O folclore à volta dos testes de resistência à banca

O desfile folclórico, em Portugal, começou com a onda de boatos lançados sobre o BCP. O banco, escrevia-se e dizia-se, estava em estado de insolvência e em risco de intervenção governamental. Afinal a instituição obteve a segunda posição dos quatro bancos nacionais testados, atrás do BPI e à frente da CGD e do BES – o Dr. Ricardo Salgado bem se esforçou, mas foi o último do pelotão português.

O espectáculo folclórico, porém, não se confina ao espaço bancário nacional. Segundo o Diário Económico, seis bancos alemães estão sob suspeita de escamotear dados essenciais para os testes. Mas alemão é alemão e, nesta UE de todos iguais e todos diferentes, o problema seria catastrófico caso a omissão fosse cometida por bancos da Grécia e/ou Portugal. Aí sim, o risco para os dois países de sair da zona euro era muito elevado. Causariam gravosas consequências ao interesse colectivo da dita zona, entre as quais o enfraquecimento da própria moeda europeia perante o dólar.

Como a falta deliberada, dos tais bancos alemães, não fosse já de si matéria para reflexão e desconfiança, vêm agora dois ilustres produtores de opinião, o investidor Jim Rogers e o famoso economista Roubini, garantir que os testes à banca europeia não foram suficientemente realistas.

Toda esta profusão de pareceres e notícias contribui para um folclore de ‘ópera bufa’ sem comicidade. O grande espectáculo é, de facto, o drama da crise económica mundial a impender sobre milhões de famílias, antes habituadas a crédito abundante e barato e que hoje vivem de salários escassos ou mesmo sem eles. Nada que os falsetes de um tenor bufo não resolvam. Entoará os cânticos do sublime ‘mercado’, a única divindade capaz de iluminar o caminho para o paraíso e para solucionar a crise.

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