O bife também pode discriminar

O” bife  que promove machismo”.

Ontem algures  no Minho um almoço gigante junta mais de 500 homens para comemorar fim da Quaresma.Ementa :1 bife cozinhado pelas mulheres que não podem partilhar o repasto com eles ,e ficam na cozinha.Belo exemplo de promoção dos estereotipos,com direito a TV estatal , cujo reporter só pergunta pelo preço, e se o bife era bom e em quantidade,sem questionar a discriminação gigante.A tradição tem 50 anos,nasceu portanto, durante o fascismo.Ah! parte do dinheiro  obtido, aqui, é para a “Liga Contra o Cancro” que o deve achar generoso.

O pecado fica asssim lavado,e machismo continua…..Ou, os fins justificam os meios, e ninguem questiona.

Comments

  1. Pedro Rocha says:

    Discrimina porque este era do lombo…


  2. Mas o aspecto mais singular da dita tradição consiste em comer o maior número possível de bifes. Provavelmente, assim se assevera o rigoroso jejum pascal. Enquanto os modestos se ficam pelos 3 – 4 bifes, o recordista ultrapassa a dúzia. E como “eles” cometem a alarvidade de ingerir bifes a eito, tal idiotice deve ser partilhada por “elas”?!
    Portanto, reclama-se igualdade para partilhar o quê, a imbecilidade?!

  3. maria monteiro says:

    até que “elas” podiam ter carregado na pimenta… a ver se havia recordistas

  4. Ricardo Migueis says:

    Tirar conclusões destas sem perguntar às mulheres se preferiam lá estar a comer bifes, é parte da paranóia da moda, sob a perspectiva da coitadinha da mulher.
    O igualdade entre homens e mulheres, além de ser um mito, é também uma luta muito válida em questões de direitos, acessos e escolhas nas mais diversas frentes. Não se pode querer que as coisas mudem “agora”. É um processo geracional e há que saber aceitar quem já não muda. Daremos educação aos nossos filhos e filhas para que estes façam melhor, se quiserem.


  5. Esta «tradição» que tem 50 anos (que mal tem que tenha nascido no tempo em que nasceu?), tem o apoio incondicional das mulheres, que assim se libertam dos seus pares durante mais algum tempo, dando-lhes uns minutos de fama e ficando com os melhores bifes e com a calma de não os aturarem, ou simplesmente, que concordam com ela por ser uma tradição da terras delas .
    Se eles e elas se não queixam, se não entendem que haja, neste caso, descriminação, se já faz parte da sua (deles e delas) cultura, e se, para além disso, os lucros são destinados a fazer o bem a outros, que temos nós que criticar? Que temos nós, os que discordam e os que não discordam, com isso?
    Desculpem, mas não entendo a notícia negativa que aqui se dá.


  6. Estes posts são elucidativos da “cultura” que temos. José F Magalhães vê a iniciativa com toda a naturalidade. Este é bem o tipo de dificuldades que enfrentamos ao procurar desmontar uma tradição cujos valores segregacionistas estão bem presentes, mas que a nossa gente não entende. Na verdade, se olharmos para aquilo que é a prática e a assumpção de cidadania por parte dos portugueses, verificamos quão longe ainda estamos de um patamar e de uma prática minimamente adequada. O ferrete dos valores cultivádos pela ditadura salazarista, ou seja há 50 anos,do homem superior à mulher que devia estar ao serviço, que nao tinha direito a vida própria,nao podia ter um negócio,nao podia ter passaporte senao agregado ao do marido, o homem Chefe de Famila a quem a mulher devia obedecer e servir ,estar “sorridente e limpa quando ele chegava a casa” estão bem gravados na nossa mentalidade.


  7. Na realidade, meu caro António Serzedelo, essa é a “cultura” que alguns querem que tenhamos.
    Está na moda, para algumas pessoas, desmontar tradições, dar-lhes um cariz machista/segragacionista, conotá-las com “valores cultivados pela ditadura salazarista”, tentando colocar-lhes os novos ferretes, dos novos valores(?) dos “patamares e das práticas minimamente adequadas”.
    O caso que relata, repete-se por todo o nosso País. Um pouco por todo o lado.
    Seria interessante que decidisse entrevistar/conversar com algumas das intervenientes nessas “tradições”, ouvir o que lhe terão a dizer sobre a sua posição, e voltar ao tema mais tarde.
    Não vejo, desculpe, muita diferença entre a prática antiga e a que se quer “moderna”.
    Cumprimentos


  8. Sim, sem duvida que se repete por todo o país.Tambem se repete por todo o pais dar pancada nas mulheres, espanca-las ,e em alguns casos até mata-las.E muitas nunca se queixavam.Também está na practica por todo o país, há muitos anos, elas terem salário inferior, e muitas nao se queixam.Antes até havia a tradição do “direito de pernada” dado aos senhores.Já não há,que pena!Uma tradição tao boa para os homens!
    Também está na practica por todo o pais, há muitos anos maltratar as crianças,explora-las ,e até abusar delas.Esta´na practica do país, o mau trato dos animais.
    São “tradiçoes” ,e isso “legitima- as”,para que tudo fique na mesma. Tambem está na practica deste país discriminar os afros, os deficientes, os homossexuais.Portanto, tudo deve ficar na mesma .Este é o discurso passivo,conservador, no fundo, para manter os poderes na posse de quem os tem tido há muitos anos.
    Se queremos ser um país melhor, temos de aboli-las.
    Foi o que fizeram, ou estão a fazer, os países da Europa mais avançados.Custa perder poderes,mas é o preço da modernidade, de fazer paises mais produtivos, mais organizados, menos excludentes, e mais ricos, cultural e economicamente


  9. De todo o modo, caros críticos , leitores e, em especial o Fernando Magalhães , é ,creio, muito bom que haja esta troca de argumentos, onde pudemos expôr os nossos diferentes pontos de vista ,sem recear censuras.


  10. Meu caro António Serzedelo, colega aventador,

    A propósito deste seu texto, e dos comentários que se lhe seguiram, procurei nos meus escritos um pequeno «conto», baseado em factos reais que será publicado amanhã, dia 9 às 12h (problemas de agendamento). Tem um pouco a ver com o que eu digo por aqui.

    http://www.aventar.eu/2010/04/09/como-se-fora-um-conto-natalia-a-cigana/

    Abraço

    JFM

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