, 3 de Janeiro de 1892Bournemouth, 2 de Setembro de 1973) foi um escritor, professor universitário e filólogo britânico.

Tolkien nasceu na África do Sul e aos três anos de idade, com sua mãe e irmão, passou a viver na Inglaterra, terra natal de seus pais. Desde pequeno fascinado pelalinguística, cursou a faculdade de Letras em Exeter. Lutou na Primeira Guerra Mundial, onde começou a escrever os primeiros rascunhos do que se tornaria o seu “mundo secundário” complexo e cheio de vida, denominado Arda, palco das mundialmente famosas obras O HobbitO Senhor dos AnéisO Silmarillion, esta última, sua maior paixão, que, postumamente publicada, é considerada sua principal obra, embora não a mais famosa. São as histórias que alimentam esse imaginário, comentados e lidos com os seus adultos, formam uma mente sã e harmoniosa. Livros que, com a minha mulher, líamos a noite as nossas crianças, que, a seguir, as encenavam.

Educar e desenvolver o imaginário dos mais novos para mundos fora do real quotidiano, combinando esse real com as histórias dos escritores mencionados e, para os mais crescidos, Daniel Defoe com o seu Robinson Crusoe e o seu especial amigo Sesta Feira, que todo sabia e resolvia, herói de pré adolescentes. Para os mais românticos, as fábulas de Lafontaine, sendo a delícia dos mais aventureiros, esse de romance arriscado de Júlio Verne: Vinte mil milhas de viagem submarino, texto lidos por mi, milhares de vezes na minha infância.

Isabel Alçada devia saber que esta educação do lar, pode ser transferida para instruir na escola, com encenações preparadas enquanto se lia o livro e se corrigia a gramática e a sintaxes. Como nos fazíamos com crianças de aldeias de Portugal que, nas suas férias, representavam connosco doenças de Hospital, nomeadas e escritas em cadernos que ainda guardo comigo, a vida do lar na encenação do matrimónio, as brincadeiras do gato e o rato dentro de espaços imensos, que ensinavam a Geografia de Portugal e de outros países.

Bem sei que referi que educar é no lar, enquanto com a família se lêem esses livros o se contam na mesa da jantar, ou são reproduzidos pelos pequenos para os adultos saber. E o adulto faz de criança que abre os olhos e se surpreende com a história dos mais pequenos, fazendo de contas que nada sabia. Mas, é que estas brincadeiras, eram na escola nas férias de verão dos docentes, adultos que ficavam deliciados pelos avanços no saber dos seus estudantes, que já sabiam antes o que devia ser ensinado mais em frente, sabiam o que o programa curricular preparava para esse ano. Ou, saber arquitectura ao levar para as ruas de bairros e aldeias a garotada para comparar os materiais usados para a construção das casas e o Antropólogo da Educação e da Etnologia da Infância, explicava a passagem do tempo, por serem casas em pedra ou casas em cimento e cal. Isabel Alçada, leve a brincadeira para o currículo, preparado pelos docentes que vão adorar ensaiar os papéis do Sesta Feira, andar por baixo da terra como os Hobbits, ou ser o coelho sábio que ensina a falar, ou aritmética no papel do arquitecto que mede os palmos de um terreno no qual se prepara a construção de uma roça.

Tanta reunião para preparar livros difíceis de entender por ter sido escritos por doutores que sabem da sua ciência, péssimos escritores, que não transfere as palavras duras ou caras para as de uso comum, com uma achega no médio que o docente diz: isto também pode-se dizer assim…. Como em casa se faz, como em casa se educa para compreender esses mal escritos livros de história, gramática, sintaxes, biologia e zoologia. Saber que pode-se aprender enquanto se vá ao sítio certo, procura-se um animal o planta, são denominados com linguagem comum e mais uma dica do docente, que faz uma lista para o estudante escrever uma composição em casa trocando nomes vulgares para nomes obrigatórios de saber, se a criança, como intitulo um livro meu de 1990b): Fugirás à escola para trabalhar a terra. Porque dos milhares de estudantes de infantários, primeiro e segundo ciclo, poucos serão os que tenham acesso ao ensino superior.

