Qimonda e a Maia

Por vezes alguns analistas políticos não percebem os motivos que levam o eleitorado a castigar de forma exemplar alguns candidatos. Um fenómeno mais estranho, para eles, no caso de eleições locais.

Desculpem chamar para aqui o meu cantinho mas a Maia é disso um exemplo. Em todas as eleições o Partido Socialista ganha, folgadamente, as referidas votações. Todas? Não. Nas eleições autárquicas esse partido costuma, perdoem a expressão, levar um banho de todo o tamanho. Assim foi, uma vez mais, nas últimas. E a verdade é que os mais desatentos ou aqueles que não vivem nem conhecem a Maia, ficam espantados.

Para os restantes, o espantoso é ver os dirigentes locais desse partido, com total desplante, dizer os mais incríveis disparates com o ar mais sério do mundo. Foi o que acabei de ver no Porto Canal. A notícia (que se reproduz no vídeo abaixo) era de hoje. A Câmara da Maia integrou 31 antigos trabalhadores dispensados da Qimonda. Ou seja, durante um ano estes 31 maiatos(as) vão trabalhar em diversos departamentos da autarquia e adquirindo formação e experiência que lhes permita enfrentar o futuro com mais esperança. Uma parceria entre a autarquia, o IEFP da Maia e financiado a 100% por um fundo comunitário – naquela que foi, até hoje, a única candidatura de uma câmara portuguesa ao dito fundo (Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização).

Ora, o Dr. Jorge Catarino, dirigente do PS da Maia, afirmou no Porto Canal, sem se rir, que não percebia como era possível a câmara contratar 31 pessoas que não eram da Maia e logo num concelho com uma das mais elevadas taxas de desemprego. A lata! Em tão só duas afirmações, três disparates. Os trabalhadores em causa são maiatos! E mesmo que não fossem, não deixam de ser desempregados nem tão pouco me parece que existam quotas de emprego para locais, mas enfim. Segundo disparate, a taxa de desemprego da Maia é das mais baixas.

Mesmo sabendo que este Jorge Catarino é o mesmo que quando foi nomeado pelo seu partido para a liderança da ARS-Norte afirmou, publicamente, que escolhia a sua equipa segundo o critério de serem filiados ou simpatizantes do seu partido, repito, mesmo sabendo isso, nunca me passou pela cabeça que depois de tantas derrotas humilhantes não tivesse, pelo menos, aprendido alguma coisinha. No mínimo, não falar do que não sabe…

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Comments

  1. Dario Silva says:

    São os dias do fim, não bate a bota com a catota e tudo acontece sob o espesso e peçonhento manto da representatividade democrática.


  2. De ‘catarino’, só se safa o feijão, mesmo enlatado.
    Este é um ‘catarino’ cheio de lata, o que não é bem a mesma coisa.

  3. Luis Moreira says:

    Deve estar com medo que estraguem as médias nacionais do desemprego, com as batotas que eles fazem, ainda se dá pela coisa…

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