“Geração Zero” ou “Geração Caótica de Woodstock”

A máquina ultraconservadora americana está oleada para o exercício de temeridades comunicacionais poderosas. Tão poderosas que, além dos obstáculos criados ao crente Obama, na reforma do sistema de saúde por exemplo, é capaz de lançar diabólicas acusações de propaganda, mesmo sobre destinatários geracionais não identificados. O pior é que encontra um acolhimento, muito generalizado, de cidadãos norte-americanos, do Arkansas a Utah, que é como quem diz do primeiro ao último Estado da Nação.

Agora, segundo notícia do jornal i, A culpa da Crise é dos Hippies. Com efeito, afirma a notícia que “os hippies de Woodstock terão criado a base do colapso financeiro de Setembro de 2008”. Trata-se, efectivamente, de um libelo acusatório redutor e pensadamente malévolo, o qual impende sobre todos os hippies, em particular aqueles que à época experimentaram a exuberância de vida em Woodstock. Muitos já partiram, mas permanecem com todas as culpas gravadas na tumba.

A tese é defendida no documentário “Geração Zero”, da Citizens United, afecta ao Partido Republicano dos EUA. O produtor é um tal David Bossie que, certamente, encaixou uns quantos milhares ou milhões de dólares – o mais importante para ele – e manifestou com desmesurado desvelo a dedicação à causa republicana. Uma causa gratificante e que difere daquela que, por exemplo, atinge mais de 45 milhões de seus concidadãos sem cobertura de um sistema de saúde e expostos ao risco de sofrimento e/ou morte em caso de acidente ou de patologia de qualquer género. A culpa é – dizem eles – da ‘Geração de Woodstock’.

Até à revelação de tão esclarecedor libelo, confesso a minha ignorância. Julgava eu que o Alan  Greenspan, nascido em 1926, o Milton Friedman (1912-2006), o Bernard Madoff (1938) e outros seus contemporâneos não se integravam na juventude de Woodstock. Afinal, das duas uma: ou festival de Woodstock é mais antigo do que eu pensava ou a plateia etária era mais alargada ao tempo.

Resta em mim uma desilusão, porque ao participar no “Woodstock à portuguesa”, em Vila Nova de Cerveira, também estou, de certeza, na “geração dos irresponsáveis”, ou seja, a “Geração Caótica de Woodstock”  a tal que criou os ‘hedge funds’, a falta de supervisão da banca de investimentos, os bancos ‘off-shore’, a excelência do monetarismo e até, calcule-se, o casino de Wall Street. Este, todavia, continua em funcionamento com filiais dispersas por todo o globo.

Quando é que acabam os efeitos de Woodstock para que humanidade viva melhor? Da Citizens United nada me dizem. Nem sequer respondem.

Comments

  1. Carla Romualdo says:

    Se vires com atenção o documentário feito com as imagens gravadas em Woodstock a certa altura vê-se o Greenspan e o Madoff, bastante charrados, a curtir o Hendrix. Vê-se um bocado mal e a câmara passa logo para outros, tens de estar bué de atento, brother

  2. Carlos Fonseca says:

    Tens razaão, revi o filme e lá estavam eles bué charrados. Mas eu tb. sou dos que pago os charros deles, e só tive a compensação de ver o Hendrix. Compensou muito, mas não tudo.

  3. Rodrigo says:

    Ja viu o documentário ? Não ?! Pois é…tipico.
    BTW: O que é que o Milton Friedman tem a ver com o Madoff ????

  4. Carlos Fonseca says:

    Caro Rodrigo, creio que o meu email foi claro acerca da relação de coerância entre a teoria de um (Friedman) e a prática de outro (Madoff).

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