Como fazem Isabel Figueiredo, Orlanda Maria Oliveira, formadas por mi em Mestrados de Antropologia da Educação. Ou o Doutor, o meu antigo estudante, José Manuel Cravo Pombeiro Filipe e tantos outros que ensinam de forma simples o que, conforme o currículo, devia ser difícil, como Ricardo Vieira, Paulo Raposo, Filipe Reis, outros.

Sala de aulas com crianças cheias de imaginação

A escola é para instruir. Por outras palavras, já adultos, essas crianças que aprenderam de forma normal, obtenham informações ou esclarecimentos com informação baseada e provada em factos esclarecidos por docentes especializados em determinada ciência. Entra a memória e a repetição e reiteração de textos de estudos, baseados em provas organizadas pelo escritor, para a sua própria pesquisa. E a pesquisa do estudante, a sua prova? Não era mais simples ensinar em grupos pequenos que investigam e apresentam as suas provas ao académico que debate com grupos pequenos em sessões de tutorais?

A educação foi sempre um problema porque os docentes pensam-se sábios, e andam de fato e gravata, por vezes caros, por associarem o saber ao poder. O poder é o do Procurador da República, do Presidente da República, da Assembleia que nos governa. Nós, dedicamos o nosso tempo ao estudo que precisa calma, serenidade e paciência e as clássicas calças de bombazina, como os que usamos em Cambridge e outras Universidades onde o saber é aprofundado em horas de pesquisa e escrita.

estudante injustamento punido por falta de imaginário em casa

Mas, não consigo dar esse salto ao meu argumento. Falo de crianças, analiso crianças, escrevo sobre elas. A experiência tem-me ensinado que a educação é em casa, que vê, ouve e escuta para despertar o imaginário, ou imaginação que tudo inventa, acredita e grava na sua memória, que fica, assim, sem surpresas perante o real, sem punição, sem castigo por falta de memória. Memorizar, apaga o saber, punição, a liberdade de acção.

Punição que não dá medo nem o docente adquire respeito. Antes, é envergonhado pelos seus discentes, pequenos como são.

O carinho é preciso para tratar com os pequenos.

A educação com o sem instrução, está pensada para formar cidadãos que saibam usar o seu tempo em reproduzir o que tem aprendido no seu passado e que acrescenta com as suas leituras e experimentos dia após dia.

O debate dos meus colegas peca por ingénuo, por falta de uso de argumentos simples e com conteúdo. A maior parte dos docentes de crianças não têm imaginação. A Ministra da Educação, também não. Ser escritora, é excelente, mas gerir a educação sem instrução nas ciências sociais, é como dos docentes que esperam o som da campainha para sair a correr a casa.

Educar cansa? E com instrução? Sem dúvidas, especialmente se devem fazer relatórios todos os dias e dar conta ao governo da sua laia de ensinar. Que a vida é mais alegre e divertida com passeios e a ler antes o livro que o seu estudante deve saber?

É divertido, mas lacerante da sua personalidade e, sem saber, rebaixa ao aluno ao estado de ignorância sem retorno.

imaginário das crianças

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Na realidade, a confusão entre educação e instrução é grave. Aos pais compete educar, aos professores instruir. Porém, o equívoco começa logo na designação do ministério que tutela o professorado – da Educação. Erro que na Primeira República não se cometeu, pois o ministério se chamava da Instrução. O problema não está no erro em si, embora do campo semântico de cada um dos vocábulos se retirem práticas diferentes. Eu diria que se deve educar em casa, instruir na escola e ensinar em ambos os lados; ensinar contempla as duas principais vertentes da aprendizagem das crias humanas. O pior é a realidade: os pais, abdicaram de educar, os professores não têm condições para ensinar. Sendo assim, os jovens aprendem com a televisão (sobretudo o que de mais negativo existe na condição humana e constitui a mola real do êxito televisivo – lixo cultural, violência, sexo na sua acepção mais rasteira… E aprendem com os líderes da turma que, não raro, são os piores, mas os que batem com mais força. Um círculo infernal que produz, na versão benigna, consumidores patetas, e na maligna, marginais. Um círculo que é preciso romper.

    • Luís Moreira says:

      Claro, Carlos, mas como se vê não estão interessados em romper o círculo miserável do analfabetismo.Está bem como está, acomodados, sentados à espera da progressão na carreira.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.