Bullying

No meu tempo de estudante, havia rufias que se metiam com os mais fracos.

Houve sempre rufias. Houve e continuará a haver.

Parece-me que a diferença nos dias de hoje, é que a comunicação entre pais e filhos não será a melhor. O que os pais dão aos filhos, afasta-os do diálogo: computadores, mp4 com auscultadores, consolas de jogos, telemóveis para mandar mensagens e ouvir música, etc. E como parecem muito dinâmicos a mexer em tudo que é aparelhos e afins, todos dão ares de independência e sagacidade. Esta diferença leva a que os pais estejam convencidos que os filhos estão bem, porque estão lá no mundo deles. E o mundo deles é cada vez mais distante. Esquecendo-se, os pais, que os filhos continuam crianças, com as suas naturais fragilidades e os seus naturais medos e vergonhas.

Há pouco tempo, soube de um comentário de uma miúda de 10 anos que confessando a sua paixoneta por um colega de escola, o caracterizou como bom rapaz, não porque seja bom aluno, mas porque não é daqueles que batem nas raparigas.

Se fosse minha filha, eu trataria, imediatamente, de indagar que coisa é essa de rapazes baterem em raparigas, e cuidaria de responsabilizar não só a direcção da escola como, acima de tudo, os pais das crianças agressoras. E sem rodeios afirmo, que se algo acontecesse com uma filha minha, seria o pai do agressor o primeiro a levar troco. Depois se veria o que acontecia.

Infelizmente este é um país cultural e civilizacionalmente tão inábil, que até precisa de usar expressões estrangeiras como “bullying” para rotular comportamentos rufias, pela simples razão que com tal rótulo estrangeiro transformam tudo num complexo fenómeno sem fronteiras, próprio das sociedades modernas, com o qual temos de lidar com  muito cuidado, sem ofender ninguém, e só depois de se ouvir variados especialistas na matéria.

No meu tempo de criança e adolescente, assuntos de rufias resolvia-se com um pouco de porrada. E confesso que, neste particular, tenho alguma saudade desse tempo.

Comments

  1. Carlos Fonseca says:

    Caro Zé Mário, estou de acordo no essencial. Todavia, parece-me que, no mundo globalizado, o ‘bullying’ se expandiu como fenómeno de tipos de comportamento juvenil produzidos também por problemas sociais mais complexos, prevalecentes em ambientes familiares de que a exclusão social é forte paradigma. O combate contra a deliquência de jovens não pode ser, apenas, assumido individualmente por pais e professores. Medidas e acções dos poderes políticos são factores cruciais para condicionar a prática do ‘bullying’. Sobretudo, ao nível das políticas de distribuição de rendimentos e de modelos de educação eficazes. É o que penso.

  2. Luis Rocha says:

    Mas antes de tudo é preciso enfrentar o concreto ,o que acontece no terreno.É preciso dar condições para no local, onde as coisas acontecem haver responsabilidade,capacidade de resposta, não se pode estar à espera que alguem num gabinete tome uma decisão.

  3. maria monteiro says:

    mas quem é que se importaria com porrada, com rufias? Alguém alguma vez faria palestras, seminários, conferências … alguma vez se criariam gabinetes, grupos de trabalho, se escreveriam livros… enfim alguém se preocuparia com porrada?
    O bulliyng nasceu com regras, com etiqueta…. há interesse que continue a ser discutido nos gabinetes… só assim o negócio prospera

  4. Carlos Fonseca says:

    Luis Rocha, claro que as medidas no terreno, de iniciativa de quem dirige a educação e as respectivas instituições são indispensáveis. Mas, a montante, as desigualdades sociais devem ser combatidas e aí é que é necessário agir com eficiência e eficácia; e vontade política, evidentemente.

  5. Ricardo Santos Pinto says:

    O Guerra também deve ter muitas saudades desse tempo.

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