Saramago – Pensar (Deus)

Com a devida vénia transcrevo uma parte da carta de uma leitora do Público, Céu Mota de Santa Maria da Feira.

…Quero reter na minha memória estas palavras de Saramago :”Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar”. Quanto a mim é um dos melhores ensinamentos que nos podia deixar como herança. A sua obsessão por Deus, apesar de ateu, veio-lhe porque nunca parou de fazer perguntas, não parou de pensar.

Aliás, não foi o único. Vergílio Ferreira, outro escritor português, tambem ele ateu e candidato ao Nobel, escreveu uma obra que é intitulada precisamente, Pensar (1991)…” a grande obsessão do homem é dar um sentido  à vida”…este último pensamento remete novamente para Saramago, numa frase que o Público deixou ocupar toda uma página: ” A nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”.

Deus está muito na cabeça dos escritores ateus, mas tambem na dos cientistas. Alguns querem conhecer a “música de Deus”…recriar o momento do BiG_BANG e, quem sabe, a partícula elementar, a partícula de Deus”. Por seu turno, ” há neurocientistas que se propõem encontrar o ponto de Deus, no cérebro…

” a necessidade de se ser homem, ou seja, Deus, pela sonho da definitividade. É o sonho mais obsessivo (…)

PS: está no Público em “cartas à directora”, página 42!

Comments


  1. Disparates, Luis. Tudo disparates! Deus não tem nada a ver com a cabeça dos ateus!


  2. Essa da obsessão por deus, de Saramago, é ridícula. Não parar de fazer perguntas, nem de longe nem de perto obriga a que seja deus a preencher a resposta. Santo deus!!!

  3. António Soares says:

    Cada um é livre de ser o que quer, desde que não imponha o seu pensar…Saramago era assim,quem queria lia, quem não queria,não era obrigado!!…Uma coisa é certa,ele era comunista,mas nunca se constou que comesse crianças..e fico por aqui!!!

  4. Luís Moreira says:

    Hoje na AR a Inês de Medeiros disse algo como: Saramago procurou o homem à semelhança de Deus. Não quer dizer que tenham razão, mas que há pessoas que têm essa leitura da obra de Saramago, isso há.

    • céu mota says:

      olá
      dei-me conta que o Luís Moreira publicou neste blogue uma carta minha (saramago -pensar Deus)
      Obrigada
      Céu Mota, santa maria da feira

  5. Luís Moreira says:

    António, o escritor não é comunista nem deixa de o ser, é o que o leitor extrai dele. Quanto à pessoa já cá não está…

  6. A.Lopes says:

    O saramago era comunista em quê? Era comunista porquê? só por estar filiado no PC?
    Ora, ora, um comunista português casado com uma espanhola, que ainda há-de ganhar rios de massa à custa dos papalvos que lêem o que ela escreve em nome dele, a pagar impostos para os espanhóis que nem de perto o queriam e só o deixaram morar numa ilha tão estéril como a Lanzarote, borrifando-se para os seus compatriotas, a gozar com a vossa ignorância. Ainda não acordaram?
    Está a arder e bem.

  7. maria monteiro says:

    ora, ora a arder andamos todos nós mas é aqui na Terra e… somos abençoados para não acordar.

  8. Pedro says:

    Bater o recorde de asneiras por centímetro quadrado é difícil mas não impossível. Este comentário de A. Lopes é a prova disso – e ainda tem tempo para falar na ignorância dos outros.

    Luís, o escritor é o homem que escreve. Comunista, fascista, homossexual, chinês, alemão, etc., etc. Saramago afirmou-se sempre comunista e esse posicionamento determinou parte da obra. Dizer ” o escritor não é comunista nem deixa de o ser, é o que o leitor extrai dele. ” é pretender que a obra surge por inspiração divina, ou outra qualquer, e não tem autor.

    Quanto a isso dos escritores ateus e cientistas procurando Deus nos exemplos que dás, é mais uma leitura abusiva, do género “os cientistas não são nem deixam de ser, são o que extraímos deles.” E tu extrais Deus onde o cientista procura, por exemplo, o Big Bang. Abusivo.

    • Luís Moreira says:

      Não Pedro, nunca é abusivo o que lemos num livro. É sempre o que conseguimos ler nele, a não ser assim, tu lias e depois resumias para mim . O Saramago é um escritor é isso que me interessa. E para mostrar que é assim, publiquei uma carta que não é minha, e que nem sequer quer dizer que esteja de acordo com ela, foi só para mostrar que há pessoas que lêm Saramago desta forma. A Inês de Medeiros tambem se refere daquela maneira. Não há escritores comunistas ou ateus, ou sociais democratas. Há escritores que cada um de nós lê como pode.

  9. Pedro says:

    Ó Luís, eu respeito as convicções de cada um e não tento impôr-lhes as minhas, logo respeito as tuas convicções e tens, naturalmente, todo o direito a elas.

    Eu digo que é abusivo atribuir-se a outrém uma demanda que o próprio não reconhece e nega, apenas isso. Mas acho que faz parte da natureza das coisas que um crente veja manifestações de Deus em tudo o que existe -pertence à própria “definição” de Deus- e ache que até a própria negação deriva de manifestação divina.

    Claro que cada um encontra o que quer e pode numa obra artística, de tal forma que o artista pode não se reconhecer nessa leitura. Em casos-limite já vi dizerem ao criador que não percebe nada da sua criatura e que se equivoca na explicação que dela fornece

    Não digo que vás tão longe, não é isso que pretendo. A obra foge e sobrevive ao autor (quando sobrevive) mas não nasce sem ele. Quando de verdadeiros criadores se trata, apenas o autor A pode criar a obra B, nunca o autor C.

  10. Luís Moreira says:

    Pedro, compara “O levantado do chão” evidentemente comunista, com o resto da sua obra. Que leitura fazes do “Ensaio sobre a cegueira”?’ Ainda hoje li uma pessoa de direita dizer que a mulher que não cega é a “líder” que à maneira das elites trabalhadoras guiam as massas. Claro que queria acusar Saramago de ser comunista enquanto escritor. Eu não lhe faço essa desfeita. Saramago é um escritor Universalista, lido por todos os quadrantes ideológicos e apreciado!

  11. Luís Moreira says:

    Sim, mas a obra perene, a obra prima, tem leituras conforme o leitor a partir de uma proposta do autor que naturalmente é quem é. Mas se todos lermos o mesmo numa obra é como dizer que a parede branca que está à nossa frente é branca. Podes estar bem pintada mas ninguem olha mais para ela. Não é o caso do sorriso da Gioconda…

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.